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Com pai analfabeto, bolsista pesquisa novos letramentos
Francisco Carlos Vieira Moura de Araújo tem sua trajetória acadêmica atrelada à Universidade Federal do Piauí (UFPI) e à CAPES/MEC. Graduou-se em Letras Português na instituição com bolsas da Coordenação nos Programas Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) e de Residência Pedagógica. Também pela UFPI, tornou-se mestre e é doutorando no Programa de Pós-Graduação em Letras. Recebe de novo bolsa da Fundação em período sanduíche no Instituto Politécnico de Leiria, em Portugal.
Originário de família de baixa renda, com pai analfabeto, o pós-graduando se dedica a investigar os novos letramentos e ampliar a formação inicial de professores de Língua Portuguesa. No doutorado, o pós-graduando traz uma proposta de curso formativo para estudantes do curso de Letras no campus de Picos (PI) da UFPI.
Fale da sua trajetória acadêmica, da graduação ao doutorado.
Na época da graduação, precisei estudar à noite e, durante o dia, trabalhei como vendedor em uma loja de tecidos. Sou de família pobre e, apesar de meus pais sempre me ajudarem e apoiarem, não tinham tantas condições de manter um filho morando na “cidade grande”. Meu pai e minha mãe são agricultores. Ele é analfabeto (não teve oportunidade de estudar na infância/adolescência) e ela terminou o ensino médio depois de adulta, na modalidade da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Assim que terminei a graduação, em fevereiro de 2021, fui aprovado no mestrado. Tornei-me mestre em fevereiro de 2023 e, logo em seguida, fui aprovado no doutorado. Ao longo desse percurso, fui vendedor de loja, fiz monitorias, comecei a atuar como professor da rede pública (municipal e estadual) e da rede privada. Fui aprovado em alguns concursos públicos (Sobral/CE, Teresina/PI e Oeiras/PI, onde sou concursado atualmente).
Desde a graduação, tenho interesse em pesquisas na área de Linguística Aplicada, sempre articulando teoria, prática pedagógica e formação de professores de Língua Portuguesa. Atualmente, realizo estágio de doutorado-sanduíche em Portugal, ampliando minha formação acadêmica e internacionalizando minha pesquisa.
Sobre o que é a sua pesquisa?
Minha tese investiga os novos letramentos na formação inicial de professores de Língua Portuguesa, analisando uma proposta de curso formativo a ser desenvolvido com discentes do curso de Letras da UFPI, campus de Picos (PI). A pesquisa busca compreender como futuros professores se apropriam de práticas contemporâneas de leitura e escrita, marcadas pela multimodalidade, pelas tecnologias digitais e por novos modos de produzir sentidos, refletindo sobre como essas práticas podem ser integradas ao ensino de língua materna, de forma crítica e acessível a todos.
O que vale destacar de mais relevante na sua pesquisa?
Destaco a articulação entre teoria e prática formativa, bem como o olhar para a formação inicial de professores em contextos do interior do Nordeste brasileiro, uma vez que, devido ao fato de ser egresso de um campus localizado no interior do Piauí, percebo que há uma necessidade de uma formação mais ampliada sobre novos letramentos ainda na formação inicial de futuros professores de Língua Portuguesa. A pesquisa evidencia que trabalhar os novos letramentos na universidade contribui para uma formação docente mais crítica, atualizada e sensível às transformações sociais, tecnológicas e culturais que impactam o ensino de Língua Portuguesa.
De que forma a sua pesquisa pode contribuir para a sociedade?
Ao fortalecer a formação inicial de professores, a pesquisa contribui diretamente para a melhoria do ensino na educação básica, uma vez que eu acredito que professores mais bem preparados para lidar com textos multimodais, tecnologias digitais e práticas contemporâneas de linguagem tendem a promover aulas mais inclusivas, acessíveis, significativas e alinhadas à realidade dos estudantes, ampliando o acesso ao conhecimento e à participação social. Além disso, a pesquisa poderá ter um impacto direto nos sujeitos participantes do estudo, que serão alunos da própria universidade e que fazem parte da sociedade.
Como a CAPES/MEC auxiliou e auxilia na sua formação?
Fui bolsista CAPES/MEC no Pibid e no Residência Pedagógica, na graduação, e estou como bolsista da CAPES/MEC no meu doutorado-sanduíche em Portugal. As bolsas possibilitam dedicação integral à pesquisa, participação em eventos científicos, produção acadêmica qualificada e, atualmente, a realização do doutorado-sanduíche no exterior, coisa que, com meus próprios recursos financeiros, não conseguiria.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação CGCOM/CAPES)
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