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GESTÃO DA ÁGUA

Bolsistas da CAPES estudam novo seguro contra secas e inundações

Grupo de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) desenvolve modelos com monitoramento em tempo real para calcular prejuízos
Publicado em 20/07/2021 09h21 Atualizado em 20/07/2021 10h12

Compensar perdas, evitar impactos dos danos em longo prazo e incentivar a redução do risco. Este é o tripé que compõe o seguro indexado para vítimas de enchentes e secas. As informações, monitoradas em tempo real, ajudam a calcular as chances de ocorrer um desastre e qual será o tamanho do prejuízo, facilitando o pagamento às vítimas. Dois bolsistas da CAPES integram grupo de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) que estuda modelos desse tipo seguro para uso no País.

“A lógica por trás do seguro indexado é que os riscos podem ser monitorados por variáveis meteorológicas e hidrológicas bem conhecidas, como precipitação, temperatura, vazão, armazenamento de reservatório ou índices de seca”, explica a engenheira ambiental Gabriela Chiquito, bolsista de doutorado no Programa de Pós-Graduação (PPG) em Engenharia Hidráulica e Saneamento da USP, em São Carlos.

Quando a variável monitorada atinge o limite máximo, em inundações, ou mínimo, em secas, os pagamentos são feitos de forma automática aos segurados. Dessa maneira, há a indenização quase que imediata após a ocorrência de desastres. No Brasil, atualmente, o tipo de seguro aplicado envolve indenizações por perdas conhecidas e avaliadas depois dos desastres, o que causa uma demora significativa no seu pagamento.

“O seguro indexado é capaz de reduzir os custos operacionais dos fundos de seguros, tornar as soluções securitárias mais transparentes e melhorar a comunicação de risco entre os segurados e as seguradoras. As ferramentas de transferência de risco, ou seja, os seguros, fazem parte de sistemas integrados de gestão de risco e possivelmente se encontram subutilizadas no Brasil”, diz Marcos Benso, que, assim como Gabriela, é engenheiro ambiental e bolsista de doutorado no PPG em Engenharia Hidráulica e Saneamento da USP.

Dados da Agência Nacional de Águas (ANA) apontam que as perdas diretas decorrentes de secas e inundações chegaram a R$9 bilhões ao ano, entre 1995 e 2014, no Brasil. Entre 1991 e 2012, essas variações climáticas representaram 84% dos desastres naturais ocorridos no País, afetando cerca de 127 milhões de pessoas.

“As políticas públicas que não incorporam elementos de prevenção aos riscos e de recuperação financeira, sem ser a partir de medidas emergenciais, reativas, posteriores à ocorrência do evento adverso, estarão economicamente fadadas ao fracasso”, alerta Mario Mendiondo, coordenador do grupo Water-Adaptive Design & Innovation Laboratory (Wadi Lab) e orientador das pesquisas de Gabriela Chiquito e Marcos Benso. O laboratório está ligado ao PPG em Engenharia Hidráulica e Saneamento, da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), unidade da USP no interior paulista.

Legenda das imagens:
Banner: Imagem ilustrativa (iStock.com/Scyther5)
Imagem 1: Grupo de pesquisa que estuda seguro indexado para secas e enchentes é da Escola de Engenharia de São Carlos, da USP (Foto: Assessoria de Comunicação da EESC/USP
Imagem 2: Comparação mostra as vantagens do seguro indexado sobre o seguro tradicional (Foto: Arquivo Pessoal) 
Imagem 3: Tabela explica o funcionamento do seguro indexado (Foto: Arquivo Pessoal)  

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação CCS/CAPES)
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