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Açafrão: uma nova matéria-prima para curativos

Pesquisa inovadora pode ajudar na cicatrização de pequenos ferimentos
Publicado em 08/09/2021 13h55 Atualizado em 16/09/2021 16h43

Paulo Augusto Marques Chagas é graduado em Engenharia Biotecnológica pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita (Unesp) e doutor em Biotecnologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Desde 2016 trabalha na área de novos materiais e nanotecnologia, especialmente na produção de nanomateriais poliméricos, usados para a liberação controlada de fármacos. Recentemente, apresentou um curativo nanotecnológico de múltipla função, feito à base de curcumina, substância ativa da cúrcuma, ou açafrão.

Como nasceu a ideia de pesquisar curativos baseados em nanotecnologia?
Durante a minha graduação em Engenharia Biotecnológica, na Unesp, pude trabalhar na produção de uma membrana de látex, contendo fármacos, para atuar como um curativo. Por causa do látex, este curativo poderia estimular o processo de cicatrização. Já no doutorado, o projeto foi construído combinando aspectos da biotecnologia e nanotecnologia. A meta era desenvolver um curativo empregando micro e nanofibras de borracha natural, extraída do látex, e poliácido-lático (PLA) para a liberação de fármacos ou compostos ativos, o que foi realizado com êxito. A parte experimental do projeto foi realizada no Laboratório Nacional de Nanotecnologia para Agronegócio (LNNA) da Embrapa Instrumentação, em parceria com outras instituições de São Paulo.

Como foi desenvolvida a pesquisa em laboratório?
A pesquisa se iniciou com os estudos de compatibilidade entre os materiais empregados no curativo, os polímeros como o PLA e a borracha natural. Após um trabalho meticuloso, a solução e as condições foram estabelecidas e obtidas as micronanofibras. Investigou-se diferentes materiais para composição do curativo e, no final, optamos pela curcumina, dadas as suas propriedades de interesse, para a confecção do curativo multifuncional. O trabalho também contou com a colaboração de pesquisadores do Instituto de Física da USP de São Carlos para realizar algumas caracterizações do material. Os ensaios microbiológicos também aconteceram na sede da Embrapa Instrumentação.

Por que a curcumina serve para uso em curativos?
A curcumina, um composto extraído do açafrão, tem ganhado inúmeros destaques em trabalhos científicos por suas características de interesse como propriedades antioxidante, anti-inflamatória, antiviral e antibacteriana. Precisávamos de um composto-modelo que pudesse ser empregado juntamente à matriz polimérica e que tivesse propriedades de interesse para o processo de cicatrização da pele. Essa série de propriedades vantajosas da curcumina foram elementos fundamentais para utilizá-la em nossos curativos nanotecnológicos multifuncionais.

Quais são as aplicações gerais deste curativo?
Inicialmente, vislumbramos o curativo para pequenos ferimentos, úlcera por pressão ou feridas infectadas, pois a curcumina pode atuar durante o processo de cicatrização. Além disso, o curativo, formado por bicamadas com distintas propriedades, consegue proteger lesões de ações externas, como exposição à luz solar e contaminação, assim como também diminuir a infecção por bactérias.

Ele já está sendo produzido?
O processo foi patenteado no INPI e, neste momento, estamos prospectando possíveis interessados em firmar parcerias de modo a  escalonar a produção do curativo bem como realizar ensaios clínicos, para que, no futuro, o produto possa chegar ao mercado.

Qual a importância da Bolsa da CAPES para sua trajetória acadêmica?
A Bolsa da CAPES foi de fundamental importância, uma vez que viabilizou a execução do meu projeto de doutorado e contribuiu para a ciência no Brasil ao produzir conhecimento científico e tecnológico, e possibilitar o desenvolvimento do curativo multifuncional.

Legenda das imagens:
Banner: Curativo nanotecnológico de múltipla função, feito à base de curcumina, substância ativa da cúrcuma, ou açafrão. (Foto: Arquivo Pessoal)
Imagem 1: O material emprega micro e nanofibras de borracha natural, extraída do látex, e poli ácido-lático (PLA) para a liberação de fármacos ou compostos ativos (Foto: Arquivo Pessoal)
Imagem 2: Paulo Chagas fez doutorado no Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPG-Biotec) da Universidade Federal de São Carlos - UFSCar (Foto: Arquivo Pessoal)
Imagem 3: O projeto combina aspectos da biotecnologia e nanotecnologia (Foto: Arquivo Pessoal)

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação CCS/CAPES)
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