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Roda de conversa em evento de celebração ao Dia Mundial da Água aborda equidade de gênero e os desafios para a gestão dos recursos hídricos
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) realizou nesta terça-feira, 24 de março, o evento em celebração ao Dia Mundial da Água no Auditório Flávio Terra Barth, na sede da ANA, em Brasília. Ao longo da solenidade foram realizados lançamentos de publicações e a apresentação de iniciativas que tratam sobre a gestão hídrica do País. No período da tarde, o encontro contou com a Roda de Conversa Água, Gênero e Mudanças Climáticas: Desafios e Estratégias para a Gestão dos Recursos Hídricos.
A Roda serviu para discutir a relação entre água, gênero e mudanças climáticas; mostrando como os impactos climáticos afetam de forma diferenciada mulheres e homens e as oportunidades que existem para fortalecer a participação feminina na gestão dos recursos hídricos.
Estavam presentes na roda de conversa as diretoras da Agência Ana Carolina Argolo e Larissa Rêgo; a assessora especial Internacional da ANA, Gisela Forattini; a superintendente de Estudos Hídricos e Socioeconômicos da Agência, Ana Paula Fioreze; a pesquisadora em Ciências Aplicadas e Políticas Públicas da Fundação João Pinheiro, Fernanda Matos.
A mesa também contou com a participação da diretora administrativa da organização não governamental (ONG) Mandí, Ligia Paz; a assessora técnica de Participação Social e Diversidade do Ministério de Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR), Ligia Paz; e o secretário geral da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), Josivan Cardoso, que participou de forma remota. A responsável pela moderação da mesa foi a superintendente adjunta de Apoio ao Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH) e às Agências Infranacionais de Saneamento e coordenadora do Comitê Pró-Equidade de Gênero (CPEG) da ANA, Renata Maranhão.
A Roda de Conversa foi dividida em dois blocos. No primeiro deles foram abordados os assuntos sobre territórios, dados e desigualdades pela diretora Larissa Rêgo; pela superintendente Ana Paula Fioreze; pela pesquisadora Fernanda Matos; e pela diretora da ONG Mandí, Lígia Paz.
Nesse primeiro bloco a diretora da ANA Larissa Rêgo apresentou dados que revelam a desigualdade no acesso à água no Brasil e como as mulheres são as maiores afetadas com esse problema. “Mais de 60% dos produtores rurais registrados nos programas de aquisição de alimentos são mulheres, revelando a importância da participação feminina para o fortalecimento do empreendedorismo rural, da geração de renda, do desenvolvimento regional e da segurança alimentar no Brasil.
A pesquisadora da Fundação João Pinheiro, Fernanda Matos, falou sobre os problemas gerados pela crise hídrica. “A crise da água não é apenas uma crise de escassez ou de gestão; é também uma crise de desigualdade e de invisibilidade [...] Nós sabemos que essas dificuldades vão se expressar de forma recorrente em diferentes dimensões: nos impactos desiguais do acesso à água e do saneamento, na sobrecarga de trabalho e seus efeitos econômicos, no aprofundamento de vulnerabilidades em contexto de mudança climática e nas limitações institucionais à participação e à governança”, alertou.
Outra participante do primeiro bloco foi a diretora administrativa da ONG Mandí, Lígia Paz, que reforçou a necessidade de continuar e melhorar o trabalho que já tem sido realizado. “A gente precisa fortalecer o que já existe e incorporar, assim a gente constrói e implementa políticas públicas mais diversas, mais regionalizadas, mais adaptadas e que respeitem a dinâmica dos territórios [...] Falar de gestão da água é também falar das pessoas que fazem parte desse processo e elas precisam estar desde a ponta à execução em todas as fases da implementação e da construção das políticas públicas que são pensadas nesse território”, disse Paz.
No segundo bloco os assuntos tratados foram políticas públicas e caminhos institucionais. Os responsáveis por esse debate foram a diretora da Agência Ana Carolina Argolo; a assessora especial internacional da ANA, Gisela Forattini; a assessora técnica de Participação Social e Diversidade do MIDR, Daniele Luciana; e o secretário geral da ABES Josivan Cardoso.
A diretora Ana Carolina Argolo finalizou o segundo bloco falando sobre os desafios listados ao longo da roda de conversa, dentre eles a falta de liderança feminina nos espaços públicos e privados. “Nós temos, ainda, desafios relacionados à própria participação da mulher em posições de liderança. Como que nós capacitamos essa mulher, como que nós preparamos uma mulher para estar em uma posição de liderança, como que a gente consegue quebrar essa desigualdade de gênero e esse número mágico que a gente tem, que é um reflexo das instituições, tanto privadas quanto públicas, onde a gente tem uma participação média de 30% de mulheres e 70% de homens em postos de tomadas de decisão”, concluiu a dirigente.
A moderadora Renata Maranhão finalizou a Roda de Conversa reafirmando a necessidade de caminhos para aumentar a perspectiva de gênero nas políticas e instrumentos de gestão das águas, contribuindo para estratégias mais justas e eficazes diante dos desafios climáticos.
O evento foi concluído com um coffee break ao som da banda formada por mulheres Saiabamba.
O Dia Mundial da Água
Em 22 de março de 1992, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Dia Mundial da Água em solo brasileiro. A data foi lançada durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida como Eco-92, no Rio de Janeiro, como um esforço da comunidade internacional para colocar em pauta as questões essenciais que envolvem os recursos hídricos no planeta. Todos os anos a ONU propõe um tema para discussão, sendo que em 2026 o tema escolhido foi Água e Gênero.