Notícias
Diretora defende gestão integrada e ações preventivas para garantir segurança hídrica diante das mudanças climáticas no 3º Fórum Brasil das Águas
A diretora da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Larissa Rêgo, defendeu nesta quarta-feira (6) o fortalecimento da gestão integrada dos recursos hídricos e a adoção de soluções estruturais e baseadas na natureza para enfrentar os impactos das mudanças climáticas no Brasil. A participação ocorreu durante o painel “Segurança Hídrica em cenários de mudanças climáticas”, realizado no 3º Fórum Brasil das Águas, em São Luís (MA).
Ao abordar os desafios impostos pelos eventos extremos, a diretora destacou que o país vive um cenário de secas mais prolongadas, chuvas concentradas e incertezas climáticas. “É o grande desafio dos nossos tempos garantir segurança hídrica em um país continental como o nosso, com diversas peculiaridades em cada região, mas enfrentando, hoje, as mudanças climáticas”, afirmou.
Larissa também ressaltou a preocupação da ANA com a garantia de água para as próximas gerações diante do agravamento dos eventos climáticos extremos. “Como vamos garantir a segurança hídrica para as futuras gerações, dentro de um cenário de hoje? Garantir a água em quantidade e qualidade para essas pessoas, para a produção, para os ecossistemas, para o desenvolvimento e para a agricultura tornou-se cada vez mais uma tarefa complexa, em um contexto com muitas mudanças climáticas. Essas chuvas concentradas e os eventos extremos frequentes fazem parte, hoje, de uma realidade brasileira, que exige novas formas de gerir a água”, afirmou.
Durante o painel, a diretora contextualizou o papel da ANA na implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e no monitoramento das condições hídricas do país. Ela ressaltou que a Agência atua tanto na gestão dos rios federais quanto no apoio a políticas e projetos estruturantes voltados à segurança hídrica, como o Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF). “Garantir a qualidade e a quantidade da água é um desafio. A ANA vem atuando desde o monitoramento e da gestão até a implementação de programas de ação para garantir a recuperação de nascentes, conservação do solo e revitalização de bacias”, explicou.
A diretora também destacou a importância do planejamento baseado em dados e evidências técnicas. Segundo ela, a Agência vem ampliando estudos sobre os impactos das mudanças climáticas nos recursos hídricos e estruturando ações voltadas à prevenção de crises.
Outro ponto abordado foi o conceito de “falência hídrica”, tema que ganhou repercussão internacional recentemente. Larissa explicou que o termo não se refere apenas a eventos de seca pontuais, mas a um processo contínuo de degradação dos recursos hídricos. “Falência hídrica ocorre quando a sociedade passa a retirar mais água da natureza do que é capaz de repor, degradando os nossos rios, reservatórios, aquíferos e ecossistemas de forma difícil de reverter. O Brasil, de forma geral, não se encontra nessa situação. Temos uma grande diversidade hídrica e um arcabouço institucional sólido, mas existem regiões e bacias onde as pressões são crescentes”, afirmou.
A diretora ressaltou ainda que as soluções para garantir a segurança hídrica exigem integração entre governos, setor produtivo, sociedade civil e instituições de pesquisa. Entre as medidas defendidas por ela estão a recuperação de matas ciliares, conservação de áreas de recarga de aquíferos, redução da erosão do solo, ampliação do saneamento, fortalecimento das estruturas de monitoramento e obras hídricas, como barragens, adutoras e canais. “Precisamos agir antes que os problemas conjunturais se tornem estruturais”, disse.
Larissa também destacou a atuação da ANA no acompanhamento de reservatórios estratégicos, como o Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de grande parte da população da Região Metropolitana de São Paulo. Segundo ela, a Agência realiza monitoramento diário e mantém salas de situação para subsidiar decisões relacionadas à operação dos sistemas hídricos.
O fórum
Com o tema central "Água, a maior riqueza do Brasil", o 3º Fórum Brasil das Águas é promovido pela Rede Brasil de Organismos de Bacias Hidrográficas (Rebob), formada por representantes de consórcios de municípios, comitês de bacias hidrográficas, associações de usuários, agências de bacia e outros órgãos. A programação inclui seminários dos comitês de bacias, reuniões de conselhos e grupos gestores, painéis temáticos, grupos de trabalho e atividades paralelas como exposições, lançamento de livros e teatro.
O evento segue até o dia 8 de maio, reunindo gestores públicos, especialistas e representantes da sociedade para discutir temas como sustentabilidade, mudanças climáticas e governança hídrica.
Assessoria Especial de Comunicação Social (ASCOM)
Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)
imprensa@ana.gov.br
www.gov.br/ana | Facebook | Instagram | Twitter | YouTube | LinkedIn | TikTok