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Brasil assume presidência da RIOB e assume protagonismo na agenda global da água
O Brasil assumiu oficialmente nesta quinta-feira, 18 de junho, a presidência da Rede Internacional de Organismos de Bacia (RIOB) para o biênio 2026-2028. A passagem da presidência da França para o Brasil ocorreu durante a 13ª Cúpula Mundial de Bacias da RIOB, realizada no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, reunindo representantes de organismos de bacia, governos, instituições internacionais, pesquisadores e especialistas de dezenas de países.
Com a transição, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) passa a exercer a presidência executiva da rede e o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR), a presidência. A posse amplia o protagonismo brasileiro na promoção da gestão integrada dos recursos hídricos e da cooperação internacional para enfrentar os desafios relacionados à segurança hídrica e às mudanças climáticas.
Ao assumir a presidência executiva, a diretora-presidente interina da ANA, Larissa Rêgo, destacou que o momento é decisivo para a agenda global da água e reforçou a importância da gestão das águas em nível de bacia hidrográfica como instrumento para promover desenvolvimento sustentável, segurança alimentar, geração de energia e estabilidade social.
“A gestão dos recursos hídricos em nível de bacia hidrográfica é, hoje, mais do que nunca, uma necessidade estratégica. É nesse território que conseguimos alinhar políticas públicas, promover a participação e implementar soluções efetivas”, afirmou.
Em seu discurso, Larissa alertou para os impactos crescentes das mudanças climáticas sobre a gestão da água. Segundo ela, os padrões hidrológicos históricos já não oferecem o mesmo grau de previsibilidade, enquanto secas severas e cheias intensas se tornam mais frequentes e mais graves. A diretora-presidente interina destacou ainda as previsões que apontam para uma alta probabilidade de ocorrência de um El Niño de forte intensidade — possivelmente um “super El Niño” — a partir do segundo semestre de 2026, com potenciais impactos sobre a disponibilidade hídrica e a ocorrência de eventos extremos.
“Nesse contexto, os organismos de bacia hidrográfica desempenham um papel absolutamente essencial. Eles são os espaços onde o diálogo acontece, onde conflitos são mediados e onde decisões são construídas de forma participativa. São também fundamentais para manter a água no centro da agenda política, articulando governo, usuários e sociedade”, apontou.
Ao encerrar sua fala, reafirmou o compromisso brasileiro com a cooperação internacional. “Ao assumir a presidência executiva da INBO (sigla em inglês), o Brasil reafirma seu compromisso com essa agenda. Nosso objetivo será fortalecer essa rede como uma plataforma ativa de cooperação, inovação e mobilização, contribuindo para soluções concretas diante dos desafios globais da água”, declarou.
Representando o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, o secretário nacional de Segurança Hídrica, Giuseppe Vieira, destacou que a transferência da presidência ocorre em um momento estratégico para a agenda global da água. Segundo ele, os debates realizados ao longo da cúpula reafirmaram que a segurança hídrica depende cada vez mais da gestão integrada e cooperativa das bacias hidrográficas.
“Ao recebermos da França a presidência da Rede Internacional de Organismos de Bacia, assumimos a responsabilidade de dar continuidade ao trabalho desenvolvido pela RIOB e de fortalecer ainda mais os espaços de diálogo, intercâmbio técnico e cooperação entre seus membros”, afirmou. Giuseppe ressaltou que o Brasil assume essa missão consciente de sua relevância no cenário hídrico mundial, por abrigar algumas das maiores bacias hidrográficas do planeta e compartilhar recursos hídricos estratégicos com diversos países da América do Sul.
O secretário também destacou que infraestrutura hídrica e governança devem caminhar juntas. Segundo ele, obras e sistemas são fundamentais para ampliar a segurança hídrica, mas seus resultados dependem de instituições sólidas, planejamento de longo prazo e mecanismos de cooperação entre os diferentes atores envolvidos. Giuseppe citou ainda iniciativas como o Plano Nacional de Segurança Hídrica e ressaltou a importância da integração entre políticas de água, biodiversidade e adaptação climática, bem como do uso de dados hidrometeorológicos e ferramentas digitais para apoiar a tomada de decisões.
Adaptação climática em debate
Também nesta quinta-feira, a superintendente de Estudos Hídricos e Socioeconômicos da ANA, Ana Paula Fioreze, participou da Sessão 4 da cúpula, dedicada ao tema “Adaptação às mudanças climáticas em nível de bacia hidrográfica: controle de enchentes e secas”. Em sua apresentação, a superintendente abordou os impactos das mudanças do clima sobre os recursos hídricos e apresentou iniciativas voltadas ao fortalecimento da resiliência hídrica nas bacias brasileiras.
Um dos destaques da apresentação foi o Water Resilience Tracker (WRT), ferramenta desenvolvida em parceria com a Alliance for Global Water Adaptation (AGWA) e outras instituições internacionais para avaliar como os planos de recursos hídricos incorporam aspectos relacionados à adaptação climática e à resiliência hídrica.
Ao apresentar os resultados, Ana Paula observou que os desafios relacionados à integração entre setores continuam sendo um dos principais obstáculos para a adaptação climática. “Todo mundo que trabalha com água sabe que um dos problemas é a integração intersetorial. Os setores usuários da água não necessariamente olham para a água durante o seu planejamento e a gestão da água também nem sempre faz esse diálogo com a profundidade necessária”, afirmou.
A superintendente ressaltou que o objetivo da iniciativa não é apontar falhas dos comitês de bacia, mas identificar oportunidades de aprimoramento. “O que a gente quer é mostrar onde estão as principais falhas e ajudar a construir planos de bacia melhores e que possam, de fato, ser implantados”, afirmou.
Entre os aspectos que merecem atenção, Ana Paula destacou a necessidade de ampliar a participação de povos originários, comunidades vulnerabilizadas e mulheres nos processos de governança e elaboração dos planos de recursos hídricos, além de fortalecer os mecanismos de financiamento para viabilizar a implementação das ações de adaptação.
Ao abordar os próximos passos da iniciativa, a superintendente defendeu a adoção de uma gestão adaptativa, baseada no monitoramento contínuo e na revisão periódica dos cenários climáticos e hidrológicos. “O nosso futuro é a gestão adaptativa. Monitorar sempre, verificar sempre, reavaliar sempre e adequar os rumos antes do plano terminar”, afirmou.
Segundo Ana Paula, a ANA trabalha na construção de uma cesta de ações de adaptação que permita aos gestores identificar medidas já testadas em diferentes contextos e avaliar quais delas são mais adequadas para cada realidade. Essas ações estão sendo classificadas conforme critérios como robustez diante das incertezas climáticas, potencial de adaptação e benefícios adicionais para mitigação das mudanças do clima.
Agenda temática da cúpula
A 13ª Cúpula Mundial de Bacias, que segue até amanhã, 19 de junho, tem como tema central a governança cooperativa de bacias para a segurança hídrica. A programação contou com debates sobre dados e monitoramento hídrico, diálogo entre cidades e bacias, biodiversidade, adaptação climática e recursos hídricos não convencionais.
Fotos: Fabiano Veneza/SEAS
Assessoria Especial de Comunicação Social (ASCOM)
Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)
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