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ANA participa da 4ª Reunião do Conselho Latino-Americano da Água e defende governança hídrica regional em Montevidéu
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) participou, entre os dias 22 e 24 de abril de 2026, da 4ª Reunião do Conselho de Governadores do Conselho Latino-Americano da Água (CLA) e da 1ª Consulta do Processo Regional das Américas com vistas ao 11º Fórum Mundial da Água, realizados em Montevidéu, no Uruguai. O diretor-presidente interino Leonardo Góes e a diretora Larissa Rêgo representaram a Agência no evento.
A ANA é instituição fundadora do CLA e integra o Conselho de Governadores. O fórum tem como objetivo fortalecer a cooperação regional, promover políticas de uso sustentável dos recursos hídricos e incentivar estudos sobre águas transfronteiriças. O encontro de Montevidéu reuniu representantes de governos nacionais e instituições internacionais para debater os principais desafios hídricos da região.
Em discurso de abertura do encontro, o diretor-presidente interino Leonardo Góes ressaltou o paradoxo que marca a América Latina: a região mais rica em recursos hídricos do mundo convive com dezenas de milhões de pessoas sem acesso a água potável segura e saneamento digno. "Esse não é um problema técnico. É uma escolha política. E hoje, neste encontro, estamos aqui para fazer escolhas diferentes", afirmou.
O diretor destacou que o Brasil concentra cerca de 12% de toda a água doce superficial do planeta, uma responsabilidade que, segundo ele, não pertence apenas ao país, mas é "compartilhada com toda a América Latina".
Aquífero Guarani
Um dos pontos centrais do discurso foi a situação do Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios de água doce subterrânea do mundo, compartilhado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Leonardo Góes defendeu a urgência de marcos regulatórios harmonizados entre os quatro países, sistemas compartilhados de monitoramento e alerta, e acordos vinculantes que protejam o aquífero contra a superexplotação e a contaminação.
"O Aquífero Guarani não pertence a nenhum governo. Pertence às gerações futuras da América do Sul", declarou o diretor, convocando os países membros do CLA a transformar a cooperação sobre o Guarani em uma referência global de governança hídrica transfronteiriça.
O representante da ANA também chamou atenção para a seca como "crise permanente" na América Latina. Ele ressaltou que o Semiárido brasileiro — a região semiárida mais populosa do mundo, com mais de 27 milhões de habitantes — já desenvolveu tecnologias sociais relevantes para convivência com a escassez, mas que os impactos das mudanças climáticas estão intensificando os ciclos de seca e comprometendo a resiliência construída ao longo de décadas.
Ao encerrar sua fala, o diretor apresentou três propostas concretas ao Conselho: o fortalecimento da governança do Aquífero Guarani com um acordo regional vinculante; a criação de uma plataforma regional de respostas à seca, integrando as experiências do Semiárido e do Corredor Seco; e o estabelecimento de um mecanismo regional de regulação comparada para harmonizar marcos normativos e elevar os padrões de qualidade dos serviços de água e saneamento em toda a América Latina.
Sobre o Conselho Latino-Americano da Água
O Conselho Latino-Americano da Água foi lançado durante o 1º Fórum Latino-Americano da Água, em novembro de 2023, em Aracaju (SE). Em maio de 2024, foi instalado oficialmente durante o 10º Fórum Mundial da Água, em Bali, na Indonésia. Em agosto do mesmo ano, em Foz do Iguaçu (PR), foi aprovado o Estatuto do Conselho, com eleição dos membros responsáveis por sua estrutura — composta por 23 membros e pelas seguintes instâncias: Assembleia Geral, Conselho de Governadores, Diretoria Executiva, Secretaria Técnica Permanente e Conselho Fiscal.
O Conselho de Governadores reúne representantes de governos nacionais — incluindo Brasil, Chile, México e Peru —, além de instituições como o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), Itaipu Binacional, a UNESCO, empresas de água e associações técnicas e da sociedade civil latino-americanas.
Assessoria Especial de Comunicação Social (ASCOM)
Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)
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