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Estudos acadêmicos poderão ajudar na construção de políticas públicas sobre combate a entorpecentes

Ministério da Justiça e Segurança Pública promove encontro com estudantes e pesquisadores para incentivar a produção de estudos acadêmicos que poderão subsidiar programas e projetos de combate às drogas
Publicado em 11/12/2020 15h22
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Brasília, 11/12/2020 - Um grupo de pesquisadores brasileiros dedicado a estudos sobre políticas de drogas se reuniu no Ministério da Justiça e Segurança Pública para apresentar trabalhos de pesquisa sobre o tema. O objetivo do encontro, promovido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad/MJSP), é incentivar a participação da sociedade civil no ciclo das políticas públicas voltadas à redução da oferta de drogas ilícitas, mediante pesquisa e compartilhamento de conhecimentos, artigos e outros produtos acadêmicos. Os estudos apresentados pelos integrantes do Serviço Voluntário de Pesquisa (SVP) sobre a redução da oferta de entorpecentes podem subsidiar a tomada de decisão e a elaboração de planos, programas e projetos de repressão ao narcotráfico e a crimes conexos.

“É muito importante a participação desses profissionais e pesquisadores nessa troca de experiências e conhecimento, por meio de estudos acadêmicos, para adquirimos subsídios para a elaboração de políticas públicas no Brasil”, destacou o Secretário Nacional de Políticas sobre Drogas, Luiz Roberto Beggiora.

Segundo o coordenador-geral de pesquisa e formação, Carlos Timo Brito, o Serviço Voluntário de Pesquisa é uma forma de conhecermos o conteúdo que tem sido estudado por pesquisadores brasileiros e profissionais dos departamentos de Química, de Farmácia, de Direito e de Economia. “Nós identificamos, também, que os estudantes de universidades localizadas em regiões de fronteira têm muito interesse em temáticas voltadas para redução de oferta de drogas”, explica. O diretor de Políticas Públicas e Articulação Institucional da Senad, Gustavo Camilo Baptista, salienta que os estudos serão um grande apoio na identificação dos impactos das drogas no país e nas diretrizes necessárias para o emprego em políticas cada vez mais efetivas.

O pesquisador José Luiz da Costa, professor de toxicologia da faculdade de ciências farmacêuticas da Universidade de Campinas (Unicamp/SP), explicou, durante apresentação de estudo conduzido pela universidade, que dados sobre o consumo de novas substâncias psicoativas coletados a partir de análise de fluidos orais apontam que muitos desconhecem o tipo de droga que estão ingerindo. “A pesquisa expõe que o usuário não sabe a constituição química da droga que ele utiliza. Temos constatado que, muitas vezes, a pessoa acha que usou uma droga, quando na realidade consumiu outra substância desconhecida, oferecendo um risco ainda maior para a saúde”, destacou.

A estudante de toxicologia analítica pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Giovanna Gouveia, trouxe sua pesquisa sobre o mapeamento e a caracterização do perfil de intoxicações por abuso de drogas, atendidas pelo Centro de Informações Toxicológicas do RS, nos últimos 10 anos. “Identifiquei que, em sua maioria é constituída por homens de até 19 anos, intoxicados pelo uso de cocaína na capital do estado e na região metropolitana. Entretanto, diferentemente do que a literatura apresentava até anos anteriores, o número de mulheres tem aumentado significativamente”, alerta.

Foram apresentados, ainda, estudos sobre apreensão de drogas, intoxicações e propostas de organização de bancos de dados. Segundo a perita criminal federal Mônica Paulo, o programa é uma importante fonte de informações para direcionar as políticas tanto de segurança pública quanto de saúde pública.

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