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POLÍTICAS SOBRE DROGAS
Senad fortalece capacidade de identificação de novas substâncias psicoativas
Foto: Unicamp
Campinas, 4/9/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), promoveu, em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e o Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Campinas (CIATox-Campinas), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), curso internacional voltado ao aprimoramento da identificação de novas substâncias psicoativas (NSP) e drogas sintéticas.
Realizado de 24 a 28 de agosto, em Campinas (SP), o Curso Internacional de Toxicologia Forense – Teoria e Prática reuniu 13 especialistas: cinco peritos brasileiros e oito profissionais da Argentina, do Chile, do Paraguai e do Uruguai. A formação buscou ampliar a capacidade técnica dos laboratórios forenses e fortalecer o intercâmbio de informações sobre substâncias emergentes entre os países da região.
Para a secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, Marta Machado, a capacidade de identificação laboratorial é fundamental para que o poder público acompanhe as transformações do mercado de drogas.
“A qualificação da perícia amplia nossa capacidade de identificar precocemente novas substâncias e transformar esses achados em informação para a tomada de decisão”, afirma.
Novas substâncias
O surgimento acelerado de novas substâncias psicoativas representa um desafio para laboratórios e sistemas de monitoramento em diferentes países. Segundo dados do UNODC, 755 NSP foram identificadas nos mercados ilícitos de drogas em todo o mundo em 2024, das quais 118 foram notificadas pela primeira vez. No mesmo ano, cerca de 331 milhões de pessoas entre 15 e 64 anos fizeram uso de alguma substância psicoativa, o equivalente a 6,2% da população mundial nessa faixa etária.
No Brasil, o acompanhamento dessas mudanças é realizado pelo Sistema de Alerta Rápido sobre Drogas (SAR), coordenado pela Senad e vinculado ao Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid). Instituído de forma permanente em fevereiro de 2025, o sistema articula órgãos públicos, instituições científicas e organizações da sociedade civil para captar, analisar e disseminar informações sobre novas substâncias psicoativas, adulterações e mudanças nos padrões de uso de drogas que possam representar riscos à saúde e à segurança pública.
Em 2026, o SAR já publicou sete alertas rápidos relacionados a substâncias e fenômenos identificados no País. Entre eles estão registros de novas substâncias psicoativas, como NMDMSB, protodesnitazeno, dipentilona e dimetocaína, além da identificação do precursor químico MMDPPA e de uma mistura de cocaína e fentanil. Em 2025, outros seis alertas foram disponibilizados pelo sistema, incluindo ocorrências relacionadas a nitazenos, canabinoides sintéticos, fenibut e metanol.
Além dos alertas rápidos, o SAR produz informes e documentos técnicos destinados a qualificar a resposta do poder público. Entre os temas já abordados estão a circulação de nitazenos — opioides sintéticos — no Brasil, canabinoides sintéticos, fentanil e intoxicações relacionadas ao metanol.
A análise laboratorial é uma etapa fundamental para o funcionamento desse sistema. A identificação de uma substância em material apreendido ou em uma amostra biológica pode gerar informações que, depois de avaliadas tecnicamente, contribuem para o monitoramento de novos riscos e para a emissão de alertas destinados a órgãos das áreas de saúde e segurança pública. Entre as atribuições dos integrantes do SAR estão a comunicação de detecções e apreensões de NSP e de casos de intoxicação, além do fornecimento de dados analíticos e toxicológicos sobre substâncias de interesse.
Capacitação técnica
A atividade realizada na Unicamp dá continuidade a uma capacitação promovida em novembro de 2025, quando especialistas dos cinco países identificaram desafios comuns relacionados à capacidade de análise toxicológica de novas substâncias.
Nesta edição, as atividades teóricas e práticas se concentraram no uso da cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas sequencial (LC-MS/MS). A técnica permite separar os componentes de uma amostra e identificar compostos a partir de suas características moleculares, aumentando a precisão das análises, inclusive diante de substâncias ainda pouco conhecidas.
O aprimoramento dessa capacidade técnica tem impacto direto nos sistemas de alerta rápido. A expectativa é ampliar a detecção de NSP e drogas sintéticas, fortalecer o compartilhamento de informações técnicas entre os países participantes e aumentar as notificações aos respectivos sistemas nacionais a partir de achados da toxicologia forense.
A iniciativa também contribui para aproximar protocolos e metodologias utilizados pelos países do Cone Sul, facilitando a comparação de dados toxicológicos e o intercâmbio de informações sobre substâncias emergentes.
O curso integra o projeto Synthcoop, do UNODC Brasil, apoiado pelo Escritório de Assuntos Internacionais sobre Narcóticos e Aplicação da Lei (INL), do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Clique aqui para mais informações sobre o SAR: Sistema de Alerta Rápido sobre Drogas (SAR). https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-protecao/politicas-sobre-drogas/obid/sistema-de-alerta-rapido-sobre-drogas-sar?