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Operação Maravalha intensifica combate à exploração ilegal de madeira no sul do Amazonas
Operação Maravalha do Ibama combate exploração ilegal de madeira no sul do AM - Foto: Fiscalização/Ibama
Manaus/AM (28/04/2026) – O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou no sul do Amazonas, a Operação Maravalha, com foco no combate à exploração, ao beneficiamento e à comercialização ilegal de madeira. A ação foi realizada em conjunto com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Polícia Militar do Amazonas (PM/AM), a Polícia Federal (PF) e a Força Nacional, durante o mês de abril.
Cerca de 80 agentes públicos atuaram nos municípios de Manicoré, Humaitá, Apuí, Novo Aripuanã e Tapauá, realizando fiscalização em empreendimentos madeireiros e áreas de exploração ilegal de madeira nativa, além de áreas com indícios de desmatamento ilegal. De acordo com o Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras e Utilizadoras de Recursos Ambientais (CTF/APP), esses municípios concentram mais de 110 empreendimentos madeireiros ativos.
A operação ocorreu em uma das regiões mais críticas do país em relação à exploração ilegal de madeira. Dados do Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex), do Imazon, indicam que o Amazonas foi o estado mais impactado por essa prática em 2023. No período entre agosto de 2023 e julho de 2024, cerca de 43% da exploração madeireira no estado ocorreu sem autorização.
A região de Manicoré, especialmente nas proximidades da BR-230, apresenta histórico de intensa pressão sobre áreas protegidas, incluindo Terras Indígenas, como Tenharim, Diahui, Pirahã, Nove de Janeiro e Sepoti, e Unidades de Conservação. Nesses territórios, a exploração ilegal de madeira está frequentemente associada a outras práticas ilícitas, como desmatamento e grilagem de terras públicas, impactando diretamente a biodiversidade e as populações tradicionais.
Outro ponto estratégico da operação se concentrou na região da BR-319, que liga Humaitá a Manaus. A área é monitorada de forma contínua pelo Ibama devido à crescente pressão de desmatamento, relacionada à expectativa de pavimentação da rodovia.
Resultados preliminares
As ações já apresentam resultados relevantes em diferentes frentes de atuação.
Na região da BR-319, foram notificados oito empreendimentos madeireiros, além da identificação de seis áreas com indícios de desmatamento e queimada. As autuações somam R$ 2,6 milhões em multas, com embargo de aproximadamente 817 hectares de áreas desmatadas.
Na área conhecida como km 180, as equipes vistoriaram 15 madeireiras, com notificação de sete empresas que mantinham madeira irregular em pátio. A fiscalização resultou na apreensão de equipamentos utilizados na atividade ilegal, incluindo caminhão, pás carregadeiras, motosserras e maquinário industrial. Também foram apreendidos mais de 240 metros cúbicos de madeira entre toras e material serrado, além da destruição de aproximadamente 1.347 metros cúbicos de madeira de origem ilegal.
Ainda nessa frente, foram aplicadas multas que somam R$ 946 mil, além de três embargos em empreendimentos madeireiros, um termo de suspensão e a demolição de quatro serrarias irregulares.
Fiscalização em áreas protegidas
No eixo de atuação denominado Xapiri Tenharim, o Ibama intensificou a fiscalização em áreas de Terras Indígenas e Unidades de Conservação em um raio de até 150 quilômetros do distrito de Santo Antônio do Matupi.
As equipes realizaram vistorias em ramais associados à grilagem de terras, exploração ilegal de madeira, garimpo, criação irregular de gado e ocupações ilegais nas Terras Indígenas Tenharim e Sepoti, além de áreas no Parque Nacional dos Campos Amazônicos e na Terra Indígena Karitiana.
Durante a operação, foram destruídos dois tratores, uma escavadeira hidráulica, dois caminhões utilizados no suporte ao garimpo, três motocicletas e estruturas associadas à criação ilegal de gado e desmatamento. Também foram lavrados autos de infração por descumprimento de embargo e impedimento da regeneração natural da vegetação.
Sanções e continuidade das ações
Os empreendimentos alvo da fiscalização estão sujeitos à aplicação de sanções administrativas, como multas, suspensão de atividades e embargos, conforme previsto na legislação ambiental.
A Operação Maravalha integra o Plano Nacional Anual de Proteção Ambiental do Ibama, que tem como uma de suas prioridades em 2026 o enfrentamento à degradação florestal causada pela extração ilegal de madeira, especialmente em áreas sensíveis da Amazônia. A atuação do Instituto busca não apenas coibir atividades ilícitas, mas também reduzir impactos ambientais associados, como a fragmentação florestal, a perda de habitat e o avanço do desmatamento.
Histórico de ações
As ações da Operação Maravalha integram uma estratégia contínua do Ibama voltada ao combate aos ilícitos ambientais na Amazônia. Em operações anteriores realizadas no Pará, o Instituto desarticulou esquemas de exploração ilegal de madeira, identificou pátios irregulares e aplicou sanções a empreendimentos que operavam em desacordo com a legislação.
Saiba mais:
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