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Ibama e ICMBio intensificam combate à exploração ilegal de madeira no Pará com a Operação Maravalha
Fiscalização do Ibama identifica irregularidades na origem e no armazenamento de produtos florestais durante a Operação Maravalha - Foto: Fiscalização/Ibama
Belém/PA (26/02/2026) - O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deflagrou, no dia 24 de fevereiro, a Operação Maravalha, com foco na fiscalização da cadeia produtiva da madeira em diversos municípios do estado do Pará. A ação é conduzida pelo Ibama, em articulação com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e integra a estratégia permanente de enfrentamento aos crimes ambientais na Amazônia.
A operação conta com o apoio da Força Nacional de Segurança Pública, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Militar do Pará, mobilizando mais de 150 agentes de fiscalização e segurança pública.
Coordenada pelo Ibama, a Operação Maravalha tem como objetivo combater a degradação ambiental associada à exploração ilegal de madeira, especialmente em áreas sensíveis, como unidades de conservação, terras indígenas, terras públicas não destinadas e propriedades privadas.

- Forças de segurança atuam em operação integrada para coibir a exploração ilegal de madeira em municípios do Pará - Foto: Fiscalização/Ibama
Com base em análises da área de inteligência do Instituto, foram identificados indícios de irregularidades em aproximadamente 100 serrarias, que passaram a ser alvo de fiscalização ao longo da operação. O trabalho prévio permitiu mapear fluxos suspeitos de madeira, inconsistências nos sistemas de controle florestal e possíveis conexões entre áreas de extração ilegal e polos industriais. Estudos técnicos indicam que mais de 30% da madeira explorada na Amazônia pode apresentar indícios de irregularidades, o que evidencia a necessidade de ações estruturadas, integradas e contínuas de controle ambiental.
Entre as áreas que vêm sofrendo maior pressão e que permanecem sob monitoramento constante do Ibama estão territórios indígenas e unidades de conservação federais localizadas na região de influência da operação, como a Terra Indígena Cachoeira Seca, a Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, o Parque Nacional do Jamanxim e as Florestas Nacionais do Jamanxim, do Trairão e de Itaituba I e II, além de outras áreas protegidas e glebas públicas federais.
Durante as ações, foram identificadas práticas ilícitas recorrentes, como a abertura de ramais clandestinos para o escoamento de madeira extraída ilegalmente e o chamado “esquentamento” de produto florestal, prática que consiste na mistura de madeira de origem ilegal com madeira proveniente de planos de manejo autorizados. Após esse processo, a madeira passa a circular com documentação aparentemente regular, sendo comercializada principalmente para as regiões Sul, Sudeste e Nordeste do país, com pequena parcela destinada à exportação.
As fiscalizações concentram-se em indústrias madeireiras, pátios de estocagem e no transporte de produtos florestais, abrangendo toda a cadeia produtiva, desde o recebimento da madeira em tora até a destinação dos resíduos industriais.

- Operação combate a abertura de ramais clandestinos usados para o escoamento de madeira extraída ilegalmente - Foto: Fiscalização/Ibama
Durante a operação, o Ibama poderá adotar medidas administrativas como embargo de atividades irregulares, apreensão de madeira, veículos e equipamentos, além da lavratura de autos de infração. As informações coletadas também subsidiam a responsabilização administrativa e criminal dos envolvidos, em articulação com os órgãos de segurança pública.
Além dos danos ambientais, essas práticas geram impactos sociais e econômicos relevantes, prejudicam comunidades locais e promovem concorrência desleal em relação a empreendimentos que atuam de forma regular, com planos de manejo florestal sustentável devidamente aprovados.
O Exército Brasileiro, por meio do 53º Batalhão de Infantaria de Selva, em Itaituba (PA), recebeu a doação de 90 metros cúbicos de madeira serrada da espécie cupiúba. Na região de Anapu, parte da madeira apreendida em uma empresa clandestina foi subtraída durante a noite, fato que evidencia os desafios logísticos e operacionais envolvidos na guarda e destinação desse tipo de bem apreendido.
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