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Brigadistas mulheres cultivam 3 mil mudas no lavrado de Roraima
Sementes coletadas para o plantio de mais de 3 mil mudas nativas para a restauração ambiental no âmbito do Programa Águas do Fogo - Foto: Divulgação/Prevfogo/Ibama
Boa Vista/RR (28/04/2026) – O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por meio da Unidade Técnica do Lavrado/Supes-RR, realizou, entre março e abril, ação conjunta de restauração ambiental em áreas impactadas por incêndios florestais na Terra Indígena Jabuti, em Roraima.
As atividades ocorreram no contexto do Mês das Mulheres e estão alinhadas ao Plano de Equidade de Gênero no Manejo Integrado do Fogo, lançado pelo Prevfogo em março de 2026. A ação fortaleceu a atuação feminina indígena nas estratégias de prevenção, manejo do fogo e restauração ambiental, além de integrar a preparação para a próxima temporada de incêndios, prevista para novembro.

- Viveiro florestal construído por brigadistas indígenas do Prevfogo em Roraima integra ações de prevenção a incêndios e restauração ambiental coordenadas pelo Ibama
A iniciativa reuniu onze brigadistas de cinco brigadas indígenas da região, na base da brigada temporária feminina de Keren Po’, do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo). No local, foi construído um viveiro florestal voltado à produção de mudas nativas para ações do Programa Águas do Fogo.
As brigadistas prepararam substratos, trataram o solo, realizaram o plantio e organizaram as mudas, além de coletarem sementes de espécies com ocorrência no território do lavrado, como buriti (Mauritia flexuosa), mirixi (Byrsonima chrysophylla), murici (Byrsonima crassifolia), caimbé (Curatella americana) e paricarana (Bowdichia virgilioides).
A produção contemplou 17 espécies nativas de Roraima, priorizando aquelas com funções ecológicas estratégicas para a restauração de áreas degradadas e a proteção dos recursos hídricos. Houve destaque para espécies como buriti, murici, jenipapo, copaíba e paricarana, amplamente utilizadas na recuperação de nascentes, na estabilização do solo e na recomposição da vegetação típica do lavrado roraimense.
Segundo Jaquim Parimé, chefe da Unidade Técnica do Lavrado, a proposta é integrar ações antes, durante e após os incêndios. “Não é só combater o fogo. É cuidar da água, do solo e da vida no território. Quando recuperamos uma nascente, também estamos prevenindo incêndios e garantindo futuro para as comunidades”, afirma.
Do fogo à água: estratégia integrada
O Programa Águas do Fogo, ainda em fase de concepção, surge como resposta estruturante à recorrência dos incêndios no lavrado roraimense. A iniciativa articula prevenção, restauração ecológica e proteção dos recursos hídricos, reconhecendo que a degradação causada pelo fogo compromete diretamente nascentes, igarapés e áreas úmidas, essenciais para o equilíbrio ambiental e para as comunidades indígenas.
As mudas produzidas serão destinadas, inicialmente, a projetos-piloto de recuperação de nascentes e implantação de barraginhas na Terra Indígena Serra da Moça, em Boa Vista (RR). As ações visam recompor a vegetação protetora dessas áreas, favorecer a infiltração da água, reduzir processos erosivos e contribuir para a recarga hídrica.
Ao final, o viveiro recebeu o nome escolhido pelas brigadistas: Wyn Na’ik Tikez, expressão em língua Wapichana que significa “água e fogo”, simbolizando a integração entre elementos centrais para o equilíbrio ambiental do lavrado e para as estratégias do Programa Águas do Fogo.
O nome da brigada anfitriã, Keren Po’, também carrega significado territorial e cultural, associado ao lavrado e à mobilização coletiva, reforçando o compromisso com o manejo integrado do fogo em Roraima.
A brigadista Raylany Nascimento, da brigada Araçá, ressalta a importância da equidade de gênero no âmbito do Manejo Integrado do Fogo. “Uma imensa gratidão por estarmos aqui participando juntamente com eles (homens) e mostrando que somos capazes.”
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