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LideraGOV chega à sua 6ª edição com diversidade e novos olhares sobre a liderança pública
Esta matéria aborda ações realizadas pelo MGI durante o defeso eleitoral, com publicação após o término desse período - A sexta edição do Programa LideraGOV, iniciativa do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), iniciou uma nova jornada de desenvolvimento de lideranças públicas de alto impacto para 50 servidores públicos. A edição teve início em 19 de agosto, com a cerimônia de abertura realizada pela Enap, em formato híbrido, na Sala Roseli Faria, em Brasília. O encontro reuniu participantes da nova turma, autoridades, egressos, tutores e convidados e contou com aula magna sobre ancestralidade e liderança pública.
A turma reúne participantes de 12 unidades da Federação, lotados em 43 órgãos distintos. A edição mantém a política de paridade de gênero e a reserva de 60% das vagas para políticas afirmativas destinadas a pessoas negras, quilombolas, indígenas, pessoas trans e pessoas com deficiência. As mulheres representam 52% dos participantes, enquanto pessoas negras correspondem a 74% da turma e pessoas com deficiência, a 14%.
Para o secretário-adjunto de Gestão de Pessoas do MGI, Frederico de Morais Andrade Coutinho, a iniciativa reflete o fortalecimento da parceria entre o Ministério e a Enap na formação de lideranças para o Estado. “Liderança não é algo nato — ela se constrói no dia a dia, de forma colaborativa e em rede. A cada edição, o programa avança ao agregar mais diversidade e representatividade, preparando servidores de todo o país para entregar políticas públicas mais eficientes e alinhadas com as necessidades da nossa sociedade”, afirmou.
A presidente-substituta da Enap, Danyelle Barreto, destacou que a composição da nova turma evidencia o compromisso do programa com a diversidade e a representatividade no serviço público. “Isso fortalece um ambiente de aprendizagem plural, marcado pela troca de experiências, pela valorização de diferentes trajetórias e pela construção coletiva de soluções”, disse.
Representante da Rede LideraGOV, formada por egressos das edições anteriores, Danilo Mendonça compartilhou com a nova turmao impacto do programa em sua própria trajetória profissional. “A minha experiência pessoal é nitidamente dividida entre antes e depois do programa. É um processo de aperfeiçoamento que mexe com a gente além do que imaginamos. Hoje ocupo a chefia de gabinete de uma Secretaria Nacional e sei que isso é reflexo direto do acúmulo e da vivência que o programa proporciona”, contou.
Segundo Danilo, o programa também consolidou uma rede de profissionais que permanece conectada após a formação. “Os resultados do LideraGOV falam por si sós e consolidam uma verdadeira política de Estado no serviço público. Quem passa por esse processo ingressa em uma rede de egressos extremamente qualificada na Esplanada, fruto de uma trajetória que exige dedicação, mas entrega um saldo infinitamente positivo”, acrescentou.
Novas perspectivas para a liderança pública
Entre os participantes da sexta edição está Thiago de Souza Alves, analista do seguro social do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), atualmente em exercício no MGI. Servidor público federal desde 2014 e estatístico de formação, ele espera que a formação contribua para ampliar sua capacidade de atuação diante dos processos de transformação digital e inovação no governo.
“Na atualidade, nesse movimento que o governo federal tem de transformação digital e inovação, acredito que o curso vai potencializar a minha visão em relação a tudo que posso oferecer como servidor público para o desenvolvimento das atividades e para a entrega à sociedade, principalmente na questão da inovação, da governança e da gestão de dados”, afirmou.
A analista em Ciência e Tecnologia e chefe do Serviço de Capacitação e Competências do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Thais Scherrer, também chega ao programa com uma relação direta entre sua atuação profissional e os desafios da formação de lideranças. Ela conta que chegou a considerar a inscrição em edições anteriores, mas acabou desistindo por estar assumindo uma nova função.
Atualmente responsável pela capacitação de servidores, Thais aponta a liderança como um dos principais desafios da área, tanto na preparação contínua de gestores quanto no planejamento sucessório. “O LideraGOV me mobiliza em frentes complementares: seja para a minha capacitação e desenvolvimento pessoal, seja para o planejamento e aprimoramento das ações formativas dos líderes da minha instituição, como também na preparação para novos líderes”, explicou.
Com 20 anos de atuação como analista em Reforma e Desenvolvimento Agrário no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), na Superintendência Regional de Goiás, Henrique Esteves Amorim vê a entrada no programa como uma oportunidade de renovar seu compromisso com a gestão pública.
Para ele, a formação representa uma oportunidade de ampliar redes de cooperação, incorporar novas metodologias ao trabalho e aprimorar competências para a entrega de políticas públicas. “O aprendizado é contínuo e a vontade de impactar vidas segue mais viva do que nunca”, afirmou.
Cosmovisões, ancestralidade e liderança
A programação de abertura contou ainda com a aula magna “Cosmovisões e Ancestralidade: Ensinamentos dos Povos Tradicionais para a Liderança Pública”, com participação da indígena do povo Baré, do Amazonas, Putira Sacuena, e da quilombola da Comunidade Alcântara, no Maranhão, Mônica Borges. A atividade foi mediada por Iara Alves, diretora de Educação Executiva da Enap.
Ao apresentar a atividade, Iara destacou que a diversidade nos espaços de formação contribui para ampliar as perspectivas presentes na formulação e implementação de políticas públicas. Segundo ela, gênero, raça, etnia e região de origem influenciam as experiências de vida e, consequentemente, os diferentes olhares sobre a realidade.
“Hoje, a gente ter aqui pessoas de 12 unidades da Federação é importante porque temos diferentes perspectivas, e isso enriquece muito não só as discussões dentro do curso, mas, principalmente, depois, a composição das lideranças no nosso governo. Não temos como tomar decisões que vão decidir vidas do nosso povo brasileiro se somos um grupo homogêneo”, afirmou.
Para Putira Sacuena, indígena do povo Baré, biomédica e doutora em Bioantropologia com ênfase em Genética Forense, e atualmente secretária-adjunta de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, a liderança pública precisa reconhecer a pluralidade de conhecimentos existentes no país.
“A gente tem uma visão, enquanto sociedade, de que existe uma única ciência e esquece as outras. A ancestralidade e a diversidade do Brasil precisam estar refletidas no serviço público”, destacou.
Putira também ressaltou a responsabilidade das lideranças na construção de políticas públicas capazes de considerar as diferentes realidades brasileiras. “A liderança pública precisa transformar a gestão a partir das realidades do nosso país, garantindo equidade e proteção para o futuro”, acrescentou.
Quilombola da Comunidade Alcântara, no Maranhão, a advogada Mônica Borges também enfatizou a importância de reconhecer os conhecimentos produzidos a partir das experiências e trajetórias dos diferentes grupos sociais. Para ela, a formação de lideranças deve contribuir para que essas perspectivas ocupem espaços de produção e decisão.
“É muito importante que a gente entenda que hoje estamos quebrando uma chave: deixar de ser objeto de pesquisa e passar a ser um produtor de conhecimento. A experiência é conhecimento, e a voz é poder”, afirmou.
Mônica, que até julho deste ano ocupou o cargo de diretora de Regularização Fundiária Quilombola do Incra e atualmente realiza o curso de formação para o cargo de Analista Técnico de Desenvolvimento Socioeconômico (ATDS), após aprovação no CPNU 2, também chamou atenção para a responsabilidade associada ao exercício de funções públicas.
“Liderar não é apenas ocupar um espaço. Liderar é saber o que fazer com o espaço que você ocupa”, afirmou.
Ao abordar o papel dos servidores na implementação das políticas públicas, Mônica ressaltou que a relevância do trabalho no Estado não deve ser medida apenas pela posição hierárquica ocupada. “Não é porque você tem uma função menor, ou porque existem hierarquicamente pessoas com funções superiores às de vocês, que o trabalho que você faz não é importante. Sobretudo quando a gente está falando de política pública finalística: tudo o que fazemos dentro da administração pública, em alguma medida, vai refletir na vida daquele beneficiário”, concluiu.
Sobre o LideraGOV
O LideraGOV de Desenvolvimento de Líderes é uma iniciativa voltada à identificação, ao desenvolvimento e ao acompanhamento de servidores com potencial de liderança na administração pública federal direta, autárquica e fundacional.
A sexta edição do LideraGOV dá continuidade a uma trajetória iniciada em 2020. Nas cinco primeiras edições, o programa formou 288 lideranças da Administração Pública Federal. A iniciativa foi institucionalizada como política de Estado em 2024, com a publicação da Portaria Conjunta MGI/Enap nº 59, e recebeu, no mesmo ano, o Prêmio Espírito Público, na categoria Gestão de Pessoas.