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Museu Nacional dos Povos Indígenas avança em gestão, representatividade, ampliação de acervos e projetos de restauração
O Museu Nacional dos Povos Indígenas (MNPI), órgão científico-cultural da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), passou por uma ampla reestruturação institucional nos últimos anos, que fortaleceu a participação indígena na gestão e avançou em parcerias estratégicas.
O Museu também executou uma série de ações e eventos culturais, além de garantir um maior processamento e a digitalização de seus acervos. Atualmente o MNPI opera a partir de sua sede no bairro do Botafogo, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), e coordena a gestão do Centro Audiovisual (CAUD), em Goiânia (GO), e do Centro Cultural Ikuiapá, em Cuiabá (MT).
A Diretora do MNPI, Juliana Tupinambá, enfatiza o compromisso atual com o protagonismo dos povos indígenas na atuação e gestão do órgão. “É fundamental que o Museu seja instrumento para desconstruir a ideia do indígena como pertencente apenas ao passado, e reafirmar nossa presença, saberes e lutas no presente. Queremos um museu vivo, pulsante, com a presença ativa dos povos indígenas, de modo a refletir nossa diversidade e movimento contínuo”, assegura.
Avanços na gestão indígena
O cenário atual do MNPI é marcado por mais representatividade indígena na gestão. A nova postura se reflete na mudança, em 2025, da antiga denominação “Museu do Índio” para Museu Nacional dos Povos Indígenas, processo que foi acompanhado por uma reestruturação regimental, com a criação de novos Serviços e Coordenações. Além disso, o órgão deu continuidade à gestão indígena, com a posse da diretora Juliana Tupinambá e com indígenas na liderança dos processos decisórios.
Também foi consolidado o primeiro Plano Museológico da história da instituição, elaborado em conjunto com um Comitê Indígena, composto por profissionais indígenas atuantes no campo da memória e do patrimônio, com representação de povos de todos os biomas brasileiros.
Em relação aos acervos, os relatórios de gestão registram aumento significativo na organização, documentação e disponibilização do patrimônio salvaguardado. Entre 2024 e 2025, o processamento técnico de bens culturais saltou de 23 mil para mais de 217 mil, enquanto os registros documentados e acessíveis no repositório digital cresceram de 13 mil para mais de 210 mil. Consequentemente, houve a expansão da representatividade dos povos indígenas, com mais de 216 etnias referenciadas nos acervos.
Em 2024, o MNPI recebeu uma valiosa coleção de artefatos indígenas que foram repatriados do Museu de História Natural de Lille, na França. O conjunto de aproximadamente 600 peças, que representam a herança cultural de mais de 40 povos indígenas brasileiros, já foi submetido a rigorosos protocolos técnicos de conservação e biossegurança. O Museu prioriza agora o diálogo direto com os povos detentores da autoria desses bens culturais, para definir os protocolos de acesso e difusão desse patrimônio.
No âmbito da capacitação, entre 2024 e 2025, foram formadas 366 pessoas indígenas nas áreas de gestão, pesquisa, documentação e difusão do patrimônio histórico. A formação técnica foi garantida por meio de seis oficinas de qualificação de acervos com protagonismo indígena.
O Museu também consolidou resultados que fortalecem a cultura indígena por meio de uma intensa agenda, com 16 eventos artísticos, culturais e científicos realizados no período de 2024 e 2025. A instituição expandiu sua presença com 13 produtos audiovisuais produzidos, nove publicações editoriais lançadas e duas exposições presenciais e virtuais disponibilizadas à sociedade. O fomento ao saber científico também avançou com o desenvolvimento de dez projetos de pesquisa e documentação.
No mesmo período, o MNPI também apoiou ações com foco na participação indígena e no fortalecimento das políticas culturais: sete projetos voltados a espaços de cultura, memória e transmissão de conhecimentos e 53 projetos comunitários de preservação e valorização de saberes, culturas, línguas e memórias.
Com foco nas parcerias estratégicas, o MNPI tem buscado construir acordos de cooperação e articulação com instituições, como o Iphan, o Museu da Pessoa, a Fundação Biblioteca Nacional, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e o Instituto Pedra. Em paralelo a essas colaborações, também foi iniciada campanha para criação da Associação de Amigos do MNPI, a fim de ampliar a capacidade de articulação institucional e de captação de recursos para ações diversas do Museu.
Entre as prioridades da atual gestão estão a promoção da participação ativa dos povos indígenas na construção de políticas culturais e o fortalecimento de museus existentes nos territórios, com o intuito de intensificar o diálogo direto com as comunidades. A direção também concentra seus esforços na reabertura dos espaços físicos do MNPI, iniciativa essencial para que a instituição continue a se consolidar como um polo educativo e de valorização das culturas indígenas.
Desafio estrutural
O MNPI enfrenta desafios, entre eles a restauração para reabertura total ao público de sua sede histórica na capital carioca. O projeto já foi elaborado e aprovado pelos órgãos competentes, e agora aguarda viabilização orçamentária.
A estrutura, construída em 1880, é tombada como patrimônio federal e municipal, e necessita de reforma para reabertura ao público e pleno exercício de suas atividades presenciais.
O processo de reforma de uma edificação do século XIX e de adaptação de sua estrutura original a sistemas modernos de segurança e acessibilidade exige soluções de engenharia e restauração bastante cuidadosas. Dessa forma, cada uma das etapas, dos estudos preliminares à execução da obra, precisa respeitar a integridade histórica do edifício, garantir segurança, desempenho e durabilidade, e atender às exigências legais de preservação.
Apesar dessa complexidade técnica, o MNPI já cumpriu a etapa de elaboração do projeto executivo de reforma. O plano detalhado abrange desde restauração estrutural e drenagem até sistemas de climatização e prevenção contra incêndios. Além disso, a proposta já obteve as aprovações necessárias do Iphan, do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) e do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.
No entanto, o obstáculo para o início das obras é a viabilização orçamentária, já que o custo total estimado da reforma é mais de 500% superior ao orçamento anual discricionário destinado ao Museu. Sem recursos próprios suficientes para viabilizar a continuidade do projeto, a instituição agora concentra esforços na busca por fontes externas de financiamento.
Mesmo com desafios, o trabalho continua, já que o Museu atua dentro e fora de suas sedes físicas, na promoção da salvaguarda, formação, produção de conhecimento e fortalecimento dos povos indígenas em seus territórios. Enquanto busca recursos para a obra completa, a instituição reabriu os jardins ao público em 2024, após autorização do Corpo de Bombeiros.
O Museu também mantém seus acervos protegidos em reservas técnicas climatizadas para garantir a integridade do patrimônio. Além disso, a equipe técnica e científica desenvolve projetos culturais e de pesquisa de forma ininterrupta.
MNPI
O MNPI é uma instituição pública dedicada à preservação, pesquisa e valorização das culturas indígenas no Brasil. O Museu atua na preservação dos acervos museológicos, arquivísticos e bibliográficos sob sua guarda. Além disso, executa ações de pesquisa, difusão, educação e programação cultural.
Para conhecer o trabalho realizado pelo Museu e acompanhar suas ações, o público pode acessar o site Museu Nacional dos Povos Indígenas e o perfil na rede social Instagram @mnpi_funai.
Coordenação de Comunicação Social/Funai.