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Morre professor da USP Leopoldo Magno Coutinho
A Capes informa com pesar o falecimento ocorrido na noite desta quinta-feira, 18, de Leopoldo Magno Coutinho. Especialista em biologia vegetal, Leopoldo foi professor por 49 anos na Universidade de São Paulo (USP), onde ministrou aulas no Instituto de Biociências e coordenou pesquisas sobre o Cerrado.
Trajetória
Ingressante na turma de 1953 do curso de História Natural e professor do IB até o ano de 2002, Coutinho dedicou-se por quase cinco décadas à USP e ao ensino da biologia vegetal. Suas pesquisas e trabalhos passam por diversos campos, mas suas principais obras estão relacionadas às queimadas e ao seu papel no ambiente do Cerrado.
Natural de Franca, no interior do estado de São Paulo, Leopoldo Magno Coutinho terminou o ensino científico no ano de 1952. No ano seguinte, ainda no primeiro semestre da graduação, teve a oportunidade de estagiar no Instituto Butantan, no Laboratório de Microscopia Eletrônica, o que mais tarde lhe renderia excelentes resultados.
Após meio ano de atividades no Instituto Butantan, Coutinho decidiu deixar o estágio, pois as tarefas desenvolvidas estavam relacionadas a animais peçonhentos, principalmente cobras, e seu interesse sempre se deu acerca da biologia vegetal. Logo uma nova oportunidade surgiu e o professor Leopoldo foi convidado a estagiar no Departamento de Botânica. Em sua nova casa, usou das experiências adquiridas anteriormente e realizou um trabalho de microscopia eletrônica em plantas, o primeiro do tipo no Brasil.
Seu empenho e esmero não tardaram a ser reconhecidos: no segundo ano da graduação Leopoldo foi convidado pelo professor Mário Guimarães Ferri, catedrático do Departamento, para trabalhar como auxiliar no Laboratório de Botânica.
Os primeiros trabalhos relacionados ao cerrado aconteceram após o término da graduação, quando Leopoldo tornou-se assistente no Departamento e passou a auxiliar o professor Ferri. Neste período desenvolveu seu doutorado, tese que abordava o balanço da água nas plantas da mata pluvial tropical de Paranapiacaba, defendida em 1960. Um mês após a defesa, embarcou para a Alemanha, onde morou durante um ano, enquanto cursou pós-doutorado na Universidade de Stuttgart.
De volta ao Brasil, o professor Leopoldo realizou uma série de pesquisas em parceria com o professor Ferri e alunos de pós-graduação, sempre tendo o cerrado como temática principal. Assim seguiu até o ano 1976, quando defendeu sua livre-docência em uma dissertação sobre os efeitos das queimadas na floração das espécies do Cerrado.
Entre inúmeros trabalhos e pesquisas, Coutinho assumiu, em 1984, o cargo de professor titular do Departamento de Ecologia, onde permaneceu até o ano de 2002. Mesmo após sua aposentadoria continuou colaborando com o IB, ministrando disciplinas de pós-graduação e cursos de difusão cultural.
(Com informações da USP )