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Ex-bolsista é premiada pesquisadora destaque de Mato Grosso do Sul
A ex-bolsista do programa Programa Nacional de Cooperação Acadêmica - Ação Novas Fronteiras (Procad-NF) Lisandra Pereira Lamoso recebeu, no início de novembro, o I Prêmio Fundect Pesquisador Sul-Mato-Grossense da área das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas.
O I Prêmio Fundect Pesquisador Sul-Mato-Grossense reconhece e valoriza os pesquisadores das áreas científicas e tecnológicas que contribuem significativamente para o desenvolvimento do Estado. Foram premiados seis pesquisadores de áreas distintas, sendo um deles jovem pesquisador. De acordo com a Fundação, as premiações do Prêmio Fundect 2015 somam mais de R$ 100 mil e visam valorizar as ações de ciência, tecnologia e inovação. Conheça os outros premiados .
A premiação oferecida pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect) se refere aos trabalhos de Lisandra como pesquisadora do Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) especialmente pelos resultados obtidos com a pesquisa no âmbito do Procad-NF.
Procad-NF
O Procad-NF foi implantado em 2009, abrangendo todos os docentes da pós-graduação em Geografia da UFGD e a equipe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O programa proporcionou bolsas de mestrado sanduíche e, principalmente, para realização de estágio de pós-doutorado dos docentes da UFGD na UFRJ. “Essa oportunidade de bolsa por seis meses permitiu o estágio de quatro docentes e a melhoria da qualificação do corpo docente, que posteriormente resultou em uma avaliação positiva do programa, que obteve nota 4 e teve seu Doutorado em Geografia aprovado, o primeiro do Mato Grosso do Sul e único até o presente ano”, ressalta Lisandra.
O estágio permitiu a pesquisadora da UFGD a abrir uma agenda de pesquisa voltada para o processo de industrialização brasileiro e sul-matogrossense, as implicações de uma inserção internacional baseada na exportação de commodities, como é o caso do Estado. “Estar no Rio de Janeiro permitiu frequentar debates no BNDES, no Instituto de Economia da UFRJ e atualizar a bibliografia para as pesquisas em Geografia Econômica, que é minha especialização. Desse estágio, resultou um projeto de pesquisa que foi aprovado para Bolsa de Produtividade em Pesquisa II do CNPq: ‘Comércio exterior, empresas e interações espaciais’”, relembra.
Especificamente sobre a pesquisa sobre fronteiras, o PROCAD NF também resultou na participação de pesquisadores da UFGD na "Pesquisa sobre segurança Pública nas fronteiras brasileiras", financiado pelo Ministério da Justiça através da Secretaria da Segurança Nacional. Acesse.
“Minha avaliação é que esse tipo de intercâmbio, entre um programa consolidado e um no início de sua construção – o programa da UFGD tinha três anos na época – potencializa a formação de recursos humanos e gera expertise de forma mais rápida”, define Lisandra.
Horizontalidade e vivência
O Procad Novas Fronteiras foi uma iniciativa com um perfil de incentivo a desconcentração regional da pós-graduação. “Entendo a proposta do Procad NF como um complemento à política de interiorização e expansão da pós-graduação no Brasil realizada nos últimos anos. A pesquisa ocorre nas universidades menores, muitas no interior do país, mas sua capacidade de captação de recursos nos órgãos de fomento e de absorção de bolsas de estudo é pequena, pelas condições concretas nas quais se realiza.”
Dessa forma, Lisandra acredita que os resultados desse tipo de iniciativa podem muitas vezes não serem facilmente percebíveis, apesar de trazerem conhecimentos fundamentais para o desenvolvimento da ciência. “O Procad NF foi uma estratégia seguindo a regra de editais públicos, com critérios, acompanhamento e prestação de contas, que possibilitou avanços que não são tangíveis ou dificilmente mensuráveis, para além da capacitação/atualização dos pesquisadores. Um projeto com as características do Procad possibilita o compartilhamento de experiências e procedimentos de pesquisa, não apenas de resultados, pois estes podem ser acessados via publicações. Possibilita a vivência em ambiente com condições materiais e culturais diferenciados”, afirma.
Essa vivência é fundamental para a pesquisa, acredita a docente. “Para nós da Geografia, e isso pode ser estendido a outras áreas, é importante conhecer o Brasil. É um país muito grande em extensão e complexo em sua formação socioespacial. A visão de conjunto só poderá ser construída se nos conhecermos e isso tem custos que programas como o Procad ajudam subsidiar”.
A pesquisadora também ressalta a horizontalidade no processo específico de cooperação promovido pelo programa. “Não vejo como uma cooperação na qual o programa com mais nota auxilia o com menor nota, como às vezes o Edital faz supor, mas sim uma troca. Vou citar um exemplo, particular, no caso do Procad entre a Geografia da UFRJ e da UFGD que coordenei. Em um mesmo dia, os colegas pesquisadores, docentes e discente da UFRJ, participaram de um trabalho de campo na Reserva Indígena de Dourados e também de uma palestra com representante do agronegócio regional, durante um evento numa feira agropecuária no parque de exposições. O que o pesquisador pode extrair disso é algo por demais complexo para ser quantificado nos relatórios e pelo sistema de avaliação, principalmente para a geografia, que é produzida com trabalhos de campo, entrevistas e observações.”
Sendo assim, Lisandra acredita que as parcerias estabelecidas pelo programa ainda devem gerar bons frutos no futuro. ”Analisar apenas a produção bibliográfica ou as atualizações no lattes é reduzir a importância do Procad NF, pois os ganhos intangíveis não se materializam no curto prazo, eles contribuem para a formação do pesquisador e para o avanço da ciência brasileira”, conclui.
Bolsa de pós-doutorado
Atualmente, Lisandra está na Espanha, onde atua como bolsista Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para pós-doutorado na Universidad Autónoma de Madri. “O plano de trabalho em vigor é uma continuidade da pesquisa iniciada no âmbito do Procad NF, em 2009, sobre a industrialização brasileira. Naquele momento, iniciei as pesquisas sobre industrialização do Mato Grosso do Sul, estado caracterizado pelo agronegócio, mas que também aumentava a participação do emprego industrial, de suas unidades industriais e suas exportações de semi-manufaturados. A Fundect financiou os projetos sobre o mapeamento da indústria no estado e também o início da discussão sobre a desinsdustrialização nacional e o que poderia ser um projeto ‘neodesenvolvimentista’” .
No pós-doc em Madri, o título do projeto é: Características do comércio exterior brasileiro frente aos desafios da Globalização. “Para o senso comum, Globalização seria um termo muito datado dos anos 90, que perdeu seu apelo explicativo, mas entendemos o contrário. O que nos mobiliza é compreender o aumento das exportações de produtos primários pelo Brasil como resultado dos ganhos de produtividade que derivam da modernização do capital fixo empregado, combinação de economias de escala e escopo, disponibilidade de recursos naturais utilizados de forma intensiva e avanços no suporte de serviços que dão apoio aos fluxos materiais e imateriais”, explica.
A pesquisadora destaca o apoio das agências de fomento em sua carreira. “Toda minha vida acadêmica foi custeada pelos programas com recursos públicos, desde o início, com a Iniciação Científica na Unesp de Presidente Prudente, em 1987, passando pelas bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado. É um reconhecimento que faço para marcar a importância do financiamento público e que as políticas e suas dotações orçamentárias continuem, para o fortalecimento do sistema de C&T, Ensino, Extensão, para a entrada e permanência de novos pesquisadores”, reforça a pesquisadora.
Novas Fronteiras
O Procad-NF foi uma chamada específica Programa Nacional de Cooperação Acadêmica realizada em 2009 para estimular projetos conjuntos de ensino e pesquisa em instituições distintas, que estimulam a formação pós-graduada, a mobilidade docente e discente e a fixação de pesquisadores doutores nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
O programa apoiou equipes formadas por professores e estudantes vinculados a programas de pós-graduação recomendados pela Capes, constituídas de, pelo menos, três docentes/pesquisadores doutores. Entre os itens financiáveis pelo Procad-NF estavam bolsa e auxílio moradia no país; passagens aéreas e diárias para missões de estudos, missões de docência e pesquisa e estágio pós-doutoral; diárias para missões de docência e pesquisa; e recursos de custeio para o desenvolvimento das atividades do projeto até o máximo anual de R$ 10 mil para cada equipe integrante do projeto.
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(Pedro Arcanjo)