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BALANÇO
Carnaval 2026 nas rodovias federais concedidas: 54 vidas interrompidas e um alerta que não pode ser ignorado
Foto: Divulgação / Comunicação ANTT
Durante o período do feriado prolongado de Carnaval 2026, entre os dias 13/2 e 18/2, as rodovias sob regulação da Agência Nacional de Transportes Terrestres registraram aumento expressivo no número de mortes em comparação ao mesmo feriado de 2025. O volume de tráfego pedagiado cresceu 0,7%, passando de 15.088.187 para 15.656.531 veículos. O número de acidentes também apresentou leve alta, na ordem de 0,4%, saindo de 1.247 para 1.280 ocorrências. Ainda assim, a variação mais preocupante foi a de óbitos: de 27 no Carnaval de 2025 para 43 em 2026, aumento de 61,5% nas concessões comparáveis. Considerando todas as rodovias concedidas atualmente sob gestão da ANTT, o total chegou a 54 mortes neste feriado.
A análise comparativa desconsidera concessionárias recentes, como Elovias, EPR Iguaçu, Motiva PRVias, Nova364, Nova381, Rota Verde Goiás, Via Cristais e Way262, por não haver base equivalente no período anterior. Dessa vez, a colisão lateral no mesmo sentido foi o tipo de ocorrência que mais resultou em mortes no período. Um dado que revela, na prática, comportamentos como mudanças bruscas de faixa, excesso de velocidade e desatenção, atitudes que, muitas vezes, parecem pequenas, mas têm consequências irreversíveis. São acidentes que poderiam ter sido evitados.
Onde os números mais doeram
A concessão da Autopista Fernão Dias registrou o maior número de óbitos (7), seguida por Ecovias Rio Minas, Autopista Litoral Sul e Transbrasiliana, com 6 mortes cada. Na Transbrasiliana, um único acidente concentrou as seis vítimas fatais: no dia 16/02/2026, no km 266 da BR-153/SP, em Vera Cruz (SP), um ônibus tombou no sentido sul. Além das mortes, 33 pessoas ficaram feridas e foram atendidas por equipes da concessionária, do SAMU de Marília, do Corpo de Bombeiros (COBOM) e da Polícia Rodoviária Federal.
Um episódio que evidencia como uma única decisão, em segundos, pode impactar dezenas de famílias.
Atendimento caiu, mas não o suficiente
Apesar do aumento das mortes, os atendimentos mecânicos caíram 15,8% (de 17.128 para 14.854) e os atendimentos médicos reduziram 4,9% em relação a 2025. Isso indica que a estrutura operacional das concessões manteve desempenho estável, mas reforça que a gravidade dos sinistros cresceu.
"A conduta dos motoristas é fundamental para prevenir acidentes e mortes. Muitos casos poderiam ser evitados”, destacou o diretor da ANTT, Lucas Asfor, acrescentando que “infraestrutura, fiscalização e comportamento caminham juntos e formam o tripé da segurança viária".
Além disso, nos últimos anos a ANTT vem ampliando investimentos e exigências contratuais nas rodovias concedidas. Já são mais de 8 mil quilômetros de melhorias realizadas, 1.224 pontes implantadas, 634 passarelas construídas, 272 bases operacionais entregues e 35 pontos de pesagem veicular em funcionamento.
A Agência também fortaleceu a fiscalização técnica, com novo Manual de Fiscalização das Rodovias Concedidas, padronização nacional de procedimentos e execução do Plano Anual de Fiscalização, garantindo atuação permanente e orientada por dados.
Outra iniciativa estratégica e importante é que, por meio de acordos com entidades como a Associação Brasileira de Segurança Viária e operações conjuntas com a PRF, a ANTT promove ações educativas e projetos estruturados. Os contratos de concessão destinam recursos específicos para pesquisa e desenvolvimento (RDT) e para ações de segurança no trânsito, incentivando inovação e conscientização.
A campanha que enfrenta a "coragem" do motorista
Em fevereiro, a ANTT lançou a campanha nacional de segurança viária “Sua segurança é a nossa rota”, com foco comportamental e abordagem inédita no enfrentamento do excesso de confiança ao volante.
A partir de análises do Observatório de Segurança Viária da Agência, foi identificado que grande parte dos acidentes fatais envolve motoristas experientes, em trechos bem sinalizados e com infraestrutura adequada. Ou seja: o desafio vai além da pista, está na decisão humana.
“O comportamento também integra os riscos. Infraestrutura e fiscalização são essenciais, mas a maior prova de habilidade é chegar vivo — e permitir que todos cheguem também”, reforçou o diretor Lucas Asfor, responsável pela pauta de segurança viária na Agência.
Segurança não é estatística. É compromisso com a vida
O Carnaval é tempo de celebração, reencontros e viagens. Por isso, cada número divulgado precisa ser compreendido como um chamado coletivo à responsabilidade.
A ANTT seguirá atuando com rigor regulatório, fiscalização técnica, investimento em infraestrutura e diálogo permanente com a sociedade. Segurança viária não é ação de ocasião. É política pública contínua, baseada em dados, responsabilidade institucional e, sobretudo, respeito à vida.
Porque, no fim, infraestrutura é feita de pessoas, por pessoas e para pessoas. E cada viagem precisa terminar do mesmo jeito que começou: com todos voltando para casa.
Coordenação-Geral de Comunicação - ANTT
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