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ANTT e Ferrovias Russas debatem cooperação técnica para modernizar malha ferroviária brasileira
Fotos: Alberto Rui / Comunicação ANTT
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) recebeu, nesta quarta-feira (5/2), uma delegação de alto nível da Russian Railways (RZD) para discutir uma cooperação técnica estratégica visando o desenvolvimento do setor ferroviário no Brasil. O encontro, realizado na sede da ANTT, em Brasília, foi marcado pelo intercâmbio de experiências entre a diretoria da Agência e Sergey Pavlov, primeiro vice-diretor da gigante estatal russa, considerada uma das três maiores companhias de transporte ferroviário do mundo. O diretor da ANTT, Lucas Asfor, conduziu a reunião estratégica.
O objetivo foi alinhar parcerias que permitam ao Brasil importar a expertise russa em duas frentes principais, que é a tecnologia de monitoramento unificado de cargas e a formação acadêmica especializada de engenheiros e técnicos para o setor.
Em sua fala, o diretor da ANTT, Lucas Asfor, destacou a importância de estreitar laços com nações que possuem ferrovias consolidadas como modal prioritário. Para ele, a iniciativa vai além de uma visita protocolar, servindo como ponto de partida para a formalização de acordos que tragam inovação regulatória e operacional. "A ANTT busca absorver as melhores práticas internacionais para impulsionar os investimentos que estão sendo feitos no setor, visando dar tração aos novos projetos e aprimorar as concessões existentes", disse.
Gigante dos trilhos
Os números apresentados por Sergey Pavlov dimensionam o peso da experiência russa. A RZD transporta anualmente mais de 1,2 bilhão de toneladas de carga e 1,3 bilhão de passageiros. Na Rússia, as ferrovias são responsáveis por 85% de todo o transporte de cargas do país, uma realidade que contrasta com a matriz brasileira, onde o modal oscila entre 15% e 20%.
Pavlov explicou que o diferencial da eficiência russa reside na visão sistêmica. Segundo o executivo, a Rússia entende o transporte como um organismo único. Para isso, desenvolveram um Centro de Monitoramento Integrado que controla não apenas os trens, mas a conexão com os portos e o transporte rodoviário. O sistema garante que a composição ferroviária chegue ao porto exatamente no momento em que o navio está pronto para receber a carga, eliminando gargalos e atrasos. A proposta russa é auxiliar o Brasil a criar um modelo semelhante de controle de tráfego em tempo real, adaptado à realidade nacional.
Educação e Tecnologia
Outro pilar da cooperação discutida foi a capacitação profissional. A Rússia possui nove instituições de ensino superior dedicadas exclusivamente à engenharia e operações ferroviárias, além de universidades corporativas. Pavlov ofereceu o apoio da RZD e dos países do BRICS para a implementação de cursos de especialização e até a estruturação de uma universidade ferroviária no Brasil, argumentando que profissionais qualificados são a chave para o sucesso e segurança da operação.
O gerente de regulação ferroviária da ANTT, Fernando Feitosa, também participou da reunião pontuou que, embora o Brasil opere majoritariamente sob o modelo de concessões privadas, diferentemente do modelo estatal russo, a tecnologia de gestão e a necessidade de integração são universais. "O Brasil possui hoje uma malha de cerca de 30 mil quilômetros e 16 concessões, mas enfrenta o desafio histórico da falta de integração entre as malhas e com outros modais", disse.
Ele enfatizou ainda que conhecer o funcionamento da regulação e do controle de tráfego russo é fundamental para a revisão regulatória que a ANTT vem promovendo. A ideia é aplicar essas tecnologias para aumentar a sinergia entre as concessionárias e melhorar a previsibilidade logística.
Próximos passos
O encontro terminou com a definição de uma agenda de trabalho. Ficaram pré-estabelecidas visitas técnicas de servidores da ANTT à Rússia para conhecer in loco o Centro de Controle e as universidades corporativas, além da formatação de cursos online para a capacitação dos técnicos brasileiros. A troca de informações visa acelerar a modernização do setor, utilizando a tecnologia para transformar o potencial ferroviário brasileiro em eficiência logística real.
Coordenação-Geral de Comunicação - ANTT
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