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SEGURANÇA PÚBLICA
Rio de Janeiro receberá R$ 27,7 milhões em equipamentos para segurança prisional
Evento de entrega com ministro da Justiça e Segurança Pública aconteceu nesta quarta-feira (23). Foto: Tom Costa/MJSP
Rio de Janeiro, 23/9/2026 – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, entregou ao Governo do Rio de Janeiro três kits de varredura e um georradar para ações de inteligência e segurança no sistema prisional fluminense. O evento ocorreu nesta quarta-feira (23), no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ). Os equipamentos fazem parte de um investimento de R$ 27,7 milhões previsto até o fim do ano para unidades prisionais selecionadas e para ações de segurança prisional no estado.
Participaram do evento o governador do Rio de Janeiro, Ricardo Couto de Castro; o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia; o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas; a secretária de Estado de Polícia Penal, Alessandra Odawara; o secretário de Estado de Segurança Pública, Victor Santos; o secretário de Estado de Polícia Militar, coronel Silvio Guerra; e outras autoridades.
A iniciativa integra ações do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), voltadas ao uso de inteligência e tecnologia e aos procedimentos operacionais no sistema prisional.
As tecnologias serão utilizadas prioritariamente nas unidades prisionais selecionadas com base em critérios de inteligência penal e que integram o conjunto de 138 estabelecimentos contemplados, em todo o País, pela estratégia de modernização da segurança prisional.
De acordo com o ministro Wellington Lima, a entrega reúne tecnologia, inteligência, capacitação e operações. “O conjunto desses vetores constitui uma modernização no sistema prisional brasileiro, que está iniciando no Rio de Janeiro e alcançará 138 presídios em todo o Brasil. Com esse investimento, estamos elevando o nível de segurança do sistema prisional carioca de maneira inédita. Outro ponto importante da iniciativa é o caráter integrado, com a participação das esferas municipais, estaduais e federais. Um dos nossos principais objetivos é encerrar qualquer comunicação de presos com pessoas de fora de maneira ilegal”, declarou.
Com a conclusão desta etapa, a Polícia Penal do Rio de Janeiro terá recebido 58 equipamentos. O conjunto representa investimento de aproximadamente R$ 5,25 milhões.
Durante a entrega, André Garcia mencionou a atuação conjunta no combate ao crime organizado.
“Temos apoiado o Rio de Janeiro e os demais estados com equipamentos, inteligência, operações e capacitação para ampliar a capacidade de controle das unidades e enfrentar o crime organizado a partir do sistema prisional. Ações como essas demonstram nosso compromisso com o esforço conjunto.”
Garcia disse que uma estratégia de segurança prisional precisa prevenir, identificar e combater eventuais desvios funcionais. “Estamos empenhados em auxiliar o estado na consolidação de um sistema penitenciário seguro, com controle rigoroso e que não faça parte da cadeia criminosa que alimenta o crime fora dos muros das unidades penais”, afirmou.
Para a secretária Alessandra Odawara, a incorporação de novas tecnologias se soma às ações de fiscalização e de qualificação dos profissionais.
“Sabemos da importância do combate ao crime organizado, inclusive no sistema prisional. Por isso, estamos intensificando nossas ações de repressão, com fiscalizações sistemáticas, bem como capacitando os policiais penais para o fortalecimento dos procedimentos de revista. Os equipamentos tecnológicos, como os entregues pela Senappen, têm sido grandes aliados da Polícia Penal do RJ para o enfraquecimento das organizações criminosas”, ressaltou.
Tecnologia aplicada à segurança prisional
Os equipamentos entregues serão utilizados pela Secretaria de Estado de Polícia Penal do Rio de Janeiro (Seppen-RJ) para inspeção, fiscalização e produção de inteligência. Os recursos permitirão identificar comunicações ilícitas, dispositivos eletrônicos e alterações estruturais que possam representar riscos à segurança, além de apoiar a prevenção da entrada e da circulação de materiais proibidos.
Os kits de varredura são compostos por detectores de junção não linear, capazes de localizar componentes eletrônicos mesmo quando estão desligados ou ocultos, e analisadores de espectro, que identificam sinais de radiofrequência associados ao uso irregular de celulares e outros dispositivos de comunicação.
O georradar permite examinar o solo e estruturas sem a necessidade de escavações ou intervenções físicas, auxiliando na identificação de túneis, galerias, cavidades e outras alterações que possam comprometer a segurança dos estabelecimentos.
Nesta etapa, o estado também recebe dois scanners corporais, que serão utilizados nos procedimentos de inspeção e na identificação de objetos e materiais ocultos.
Até o fim deste ano, o MJSP prevê destinar ao Rio de Janeiro 153 equipamentos e soluções tecnológicas.
Serão 130 itens destinados diretamente às unidades prisionais:
• 13 equipamentos de raios X de 60 x 40 centímetros;
• 13 equipamentos de raios X de 100 x 100 centímetros;
• 13 scanners corporais;
• 39 detectores manuais de metal;
• 13 pórticos detectores de metal;
• 39 viaturas-cela, com e sem proteção balística.
Outros 23 equipamentos e soluções serão destinados à estrutura de inteligência penitenciária, para utilização nas unidades prisionais estratégicas do estado:
• três kits de varredura;
• três drones;
• um georradar;
• três aparelhos portáteis de raios X;
• 13 soluções de áudio e vídeo.
Operação Mute no Rio de Janeiro
Desde maio, a Senappen e a Seppen-RJ realizam ações da Operação Mute no estado. A iniciativa combina inteligência, revistas estratégicas e varreduras eletrônicas para interromper comunicações ilícitas e retirar celulares e outros materiais proibidos dos estabelecimentos prisionais.
Até o início desta etapa, a operação já havia alcançado 31 unidades prisionais do estado, com a mobilização de 1.019 policiais penais federais e estaduais. As ações resultaram na revista de 299 celas e na apreensão de 228 aparelhos celulares, além de outros objetos ilícitos.
Nesta semana, novas ações da Operação Mute são realizadas no Rio de Janeiro. Por razões de segurança e para preservar o andamento dos trabalhos, as unidades selecionadas não são divulgadas previamente. Os resultados serão apresentados após a conclusão da operação.
Durante as ações, policiais penais federais e estaduais realizam revistas orientadas por informações de inteligência para localizar e retirar celulares e outros materiais ilícitos.
Capacitação dos policiais penais
A modernização tecnológica é acompanhada pela preparação dos profissionais responsáveis pela utilização dos equipamentos.
No curso presencial de Manuseio e Uso de Raios X, foram oferecidas 60 vagas, e 53 servidores foram certificados para operar os equipamentos e analisar as imagens produzidas durante os procedimentos de inspeção.
O estado também contabiliza 170 inscritos em cursos autoinstrucionais a distância, voltados à sobrevivência policial, à formação jurídico-administrativa, ao emprego de equipamentos eletrônicos de revista e ao uso de tecnologias nas rotinas de segurança prisional.
Os investimentos, as operações e as capacitações integram as ações realizadas no sistema prisional do Rio de Janeiro e envolvem equipamentos, inteligência, procedimentos de inspeção e formação de profissionais.