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POLÍTICA SOBRE DROGAS
Pronasci Juventude inicia novo ciclo como política nacional
Foto: Tom Costa
Atualmente, o programa atende cerca de 6,3 mil jovens em diferentes estados do País e segue em expansão. Com sua institucionalização e o fortalecimento das ações nos territórios, a expectativa do MJSP é alcançar 15 mil jovens até o fim de 2026, ampliando o acesso a oportunidades e fortalecendo políticas de prevenção, proteção social, inclusão produtiva, cultura, esporte e cidadania.
Programação reuniu jovens e gestores de oito unidades da Federação
Durante os dois dias de programação, cerca de 60 jovens, gestores públicos, pesquisadores, instituições parceiras e equipes técnicas dos estados da Bahia, Pernambuco, Amazonas, Rio de Janeiro e Distrito Federal participaram das atividades, que também marcaram a expansão da iniciativa para Espírito Santo, Maranhão e São Paulo.
A programação incluiu o lançamento do Guia Metodológico do Pronasci Juventude, do Relatório de Implementação, elaborado pelo Centro de Estudos sobre Drogas e Desenvolvimento Social Comunitário (CDESC), projeto do MJSP, do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), além da apresentação do Sistema PES (Plano de Envolvimento Social), ferramenta destinada ao acompanhamento das ações. Coordenadores regionais também compartilharam experiências e estratégias de implementação nos diferentes territórios.
O segundo dia foi dedicado ao protagonismo das juventudes, com diálogo entre adolescentes, jovens e representantes do Governo Federal. A mesa contou com a participação da secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, Marta Machado; da chefe de gabinete da Senad, Ana Luiza Bandeira; da coordenadora-geral de Justiça Racial (CGJR), Lívia Cassares; da assessora técnica da UNODC e gestora nacional do Pronasci Juventude, Monalyza Alves; e do coordenador-adjunto, Eliel Silva. A atividade reforçou a escuta ativa dos jovens como eixo central da política.
As falas destacaram a centralidade da garantia de direitos na construção de uma política de segurança pública voltada à juventude.
Marta Machado ressaltou o caráter estruturante da iniciativa. "A vinda de vocês consagra essa vitória de que nós conseguimos colocar, dentro da política sobre drogas, um programa de oferta de oportunidades, de proteção e de apoio para a juventude. Diante de uma política que gerou tantas injustiças e violências, a nossa ideia é reverter esse quadro, promovendo acesso a direitos e oportunidades de vida para os jovens", disse.
Representando as juventudes participantes, o jovem baiano Leonardo Silva, conhecido como Shaft, falou sobre a importância de políticas construídas a partir dos territórios. "Quem vive na pele a realidade das periferias entende que a segurança pública não pode ser feita sem ouvir a juventude negra e periférica. Nós somos os que mais sofremos com a vulnerabilidade, mas também somos os que têm as soluções criativas e a força para transformar o território."
A coordenadora-geral de Justiça Racial, Lívia Cassares, destacou o significado da institucionalização da política. "Foi publicada no Diário Oficial da União a Portaria que institui o Pronasci Juventude como política nacional, e essa é uma conquista de todos nós. Este País tem uma dívida histórica com as populações negras e indígenas, e ela precisa se converter em proteção social, educação, direitos e oportunidades."
A assessora técnica da UNODC, Monalyza Alves, ressaltou o caráter humano e integrador da iniciativa e a importância da construção coletiva da política pública. "Para nós que estamos inseridos na iniciativa, é fundamental ver que ela tem esse coração: o de construir junto. Não é feito de cima para baixo. É um espaço onde jovens, equipes e territórios constroem juntos, com diferentes sotaques, jeitos de viver e formas de enxergar o mundo. É essa diversidade que faz o Pronasci Juventude ser real", pontuou.
No período da tarde, jovens do Amazonas, de Pernambuco, da Bahia e do Distrito Federal participaram de grupos focais conduzidos pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), contribuindo com avaliações sobre suas trajetórias e sugestões para o aperfeiçoamento da metodologia. Paralelamente, gestores e coordenadores regionais participaram de uma mesa de avaliação da implementação da iniciativa e do planejamento das próximas etapas de expansão.
A programação também registrou depoimentos para o documentário do Pronasci Juventude e foi encerrada com uma foto oficial reunindo participantes, pesquisadores, técnicos e comunicadores.
Pronasci Juventude passa a ser política nacional
Desenvolvido até então como projeto no âmbito do Pronasci II, o Pronasci Juventude passa, com a publicação da Portaria Senad nº 126/2026, a constituir uma política nacional da Senad. A norma estabelece objetivos, diretrizes, público prioritário e mecanismos de governança, além de instituir o Comitê Gestor responsável por definir prioridades estratégicas, aprovar planos de ação, metas e indicadores, bem como monitorar e avaliar a execução da política.