Notícias
SEGURANÇA PÚBLICA
Operação Metástase combate esquema de roubo de medicamentos para tratamento de câncer que movimentou R$ 33 milhões
Policiais durante operação que ocorreu em quatro estados do País. Foto: Divulgação/MJSP
Brasília, 22/7/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), apoiou, por meio da Rede Nacional de Enfrentamento ao Roubo e Furto de Cargas (Redecarga), a deflagração da Operação Metástase, realizada na terça-feira (21) pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCRJ).
As investigações da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-Cap) do RJ apontam que o grupo movimentou mais de R$ 33 milhões em um ano e está relacionado a pelo menos 40 roubos de cargas registrados nos últimos seis meses.
A operação teve como objetivo desarticular uma organização criminosa especializada no roubo de cargas de medicamentos oncológicos e imunossupressores. Segundo as investigações, o grupo atuava em diferentes estados e utilizava empresas de fachada para receptação, lavagem de dinheiro e distribuição dos produtos.
Foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e 97 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará. Também foi solicitado o bloqueio de cerca de R$ 30 milhões em contas bancárias, além do sequestro de imóveis, veículos e outros bens vinculados ao grupo.
Modus operandi
Segundo as investigações, a organização criminosa atuava dividida em diferentes núcleos.
Os roubos eram praticados por criminosos armados, que interceptavam veículos que transportavam medicamentos destinados às redes pública e privada de saúde. Após as ações criminosas, as cargas eram encaminhadas para áreas dominadas por organização criminosa no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, onde recebiam proteção armada e apoio logístico.
Em seguida, outro núcleo realizava o armazenamento, a separação e o fracionamento dos produtos. Para ocultar a origem ilícita, o grupo utilizava empresas de fachada, distribuidoras, transportadoras, intermediários e pessoas interpostas ("laranjas"), responsáveis por reinserir os medicamentos no mercado legal.
As investigações também identificaram uma rede de aliciamento de funcionários de transportadoras, que forneciam informações sobre rotas, cargas e horários, permitindo o planejamento dos roubos.
Ao todo, foram identificadas 25 empresas de fachada distribuídas entre os quatro estados, utilizadas para movimentação financeira e comercialização dos medicamentos roubados, inclusive para hospitais privados e, em alguns casos, para instituições públicas de saúde por meio de processos licitatórios.
Além dos prejuízos financeiros, a atividade criminosa representava risco ao abastecimento de medicamentos destinados a pacientes oncológicos, transplantados e pessoas com doenças autoimunes.
Integração nacional
A Redecarga articulou as forças policiais dos estados envolvidos, permitindo o compartilhamento de informações de inteligência e a coordenação das ações durante a investigação e o cumprimento das medidas judiciais.
A Rede Nacional de Enfrentamento ao Roubo e Furto de Cargas reúne unidades especializadas das Polícias Civis de todo o País, promovendo a integração entre os órgãos de segurança pública para ampliar a capacidade de prevenção, investigação e repressão aos crimes de roubo e furto de cargas.
A operação reuniu órgãos federais e estaduais para o cumprimento das medidas judiciais e o compartilhamento de informações durante a investigação.