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SEGURANÇA PÚBLICA
Operação Lívia e Rede Interrompida mobilizam Ministério da Justiça e Segurança Pública e polícias civis de oito estados
O ministro detalhou como se deu as operações junto aos integrantes do MJSP e da Polícia Civil do DF. Foto: Isaac Amorim/MJSP
Brasília, 4/8/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) detalhou, nesta terça-feira (4), os resultados das operações Lívia e Rede Interrompida, conduzidas com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp/MJSP), em conjunto com as polícias civis de oito estados. As ações combateram grupos envolvidos com misoginia, racismo, extremismo e incentivo à violência na internet.
A Operação Lívia teve início após uma adolescente de 13 anos ser incentivada a matar um animal e, em seguida, desafiada a transmitir o próprio suicídio pela plataforma Discord. Coordenada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, a operação resultou na apreensão de cinco menores de idade, entre 13 e 18 anos, em cinco estados do País.
A Operação Rede Interrompida desarticulou um grupo de adolescentes que utilizava comunidades no aplicativo Telegram para disseminar conteúdos neonazistas, antissemitas e misóginos, recrutar novos integrantes e discutir o planejamento de atos violentos. Eles planejavam um ataque a prédios na Esplanada dos Ministérios, em outubro, durante o período eleitoral. Conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal, a operação cumpriu mandados de busca e apreensão contra oito investigados.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, destacou a importância do Marco Civil da Internet, do ECA Digital e dos decretos recentemente publicados para fortalecer o enfrentamento aos crimes no ambiente digital.
"As operações Rede Interrompida e Lívia tratam de temas extremamente sensíveis para o MJSP: os crimes de ódio e a violência no ambiente digital. Os resultados alcançados demonstram a importância de um marco normativo adequado e da integração entre as forças de segurança, fortalecida pelos decretos recentemente publicados. Quero agradecer às Polícias Civis dos oito estados envolvidos e aos Ministérios Públicos que contribuíram para o sucesso dessas ações", declarou o ministro.
Segundo Wellington Lima, o laboratório teve papel essencial na produção de inteligência e na promoção da cooperação interfederativa, reunindo informações e compartilhando-as com os órgãos competentes. O ministro também reforçou a importância do acompanhamento de pais e responsáveis sobre a atuação de crianças e adolescentes no ambiente digital.
"Todas essas ações fazem parte de uma estratégia prioritária para tornar a atuação das forças de segurança cada vez mais efetiva na proteção da vida de crianças, mulheres e famílias. Por isso, reforço também um alerta aos pais e responsáveis para que redobrem os cuidados com seus filhos no ambiente digital", disse.
Durante a apresentação, o secretário nacional de Direitos Digitais (Sedigi), Victor Fernandes, explicou que as plataformas Telegram e Discord infringiram as normas dos decretos que protegem mulheres e crianças no ambiente digital. "O dever de comunicação da idade foi infringido. No Discord, houve a transmissão de um suicídio em um ambiente com adolescentes. O material permaneceu disponível e demorou para ser retirado do ar. Nós acionamos e determinamos que as plataformas excluam os conteúdos. Também está sendo determinada a suspensão dos servidores onde esses materiais foram transmitidos."
O delegado e coordenador do Ciberlab, Alesandro Barreto, acompanhou as investigações e afirmou estar impressionado com a crueldade nas redes sociais e com o que chamou de escravidão digital.
"Estão recrutando meninas, crianças e pessoas mais vulneráveis para fazer coisas bárbaras contra animais, principalmente gatos. Eles também incentivam a automutilação. Infelizmente, não conseguimos salvar a Lívia, mas, durante a operação, localizamos outra garota que cometeria suicídio ao vivo na internet e impedimos que isso acontecesse", afirmou.
A dinâmica de como as investigações começaram foi detalhada pelo delegado-geral da Polícia Civil do Distrito Federal, José Werik. "O Ciberlab do MJSP nos apontou grupos extremistas no Telegram. A partir dessas informações, a PCDF iniciou as investigações. As ações tinham o objetivo de prevenir uma escalada da violência. Todos os alvos apresentam indícios de associação com grupos violentos. Quero destacar o trabalho fundamental dos nossos núcleos voltados para a identificação desses crimes de ódio no ambiente on-line", pontuou.
O diretor de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), Anchieta Nery, reforçou a importância do trabalho conjunto das forças policiais. "Essas operações são um exemplo claro do trabalho integrado. Foram oito estados envolvidos em um trabalho de inteligência."
A secretária nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, apresentou os eixos de atuação do MJSP para a proteção das mulheres. Segundo ela, no âmbito do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, estão sendo articuladas diversas ações, inclusive para a proteção das mulheres no ambiente digital, por meio de operações como as que foram apresentadas.
"Estamos diante de um dos grandes desafios sociais, que é o ódio e a violência contra as mulheres. Pela primeira vez na história, há uma união dos três Poderes para enfrentar esse problema. Para proteger crianças e adolescentes, além dessas ações de segurança pública, é preciso que pais e mães acompanhem o que seus filhos estão fazendo na internet", enfatizou a secretária.