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SEGURANÇA PÚBLICA
Operação Lívia cumpre 12 medidas judiciais em cinco estados contra rede investigada por crimes praticados no ambiente digital
Brasília, 15/9/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), coordena, nesta terça-feira (15), a segunda fase da Operação Lívia, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS) em ação integrada com as Polícias Civis da Bahia, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo.
Nesta etapa, são cumpridos seis mandados de busca e apreensão domiciliar e seis medidas cautelares de busca e apreensão envolvendo adolescentes, nos estados da Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo e no Distrito Federal.
A nova fase é resultado do aprofundamento das investigações iniciadas na primeira etapa da operação. A análise dos equipamentos eletrônicos, telefones celulares e demais mídias apreendidos permitiu avançar na identificação de outros suspeitos de integrar comunidades virtuais investigadas pela prática de crimes de ódio, misoginia, crueldade contra animais, coerção psicológica e indução à automutilação e ao suicídio, tendo crianças e adolescentes entre os principais alvos.
Investigação avançou a partir de provas digitais
A Operação Lívia teve origem na investigação da morte de uma adolescente de 13 anos que, segundo as apurações, teria sido submetida, por meio de plataformas digitais, a práticas de coerção e indução à automutilação e ao suicídio.
A partir dos elementos obtidos na primeira fase, o Ciberlab auxiliou as investigações na análise de provas digitais e na identificação de novos suspeitos, incluindo pessoas que teriam atuado na administração e moderação de comunidades virtuais utilizadas para abordar, coagir e chantagear vítimas em situação de vulnerabilidade.
Entre as práticas investigadas está a chamada “escravidão digital”, termo técnico utilizado para descrever uma dinâmica de coerção, chantagem e controle exercida no ambiente virtual, na qual vítimas são submetidas a ameaças e pressões para cumprir determinações dos integrantes desses grupos, inclusive relacionadas à automutilação e a outros atos de violência.
Com as novas identificações, a segunda fase busca aprofundar a investigação sobre a estrutura e a atuação desses grupos, interromper suas atividades e localizar possíveis vítimas que necessitem de proteção e acompanhamento pelos órgãos competentes.
“A 2ª fase da Operação Lívia demonstra que a atuação integrada das forças de segurança é fundamental para enfrentar estruturas criminosas que se valem do ambiente digital para explorar a vulnerabilidade de crianças e adolescentes. A partir do aprofundamento da análise dos elementos apreendidos na primeira etapa, foi possível identificar novos envolvidos e avançar na responsabilização de integrantes dessas redes. O trabalho da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, em articulação com o Ciberlab e as demais polícias civis, reafirma o nosso compromisso com a investigação qualificada no ambiente digital, além da proteção e do encaminhamento adequado de possíveis vítimas”, afirma a delegada da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul Anne Karine.
Proteção de crianças e adolescentes
Além do cumprimento das medidas judiciais, a operação busca identificar outras crianças e adolescentes que possam estar sendo vítimas de chantagem, coerção, “escravidão digital” ou indução à prática de violência e automutilação, para que sejam encaminhados à rede de proteção.
O MJSP reforça a importância de pais e responsáveis acompanharem a atividade de crianças e adolescentes no ambiente digital, com atenção especial à participação em grupos fechados de aplicativos de mensagens, fóruns e comunidades virtuais, além de eventuais mudanças de comportamento que possam indicar situações de risco.
Suspeitas de crimes praticados no ambiente digital podem ser comunicadas às delegacias especializadas em crimes cibernéticos ou às demais unidades da Polícia Civil nos estados.
Operação Lívia
O nome da operação homenageia a memória de Lívia, adolescente de 13 anos cuja morte deu origem às investigações. A continuidade das apurações busca identificar os envolvidos, interromper a atuação das comunidades investigadas, proteger possíveis vítimas e promover a responsabilização dos autores, observadas as atribuições das autoridades policiais e do Poder Judiciário.