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SEGURANÇA PÚBLICA
Operação Engodo Digital mira esquema de lavagem de dinheiro ligado a jogos de azar
Viatura policial que participou da operação Engodo Digital. Foto: Divulgação/MJSP
Cuiabá, 20/8/2026 - A Polícia Civil de Mato Grosso (MT) deflagrou, na terça-feira (18), a Operação Engodo Digital, para desarticular um grupo criminoso investigado por exploração de jogos de azar, captação ilegal de apostas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e organização criminosa. A ação conta com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim).
Ao todo, foram cumpridas 56 ordens judiciais, entre elas 14 mandados de busca e apreensão. Também foram determinados o bloqueio de mais de R$ 21,4 milhões em contas bancárias, o sequestro de bens, a quebra de sigilo telemático, o bloqueio de contas em redes sociais e medidas cautelares diversas da prisão.
A investigação, conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) do município de Sinop, tem como alvos dez pessoas e oito empresas. As medidas de busca e apreensão foram cumpridas em Sorriso. Outras três ordens estão sendo executadas no estado de São Paulo, sendo duas na capital e uma em São Bernardo do Campo.
Segundo a investigação, o grupo movimentou mais de R$ 28 milhões entre 2023 e 2025, valores que não teriam sido declarados e apresentariam indícios de origem em jogos de azar on-line. Uma influenciadora digital com mais de 115 mil seguidores é apontada como uma das principais integrantes do esquema e teria utilizado suas redes sociais para divulgar plataformas de apostas não autorizadas.
Ainda conforme a apuração, os recursos eram direcionados a empresas vinculadas às plataformas de apostas e posteriormente redistribuídos entre familiares e colaboradores da investigada. A Polícia Civil também identificou a criação de empresas e possíveis simulações societárias para ocultar a origem dos valores.
Conexão com investigação da Polícia Federal
A operação também apura a possível ligação de dois alvos com a Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em abril deste ano. A investigação identificou uma empresa do setor financeiro que teria concentrado valores provenientes de plataformas clandestinas de apostas e viabilizado o envio de recursos ao exterior.
A mesma empresa e seu proprietário são alvos de medidas judiciais em São Paulo no âmbito da Operação Engodo Digital.
A ação conta com apoio das Delegacias Regionais de Nova Mutum e Sinop e, em São Paulo, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil paulista.