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SEGURANÇA PÚBLICA
MJSP amplia mapeamento sobre qualidade de vida e saúde mental na segurança pública
Medidas foram apresentadas no contexto do Setembro Amarelo, com o objetivo de promover a saúde mental na segurança pública. Foto: Ailton de Freitas (Ascom/MJSP)
Brasília, 22/9/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apresentou, nesta terça-feira (22), ações voltadas à qualidade de vida e à saúde mental dos profissionais de segurança pública. Foram lançados o Painel Qualidade de Vida no Trabalho, primeira publicação de dados sobre o tema, e as principais ações relacionadas ao Escuta Susp. A Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e o Ministério Público da Bahia (MPBA) assinaram, ainda, Acordo de Cooperação Técnica para capacitação voltada à valorização da vida.
As medidas têm como objetivo promover a saúde mental dos profissionais de segurança pública. “Nós superamos vários desafios nas últimas décadas como, por exemplo, o analfabetismo e a mortalidade infantil. Conseguimos trazer bens e meios materiais às pessoas. No entanto, é evidente a deterioração da saúde mental”, analisou o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas. “As pessoas estão doentes e os profissionais ainda mais porque, além de estarem nesse contexto caótico em que vivemos, sofrem uma pressão muito grande por parte da sociedade, são expostos a uma violência cotidiana e andam armados”, disse.
Segurança pública baseada em evidências
O Painel Qualidade de Vida no Trabalho reúne, entre outras informações, dados sobre o efetivo; as condições de trabalho das mulheres na segurança pública; os serviços de saúde mental e prevenção ao suicídio; e a integração das corregedorias com outros setores das instituições, no que diz respeito aos impactos dos adoecimentos e às políticas preventivas. É a primeira publicação de dados sobre o tema.
Os dados foram coletados pelo MJSP, por meio da Pesquisa Perfil das Instituições da Segurança Pública (ano-base 2024), realizada junto a 135 instituições. Um segundo levantamento (ano-base 2025) será realizado nos próximos meses.
“O painel é baseado na perspectiva de uma política pública orientada a dados. A partir disso, nasceu essa pesquisa, que visa à maturidade institucional perante as instituições de segurança pública, com o objetivo de construir modelos que vão nos ajudar a salvar vidas”, disse o diretor de Gestão e Integração de Informações, Joaquim Carvalho Filho. “Ao cruzar as evidências coletadas, podemos mitigar o silêncio estatístico”, acrescentou.
Escuta Susp
Durante o evento, também foram apresentadas as principais ações no âmbito do Escuta Susp. O projeto oferece uma rede integrada de cuidados em saúde mental, que inclui avaliação e aconselhamento psicológico, psicoterapia, atendimento especializado para profissionais em situações de maior vulnerabilidade emocional e acompanhamento psiquiátrico.
Desde 2024, foram mais de 50 mil atendimentos e 1.410 altas, além do desenvolvimento de nove protocolos voltados especificamente aos profissionais da segurança pública. Ao todo, 145 terapeutas atendem os pacientes nos cinco serviços oferecidos. O serviço de promoção à vida (manejo do comportamento suicida) conta com terapeutas e doutores em seu contingente. No momento, há 45 pacientes sendo atendidos. As próximas ações incluem a ampliação em 50% da capacidade de atendimento, com a contratação de novos terapeutas e supervisores.
Nesta terça-feira, também foi disponibilizado, na Rede EaD Senasp, o curso de formação de agentes de prevenção do suicídio na segurança pública. Três cadernos técnicos sobre protocolos de atendimento desenvolvidos pelo Escuta Susp e o catálogo da rede de atendimento, com os serviços de saúde e saúde mental existentes nas 27 unidades federativas, também foram lançados.
Para o diretor do Sistema Único de Segurança Pública, João Alberto Nogueira Junior, o projeto é fundamental para conscientizar sobre a importância de buscar ajuda, além de oferecer suporte terapêutico. “As vidas preservadas demonstram que investir em intervenção qualificada produz impactos concretos”, disse.
Na avaliação do coordenador clínico do Escuta Susp, Maycoln Leoni, os dois anos e meio de projeto acumulam resultados positivos em aspectos quantitativos e qualitativos. “Quando a gente pergunta se os pacientes indicariam esse serviço para outra pessoa, cerca de 95% afirmam que sim”, pontuou.
Cooperação
Durante a cerimônia, a Senasp e o MPBA assinaram Acordo de Cooperação Técnica para capacitação sobre saúde mental. A formação será ofertada a promotores de Justiça e às forças de segurança da Bahia. “Esse acordo é histórico porque traz, ao Ministério Público, a sua responsabilidade de enfrentar o cenário e de capacitar seus membros quanto à temática”, afirmou o procurador-geral do estado da Bahia, Pedro Maia Souza Marques. “É ainda mais importante por se tratar dos profissionais da segurança pública, submetidos a uma alta carga de estresse, pela natureza da atividade, o que sobreleva o cuidado e a atenção necessários”, finalizou.