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POLÍTICAS SOBRE DROGAS
Senad realiza primeira formação em prevenção adaptada a contextos indígenas
Capacitação no Amazonas aborda diretrizes internacionais de prevenção a partir das especificidades socioculturais dos povos indígenas. Foto: Divulgação
A formação aborda diretrizes internacionais e fundamentos da ciência da prevenção considerando as realidades socioculturais e comunitárias dos povos indígenas. Os conteúdos relacionam conceitos e evidências da prevenção às experiências, formas de organização, fatores de proteção, recursos e estratégias de cuidado existentes nos territórios.
“As ações desta semana em Tabatinga buscam preencher uma lacuna importante do Programa Cria – Prevenção e Cidadania: uma abordagem voltada aos territórios indígenas. É uma iniciativa inovadora no campo da prevenção e também participativa, que conta com a colaboração das comunidades indígenas desde o início do processo”, afirma a diretora de Prevenção e Reinserção Social da Senad, Nara Araújo.
A formação será realizada na Escola Estadual Marechal Rondon e inclui atividades de leitura do território. Entre os conteúdos estão desenvolvimento humano, níveis de prevenção, diferentes contextos de vida e interação entre fatores de risco e de proteção.
Prevenção a partir do território
A metodologia inclui o levantamento da percepção das comunidades sobre os desafios locais, o mapeamento de fatores de risco e de proteção e a identificação de recursos e formas de cuidado já presentes no território. Também são utilizadas atividades como o mapa da empatia e a abordagem de corpo-território, que incorporam dimensões comunitárias e culturais às discussões sobre prevenção.
No segundo dia, os participantes trabalharão coletivamente a chamada Árvore da Vida, com foco na comunidade e nos fatores de proteção, e elaborarão planos de ação.
A atividade prevê a identificação de prioridades, desafios, pessoas-chave, formas de governança e fóruns ou coletivos que possam orientar o início ou o desenvolvimento de ações preventivas no território.
A formação integra o Programa Cria – Prevenção e Cidadania, que reúne iniciativas de prevenção baseadas em evidências. Entre as ações em desenvolvimento está a adaptação cultural do programa Comunidades que Cuidam (CQC) para implementação em territórios indígenas, considerando as especificidades socioculturais e comunitárias locais.
Diálogo com as comunidades
A agenda da Senad teve início dia 9 com visita ao Cais Povos Indígenas e atividades na Terra Indígena Umariaçu. As atividades incluíram diálogos com lideranças indígenas, juventudes, representantes da Associação Torü Maü, participantes do Comunidades que Cuidam e integrantes do Cais, além de visita ao território.
Para o cacique Ezequiel, de Umariaçu I, a presença das equipes no território contribui para aproximar as políticas públicas das necessidades da comunidade e fortalecer parcerias voltadas especialmente às juventudes. “Para mim, é muito importante que venham visitar a nossa comunidade, para ver o que tem aqui. É importante a troca de informações, de experiências e conhecimentos para a gente ter uma parceria baseada em escuta e respeito ao território”, relatou.
O intercâmbio de informações, experiências e conhecimentos pode subsidiar ações baseadas na escuta, no respeito às formas de organização comunitária e nas características do território.

- A formação integra o Programa Cria – Prevenção e Cidadania, que reúne iniciativas de prevenção baseadas em evidências. Foto: Divulgação
Território Seguro, Amazônia Soberana
Tabatinga integra os territórios priorizados pelo Programa Território Seguro, Amazônia Soberana, instituído pelo MJSP para fortalecer a presença do Estado, ampliar a proteção de povos indígenas e comunidades tradicionais e promover alternativas lícitas de vida na Amazônia Legal e na faixa de fronteira.
O município concentra diferentes frentes de atuação da Senad. Entre elas estão o Cais Povos Indígenas e o Pronasci Juventude, além de ações apoiadas por editais. A implementação do Comunidades que Cuidam acrescenta uma frente de prevenção com metodologia adaptada às especificidades dos povos indígenas.
Nesta primeira etapa, o Território Seguro, Amazônia Soberana alcança 42 municípios, distribuídos em sete regiões prioritárias, com 38 etnias indígenas catalogadas. Tabatinga faz parte da microrregião do Alto Solimões, no Amazonas. A diversidade sociocultural desses territórios orienta a adoção de políticas territorializadas, baseadas em evidências e adaptadas às especificidades locais.
Entre os quatro eixos do Território Seguro, Amazônia Soberana está o de Prevenção e Acesso a Direitos, que reúne iniciativas como o Cria – Prevenção e Cidadania e os Centros Cais. O programa prevê investimento inicial de aproximadamente R$ 209 milhões, dos quais R$ 85,9 milhões são destinados a ações de prevenção e acesso a direitos.