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SEGURANÇA PÚBLICA
Brasil assume presidência de aliança internacional e anuncia novas ações contra o crime organizado
Cúpula da Aliança para a Segurança, a Justiça e o Desenvolvimento tratou de ações integradas entre os países participantes. Foto: Ailton de Freitas/Ascom MJSP
Brasília, 6/8/2026 – Foi encerrada, nesta quinta-feira (6), em Brasília (DF), a terceira Cúpula da Aliança para a Segurança, a Justiça e o Desenvolvimento, realizada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O encontro, que teve início na quarta-feira (5), reuniu ministros, representantes dos países membros não regionais do BID, parceiros estratégicos, como a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), e especialistas em segurança e justiça para discutir ações de enfrentamento ao crime transnacional.
Durante a cúpula, o Brasil assumiu a presidência pro tempore da Aliança pelos próximos 12 meses. A função prevê a continuidade das articulações entre os países participantes e o fortalecimento das ações conjuntas na área de segurança e justiça.
“Redes criminosas devem ser enfrentadas com redes de instituições. Essa nova dinâmica vai nos possibilitar um enfrentamento mais qualificado ao crime organizado na região”, afirmou o secretário-executivo do MJSP, Ademar Borges de Sousa Filho. “A cúpula deixa uma lição. Precisamos de mais cooperação. E isso exige sempre um nível mais elevado de confiança. A partir desse encontro, deixamos um legado de aumento da confiança entre os países”, pontuou.
Durante a cúpula, o MJSP e o BID assinaram um memorando de entendimento para fortalecer capacidades institucionais e ações de combate ao crime organizado. Também foi anunciada a participação da Interpol na Força-Tarefa de Resposta Rápida Contra a Violência e o Crime Organizado.
“As soluções não são simples. Elas passam por redução da violência, aumento da confiança nas instituições, pelo fortalecimento das capacidades investigativas e da polícia. Também é necessário ter mais cooperação entre as esferas judiciais e policiais, além de intercâmbio qualificado de informações”, analisou o secretário-executivo do MJSP.
“Podemos garantir que a presidência do Brasil seguirá o mesmo fluxo e terá o mesmo ethos deste encontro. A nossa função é de manter abertos os canais de interlocução permanente para que continuemos esse processo de aprendizado e de integração das nossas capacidades institucionais”, disse Ademar Borges.
Segundo o representante do BID no Brasil, Annette Bettina Killmer, a cúpula marcou a passagem dos compromissos para a implementação das ações. “Devemos lembrar que estamos tratando, essencialmente, de resultados. Vemos, por exemplo, uma mobilização de recursos e o fortalecimento de alianças estratégicas”, enfatizou.
“O foco recai sobre instrumentos práticos que os países podem utilizar imediatamente. O que realmente importa é a tradução desses esforços em ações concretas — como prevenir o recrutamento de pessoas, fortalecer instituições, aprimorar o sistema penitenciário, recuperar arquivos e promover o compartilhamento de informações além-fronteiras”, acrescentou.
Cooperação e força-tarefa
O memorando de entendimento entre o MJSP e o BID prevê o aprimoramento das investigações de homicídios, o aperfeiçoamento do sistema prisional, o fortalecimento do combate ao tráfico de armas e o enfrentamento às finanças das organizações criminosas. O acordo prevê até R$ 5 bilhões em financiamentos do BID para essas ações, além de R$ 2 milhões em assistência técnica voltada ao fortalecimento institucional.
Por meio da parceria com a Interpol, os países integrantes da Aliança terão acesso a apoio técnico especializado para o enfrentamento de desafios relacionados à segurança e à justiça na América Latina e no Caribe. Um programa piloto será desenvolvido no Brasil, com o equivalente a mais de R$ 500 mil em cooperação técnica.
Painéis
A cúpula contou com diversos painéis de debates e trocas de experiências entre os países participantes. Os temas abordados foram:
• Proteção das populações e comunidades mais vulneráveis
• Fortalecimento das instituições de segurança e justiça
• Desarticulação dos fluxos financeiros e contenção dos mercados ilícitos
• Alianças público-privadas
• Novas tecnologias e inteligência artificial aplicadas ao setor de segurança e justiça
• Iniciativas regionais contra o crime organizado
• Economias ilegais e impactos nas comunidades vulneráveis
• Persecução penal integrada
• Recursos estratégicos e economias criminais
• Sistemas penitenciários inteligentes contra o crime organizado
Participaram dos painéis o assessor especial do MJSP, Daniel Hirata; a secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula; o secretário nacional de Segurança Pública, Francisco Lucas Costa Veloso; o secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Oliveira Fernandes; a secretária nacional de Política sobre Drogas e Gestão de Ativos, Marta Machado; o secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita; e o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia.
Aliança
Lançada em 2024, a Aliança para a Segurança, a Justiça e o Desenvolvimento reúne atualmente 23 países membros e 14 parceiros para fortalecer a cooperação internacional no combate ao crime organizado.