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Reunião técnica discute manejo da espécie invasora unha-do-diabo, no Ceará
Servidor do Ibama durante encontro técnico para discutir manejo da espécie unha-do-diabo - Foto: Seflo/Ibama
Brasília/DF (09/06/2026) – A espécie de planta exótica invasora unha-do-diabo, que tem avançado e causado danos socioambientais e econômicos na região Nordeste, foi objeto de um encontro técnico promovido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com apoio da Associação Caatinga, em maio. A reunião, que ocorreu em Fortaleza (CE), contou com representantes de instituições federais, estaduais e municipais, de pesquisa, do setor produtivo e de comunidades afetadas pela espécie.
No encontro, foi discutida a proposta do Plano Nacional de Prevenção, Monitoramento e Manejo da espécie, cujo nome científico é Cryptostegia madagascariensis Bojerex Decne. A planta é uma trepadeira que afeta principalmente a cadeia produtiva da carnaúba. Embora sua ocorrência esteja frequentemente associada a essa palmeira, a espécie invasora apresenta ampla capacidade de dispersão, sendo encontrada em margens de corpos hídricos, como rios e açudes, formando densos maciços vegetais que dificultam o acesso de pessoas e animais aos corpos d’água.
A unha-do-diabo possui elevada capacidade de regeneração e rebrota mesmo após ser cortada, além de produz um látex tóxico, o que torna o manejo ainda mais complexo e arriscado.
Alternativas de manejo
Entre as alternativas de manejo discutidas, ganhou destaque o uso de controle biológico com o fungo da ferrugem Maravalia cryptostegiae, agente anteriormente utilizado na Austrália no controle de espécie do mesmo gênero, apresentando resultados positivos relevantes.
Nesse contexto, foi apontada a necessidade de se avançar na análise e viabilização dos processos regulatórios para pesquisa, importação e eventual uso do agente biológico no Brasil. Também foi destacada a importância de se avaliar a possibilidade de declaração de emergência fitossanitária ou ambiental, instrumento que pode conferir maior celeridade aos processos legais e administrativos para o enfrentamento da invasão.
Além da discussão técnica, foram realizadas diversas atividades de campo no estado do Ceará durante os dias seguintes, incluindo visitas a fazendas-modelo, áreas e comunidades afetadas pela espécie invasora. Nessas ações, foram coletados relatos e observações diretas da invasão biológica, além de serem discutidos diferentes métodos de manejo e tecidas articulações entre atores ambientais locais.
O evento no Ceará teve apoio da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e do Sindicato das Indústrias Refinadoras de Cera de Carnaúba no Estado do Ceará (Sindcarnaúba).
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