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Medidas de mitigação de impactos ambientais em vegetação são destaque em mostra
Castanheira na Flona Saracá-Taquera: bancos de germoplasma contribuem para a conservação da biodiversidade - Foto: Arquivo MRN
Brasília/DF (06/03/2025) – Quatro experiências bem-sucedidas de medidas de mitigação de impactos ambientais em vegetação foram apresentadas na sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A 1ª Mostra de Medidas de Flora do Licenciamento Ambiental Federal reuniu servidores públicos, representantes de empresas, consultores e outros especialistas, em 24 de fevereiro, como parte das comemorações do 37º aniversário do Instituto.
Na abertura da mostra, o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, destacou o desafio de melhorar continuamente a eficiência do licenciamento ambiental sem perda da qualidade. “Nesse sentido, temos investido na revisão de procedimentos, no desenvolvimento e na integração de sistemas de dados, e na análise regulatória frente à nova legislação”, afirmou Agostinho, em referência à Lei Geral do Licenciamento Ambiental, n.º 15.190/2025.

- Antes: Mina do Guajú, no litoral da Paraíba, em 1991, ainda na época de lavra – Foto: Arquivo Tronox
A diretora de Licenciamento Ambiental do Ibama, Claudia Barros, destacou que os resultados de medidas sustentáveis aplicadas em projetos licenciados pelo Instituto vão além dos números. “Esses exemplos demonstram todo o trabalho feito pelo corpo técnico do Ibama em integração com empreendedores, consultores e a sociedade civil, com impactos positivos para o meio ambiente e os cidadãos”, disse Claudia. Ela destacou, ainda, o recorde na emissão de licenças e autorizações da última década, registrado em 2025.
Também presente no evento, a diretora de Biodiversidade e Florestas do Ibama, Lívia Martins, elogiou a iniciativa da Diretoria de Licenciamento Ambiental (Dilic) em apresentar medidas de flora com resultados relevantes para a sustentabilidade ambiental. “É muito importante aprender e entender os projetos de recuperação de vegetação que deram certo para replicá-los em outros empreendimentos licenciados e acompanhados pelo Ibama, em todos os biomas brasileiros”, declarou Lívia.
Para assistir ao evento, acesse: Mostra de medidas ambientais de Flora do Licenciamento Ambiental Federal
Experiências bem-sucedidas de condicionantes de flora
1) Uso de madeira em terra indígena – Durante a construção da linha de transmissão Manaus–Boa Vista, na divisa do Amazonas com Roraima, a extração e a destinação da madeira foram meticulosamente planejadas e executadas. E sempre em consonância com a liderança da Terra Indígena Waimiri Atroari. O gerente de Meio Ambiente da Transnorte Energia, Davi Nogueira, destacou o emprego de diversas medidas para minimização de impactos ambientais, como a construção da linha de transmissão em paralelo à rodovia federal já existente, a instalação de torres com mais de 100 metros de altura e o lançamento de cabos com o uso de drones. “Essas medidas significaram drástica redução do corte de árvores. O material extraído foi transformado em estruturas ou em lenha para uso da própria comunidade indígena”, resumiu Nogueira.
2) Recuperação de mata após desativação de mina – Recuperação de mata após desativação de mina – Após 37 anos de lavra, foi possível recuperar uma área equivalente a 1.000 campos de futebol, na antiga Mina do Guajú, situada no extremo norte da Paraíba. No local, foram plantadas 2,25 milhões de mudas de 260 espécies nativas, ao longo de 20 anos. O que era uma área visualmente desértica se transformou em uma vegetação exuberante, atraindo centenas de espécies de fauna, dentre elas aves, macacos-pregos, répteis e insetos. “A colaboração do Ibama foi essencial para que a gente tivesse sucesso nesse projeto. Houve uma parceria muito grande entre o corpo técnico, a empresa e a academia”, ressaltou o representante da Tronox Holdings, Vírgilio Gadelha. A empresa está em tratativas com o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) para que a área se torne uma Unidade de Conservação federal.
3) Implementação de bancos de germoplasmas – Também foram apresentadas duas experiências de sucesso com bancos de germoplasma instalados no Estado do Pará, um de castanheiras e outro de jaborandis. Ambos foram condicionantes do licenciamento ambiental, com foco na conservação genética e na produção de mudas para recuperação de áreas impactadas.
No caso das castanheiras, o banco foi desenvolvido no Platô Almeidas, na Floresta Nacional Saracá-Taquera, pela Mineração Rio do Norte, em parceria com o Ibama e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Impa). A iniciativa contemplou coleta, beneficiamento e armazenamento de sementes de matrizes selecionadas, assegurando variabilidade genética e suporte a ações de recomposição florestal na região.
Já o banco de germoplasma de jaborandi, conduzido pela empresa Vale em dois empreendimentos situados na Floresta Nacional de Carajás, tem contribuído para a conservação dessa espécie vegetal de elevado valor ecológico e econômico, tradicionalmente utilizada para fins farmacêuticos.
“As iniciativas evidenciam como o planejamento ambiental associado ao licenciamento federal pode fomentar soluções técnicas voltadas à manutenção da biodiversidade e à restauração de ecossistemas.”, destaca Aline Carvalho, analista ambiental do Ibama e uma das organizadoras do evento.
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