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Ibama e MMA lançam novo mapeamento e identificam 1,2 milhão de hectares de manguezais no Brasil
Ministra Mariana Silva e demais autoridades durante lançamento da atualização do Mapeamento dos Manguezais Brasileiros - Foto: Hermínio Lacerda/Ibama
Brasília/DF (19/03/2026) – O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) lançaram, nessa quarta-feira (18), a atualização do Mapeamento dos Manguezais Brasileiros – 2024. O levantamento identificou 1.229.644 hectares desses ecossistemas no país, distribuídos em 11.142 fragmentos ao longo da costa brasileira, durante evento na sede do Instituto, e Brasília.
Os dados mostram que cerca de 82% da área total de manguezais está inserida em Unidades de Conservação, como Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e Reservas Extrativistas (Resex), evidenciando o papel dessas áreas na proteção da biodiversidade e no sustento de comunidades tradicionais. A maior concentração está na costa norte do país, especialmente nos estados do Amapá, Pará e Maranhão, que juntos reúnem aproximadamente 78% da cobertura nacional.
O estudo foi desenvolvido em parceria entre o Centro Nacional de Monitoramento e Informações Ambientais (Cenima) do Ibama e o Departamento de Oceano e Gestão Costeira da Secretaria Nacional de Mudança do Clima do MMA. A nova versão atualiza o Atlas dos Manguezais Brasileiros, publicado em 2018, e amplia a capacidade de monitoramento desses ecossistemas estratégicos.
Para o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, o trabalho representa um avanço científico e tecnológico na análise ambiental e no apoio à tomada de decisão. “Esse mapeamento reúne o que há de mais moderno em tecnologia com um elemento essencial, que é o olhar humano. Cada fragmento foi analisado individualmente, com validação de pesquisadores de todo o país. Isso fortalece a base técnica para a conservação e qualifica a atuação do Estado na proteção desses ecossistemas”, afirmou.
A atualização marca a transição de um modelo cartográfico estático para um sistema de monitoramento contínuo, baseado em séries temporais de imagens de satélite. Foram utilizadas imagens do satélite Sentinel-2, combinadas com diferentes composições espectrais, índices específicos para manguezais e modelos digitais de superfície, permitindo maior precisão na identificação de áreas estreitas e fragmentadas.
Os dados passam a integrar a Plataforma de Análise e Monitoramento Geoespacial da Informação Ambiental (PAMGIA) do Ibama, fortalecendo o acesso a informações estratégicas para a gestão ambiental e o planejamento territorial.
O mapeamento também integra o Programa Nacional de Conservação e Uso Sustentável dos Manguezais do Brasil (ProManguezal), coordenado pelo MMA, que organiza as ações do governo federal voltadas à conservação, recuperação e uso sustentável desses ecossistemas. Entre as metas estão a recuperação de 17 mil hectares de manguezais até 2030, a criação de novas Unidades de Conservação e a capacitação de profissionais.
Durante o evento, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a importância dos novos instrumentos para a agenda ambiental brasileira. Segundo ela, os avanços apresentados representam um investimento concreto na proteção da biodiversidade, na valorização dos serviços ecossistêmicos e no enfrentamento das mudanças do clima, com benefícios diretos para as populações tradicionais.
Além do mapeamento, foi apresentado o Plano Clima 2024–2035, principal instrumento estratégico do país para orientar ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. O plano estabelece metas para redução de emissões de gases de efeito estufa, ampliação de fontes limpas de energia e fortalecimento da resiliência de territórios e populações frente a eventos extremos.
Reconhecidos como ecossistemas essenciais para a biodiversidade e para a regulação do clima, os manguezais desempenham papel fundamental na proteção do litoral, na captura de carbono e na manutenção de atividades como a pesca artesanal e o extrativismo. O novo mapeamento reforça a base técnica para sua conservação e amplia a capacidade do Estado brasileiro de monitorar e proteger esses ambientes estratégicos.
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