Notícias
Ibama combate garimpo ilegal na Terra Indígena Kayapó, no Pará
Agente ambiental federal acompanha inutilização de escavadeira hidráulica usada no garimpo ilegal - Foto: Fiscalização/Ibama
Cumaru do Norte/PA (18/06/2026) – O Ibama e a Polícia Federal (PF) realizaram nesta semana a primeira fase da Operação Xapiri Mebêngôkré com o objetivo de combater o garimpo ilegal na Terra Indígena Kayapó, no sul do Pará. A ação tem como foco a desarticulação das frentes de mineração ilegal e da cadeia logística de abastecimento da atividade, por meio da identificação, apreensão e inutilização de equipamentos, insumos e estruturas utilizadas para viabilizar a atividade ilícita no interior do território protegido.
Durante os dois primeiros dias de operação, as equipes de fiscalização inutilizaram 31 escavadeiras hidráulicas (PCs) empregadas diretamente na extração ilegal de minérios. Também foram destruídos 2 caminhões, 2 carretas usadas para transporte de madeira, 2 tratores, 23 motores utilizados na atividade garimpeira, 8 motocicletas, 3 caminhonetes, 5 geradores, 4 motosserras, 9 acampamentos e estruturas de apoio e 2 oficinas, além de aproximadamente 10,2 mil litros de combustível (diesel) destinado ao abastecimento das frentes de exploração mineral. Entre os itens apreendidos estão 1 antena satelital de acesso à internet, 23 g de ouro, 2 armas de fogo e munições. Duas aves que estavam em poder dos infratores foram resgatadas pelos agentes do Ibama.
A Terra Indígena Kayapó integra um dos maiores e mais importantes mosaicos contínuos de áreas protegidas da Amazônia brasileira. A região abriga extensas áreas de floresta preservada, importantes cabeceiras e cursos d'água associados à bacia do rio Xingu, além de elevada biodiversidade. A proteção desse território possui relevância estratégica para a conservação ambiental e para a garantia dos direitos territoriais e culturais dos povos indígenas que o habitam.
A região sofre pressão crescente de atividades ilegais associadas à exploração de recursos naturais, especialmente do garimpo, que provoca perda de vegetação nativa, degradação de áreas de preservação permanente, assoreamento de rios e igarapés, e contaminação ambiental por mercúrio, combustíveis e resíduos oleosos. Os impactos comprometem a qualidade da água, afetam a fauna e a flora, e geram riscos diretos às comunidades indígenas.
Além dos danos ambientais, o garimpo ilegal favorece a atuação de organizações criminosas responsáveis pelo financiamento e manutenção de complexas redes de logística e abastecimento. Por essa razão, a operação atua não apenas sobre os locais de extração mineral, mas também sobre estruturas de apoio identificadas ao longo da cadeia produtiva da atividade ilícita, buscando interromper sua capacidade operacional e reduzir sua viabilidade econômica.
A extensão territorial da área fiscalizada e a dificuldade de acesso a diversos pontos da Terra Indígena Kayapó exigem o emprego de meios aéreos especializados. A operação tem apoio de aeronaves do Ibama e da Polícia Federal para reconhecimento, transporte de equipes e apoio logístico, ampliando a capacidade de atuação do Estado em áreas remotas da Amazônia.
A inutilização de maquinários, equipamentos, insumos e estruturas associadas ao garimpo ilegal busca interromper imediatamente os danos ambientais em curso, elevar os custos da atividade criminosa e dificultar sua retomada. Paralelamente, as informações produzidas durante a fiscalização contribuem para subsidiar ações de investigação e responsabilização dos envolvidos na exploração ilegal de recursos minerais.
A Operação Xapiri Mebêngôkré integra as ações permanentes de proteção ambiental conduzidas pelo Ibama na Amazônia Legal e reforça o compromisso do Estado brasileiro com a proteção dos territórios indígenas, dos recursos naturais e do patrimônio ambiental nacional.
"Mebêngôkré" é a autodenominação do povo conhecido como Kayapó, habitante tradicional da Terra Indígena Kayapó. O nome da operação faz referência à proteção do território indígena e ao enfrentamento das atividades ilícitas que ameaçam seus recursos naturais e modos de vida.
Assessoria de Comunicação Social do Ibama
imprensa@ibama.gov.br
61 3316-1015

