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Curso capacita brigadistas para a prevenção e o combate a incêndios florestais no Distrito Federal
Aulas práticas reforçam o uso correto de EPIs e ferramentas, fundamentais para a segurança e a eficiência das operações - Foto: Prevfogo/Ibama
Brasília/DF (23/04/2026) – A formação de brigadas voluntárias para a prevenção e combate aos incêndios florestais ganhou reforço no Distrito Federal com a realização do curso de formação de brigadistas florestais ministrado pelo Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), vinculado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Com carga horária de 40 horas, o curso, promovido no âmbito do Plano de Prevenção de Combate a Incêndios Florestais (PPCIF), coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente do DF (Sema), contou com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e ofereceu 20 vagas para a formação de novos brigadistas.
A formação incluiu aulas teóricas e atividades práticas sobre comportamento do fogo, técnicas de prevenção e de combate aos incêndios florestais, manejo integrado do fogo, técnicas de queima controlada, uso e manutenção de equipamentos e ferramentas, SCI e segurança operacional.
Em campo, o treinamento exigiu disciplina, preparo físico, leitura do território e compreensão do comportamento do fogo. O trabalho em equipe e o cuidado com os companheiros de brigada foram destacados como aspectos essenciais para a atuação dos brigadistas, especialmente em situações de risco.
Formado por estudantes, integrantes de brigadas voluntárias de diferentes regiões administrativas do Distrito Federal, ativistas socioambientais, produtores rurais e representantes de agroflorestas, o grupo da Brigada Planalto reuniu uma diversidade de perfis. Apesar das trajetórias distintas, os participantes compartilham o objetivo comum de contribuir para a preservação do Cerrado e a proteção de seus territórios e comunidades.
Para quem atua na linha de frente contra o fogo, o preparo técnico é determinante. A formação contínua, aliada ao uso adequado de equipamentos de proteção individual – EPIs e de combate, contribui para a segurança dos brigadistas e para a eficiência das operações.
Conscientização como ferramenta de prevenção
A capacitação é uma das principais estratégias para o enfrentamento aos incêndios florestais. Ao compreender o comportamento do fogo e adotar práticas adequadas de manejo, brigadistas e comunidades ampliam sua capacidade de prevenção e reduzem a exposição a riscos evitáveis.
A educação ambiental também desempenha papel central nesse processo. O investimento em conscientização contribui para a redução da necessidade de grandes mobilizações de combate aos incêndios, além de diminuir custos operacionais e riscos para brigadistas e comunidades.
Para Cassio Tavares, instrutor e coordenador da Brigada do Prevfogo em Goiás, a prevenção é o melhor combate. “A cada ano investimos mais em educação ambiental e em outras medidas preventivas junto às comunidades e aos produtores rurais, além de cursos para capacitar e fortalecer a atuação das brigadas voluntárias em seus próprios territórios.” informa.

- Brigadistas aprendem técnicas de manejo integrado do fogo, comportamento das chamas e estratégias de prevenção em áreas de Cerrado, em curso
A ideia é fazer com que a informação chegue a quem realmente precisa. “Com isso, diminuímos a necessidade de ações de combate, que envolvem muitos riscos e acabam sendo muito mais caras do que investir em educação ambiental.” conclui Cassio Tavares.
O uso do fogo e seus limites
O uso do fogo faz parte da cultura de diferentes povos e pode ser uma ferramenta importante quando utilizado de forma adequada. No contexto do Manejo Integrado do Fogo, a orientação técnica e o acompanhamento de práticas como queimas controladas são fundamentais para reduzir riscos e impactos ambientais.
Flávio do Carmo, membro da brigada voluntária Amigos das Veredas, vivencia de perto o fogo como elemento de cultura e ferramenta. “Nós também somos agricultores e utilizamos o fogo como medida de prevenção e controle dos incêndios florestais antes do período de estiagem, isolando, com o aceiro negro, as áreas de cultivo e de agroflorestas. Como brigadistas voluntários, nos colocamos à disposição dos demais agricultores da região para a realização das queimas prescritas, com segurança e supervisão.”
O Cerrado é um bioma adaptado ao fogo e, quando este ocorre de forma natural ou manejado corretamente, pode contribuir para processos ecológicos, como a rebrota e a frutificação de espécies nativas. No entanto, o uso inadequado pode causar danos severos ao meio ambiente, ameaçar a biodiversidade e colocar vidas em risco.
Incêndios florestais e ação humana
A maior parte dos incêndios florestais está diretamente relacionada à ação humana. É importante desmistificar a ideia de “combustão espontânea”, frequentemente associada a períodos de estiagem, já que, na maioria dos casos, o fogo tem origem em práticas inadequadas.
Entre os principais fatores estão o descarte irregular de resíduos sólidos, como garrafas de vidro — que podem provocar o efeito lupa —, a ausência de aceiros preventivos e a queima irregular de lixo doméstico, podas ou resíduos agrícolas. Essas ações, muitas vezes realizadas para a limpeza de terrenos e áreas produtivas, aumentam significativamente o risco de incêndios florestais.
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