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Cooperação internacional capacita equipes em análise de comportamento do fogo em incêndios florestais
Em simulação com projeção em caixa de areia, equipes do Ibama e do ICMBio analisam cenários de incêndios florestais para planejar estratégias de combate com mais segurança e precisão - Foto: Mayagndi Inzaugarat - Prevfogo/Ibama
Brasília/DF - (15/06/2026) — Em uma caixa de areia, o avanço das chamas é simulado por meio de projeção. Mas as decisões tomadas nesse exercício reproduzem desafios reais enfrentados por equipes que combatem incêndios florestais em todo o país. É nesse cenário de treinamento que servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) participaram da segunda edição do Curso de Análise do Comportamento do Fogo, realizado no Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), em Brasília.
Organizado com apoio da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) e da Rede Amazônica de Manejo Integrado do Fogo (RAMIF/OTCA), o curso reuniu 40 profissionais que atuam em operações de combate aos incêndios florestais no Brasil, incluindo brigadistas, chefes de esquadrão e gestores operacionais.
Entre teoria e prática, ao longo de cinco dias de capacitação intensiva, de 8 a 12 de junho, os participantes foram treinados para analisar o comportamento do fogo — ou seja, compreender como fatores como vento, relevo e tipo de vegetação influenciam a direção, a velocidade e a intensidade das chamas. Esse tipo de análise é considerado fundamental para o planejamento e a tomada de decisões em campo, especialmente em operações de grande escala.

- Integrantes de brigadas e especialistas durante aula teórica do 2º Curso de Análise do Comportamento do Fogo, realizado no auditório Patico e Avelino do Prevfogo/Ibama, em Brasília - Foto: Mayagndi Inzaugarat - Prevfogo/Ibama
“A análise do comportamento do fogo permite que as equipes antecipem cenários e tomem decisões mais seguras durante as operações. O objetivo do curso é fortalecer essa capacidade técnica, para que brigadistas e gestores possam planejar melhor o combate, reduzir riscos e usar os recursos de forma mais eficiente”, afirma Lawrence Nóbrega, da Coordenação de Monitoramento e Combate do Prevfogo.
Ciência aplicada ao combate
A formação foi conduzida por especialistas portugueses em análise de comportamento do fogo e combinou aulas teóricas com exercícios práticos, incluindo simulações que reproduzem cenários reais de incêndio. O objetivo foi qualificar os participantes para atuar em espaços estratégicos de decisão e fortalecer a resposta às ocorrências.
“A proposta é reunir três dimensões: a empírica, trazida por quem atua diretamente no fogo; a científica, que dá método e fundamenta as decisões; e a tecnológica, com ferramentas como drones, simulações, informações de satélite e dados meteorológicos. É dessa combinação que saem respostas mais eficientes”, explica Fábio Silva, analista de incêndios português e instrutor do curso.
A capacitação seguiu uma linha já adotada em iniciativas anteriores do Ibama, voltadas ao fortalecimento técnico e à melhoria da resposta a incêndios florestais, com foco na tomada de decisão e no apoio às operações.
Mudanças climáticas e incêndios mais intensos exigem novas respostas
A realização do curso ocorre em um contexto de aumento da frequência e da intensidade dos incêndios florestais. As mudanças climáticas têm contribuído para tornar incêndios florestais mais severos e imprevisíveis, ampliando áreas atingidas e dificultando o controle.
“Depois de 12 anos trabalhando com fogo, vi situações recentes em que ele se comportou de uma forma que eu nunca tinha presenciado. Isso mostra que a experiência é importante, mas não basta: é preciso continuar estudando e acompanhando as mudanças no clima, na vegetação e no comportamento do fogo”, afirma Lucas Alves Maia, supervisor de Manejo Integrado do Fogo em Cavalcante (GO).
No Brasil, esse cenário ganha atenção especial no Cerrado e no Pantanal. Episódios de El Niño podem reduzir ou tornar mais irregular o regime de chuvas na região central do país, além de favorecer temperaturas acima da média. O resultado é a redução da umidade, o ressecamento mais rápido da vegetação e o aumento das condições que elevam o perigo de fogo, e consequente a dificuldade de controle e extinção dos incêndios florestais.

- ntegrantes e instrutores do 2º Curso de Análise do Comportamento do Fogo durante o encerramento das atividades na sede do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo/Ibama) - Foto: Mayagndi Inzaugarat - Prevfogo/Ibama
Cooperação internacional e troca de experiências
Além de fortalecer a atuação nacional, o curso também integra esforços de cooperação internacional no enfrentamento aos incêndios florestais. A iniciativa contribui para o intercâmbio de conhecimentos e para o alinhamento de metodologias entre países que compartilham desafios semelhantes.
“Só com integração de conhecimentos, boas práticas e fortalecimento institucional, tanto dos governos quanto das organizações da sociedade civil, será possível enfrentar a crise dos incêndios florestais, que já está em um momento crítico e tende a se intensificar”, avalia Fernando Rodovalho, da GIZ.
A construção de redes técnicas e a troca de experiências entre profissionais são vistas como estratégias importantes para ampliar a capacidade de resposta, especialmente em eventos que ultrapassam fronteiras e exigem coordenação entre diferentes instituições.
Do treinamento à prática em campo
Para os participantes, o curso representou uma oportunidade de transformar experiência prática em conhecimento técnico estruturado. A expectativa é que as ferramentas aprendidas possam ser aplicadas diretamente nas próximas operações.
A compreensão mais precisa do comportamento do fogo contribui, por exemplo, para definir estratégias de combate, posicionar equipes com mais segurança e direcionar melhor os recursos disponíveis, com foco nas janelas de oportunidade de ação.
“Hoje, além de combatentes, precisamos ser “diplomatas” junto ao fogo. É preciso negociar com ele, antecipar seu comportamento e combinar prevenção, manejo e combate para reduzir o risco de quem está na linha de frente”, relata Edward Elias Júnior, analista ambiental do ICMBio.
Em um cenário de incêndios cada vez mais extremos, aprender a prever o comportamento do fogo pode ser decisivo para evitar perdas ambientais, reduzir riscos e salvar vidas. Mais do que uma capacitação técnica, iniciativas como esta apontam para uma mudança de estratégia: compreender o fogo para prevenir e enfrentá-lo com mais eficiência.
Assessoria de Comunicação Social do Ibama
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