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Funai apoia formação de professores indígenas em curso sobre língua materna e saberes ancestrais no Alto Solimões
Com o objetivo de fortalecer a educação escolar indígena e promover a valorização das línguas e saberes tradicionais, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), por meio da Coordenação Regional do Alto Solimões (CR-AS), apoiou a realização do primeiro módulo do Curso de Formação Continuada em Língua Indígena e Saberes Ancestrais. A atividade foi realizada entre os dias 8 e 16 de dezembro de 2025, na comunidade indígena Mari Mari, localizada na Terra Indígena Uati Paraná, no município de Tonantins (AM).
Com uma carga horária de 80 horas/aula, o curso reuniu 60 professores indígenas das etnias Tikuna, Kokama e Kaixana. A formação teve como foco principal o fortalecimento da língua materna, a valorização dos conhecimentos ancestrais e o apoio à construção do Projeto Político Pedagógico da Escola Indígena (PPPI).
O curso foi conduzido por três professores formadores indígenas da Organização Geral dos Professores Tikuna Bilíngues (OGPTB): Mario Félix Irineu, Bernabé Bittencourt Serra e Teodorino Manduca Carvalho. A grade curricular contemplou conteúdos como Introdução à Língua e Literatura Indígena, Ancestralidade, Oralidade e Memórias, além de abordagens sobre Antropologia e Sociologia da Educação no contexto indígena.
Para o professor Mario Félix Irineu, indígena Tikuna, coordenador do projeto e secretário da OGPTB, “a necessidade de formação continuada é uma demanda constante identificada pela própria organização e pelas comunidades”. Ele ressalta que o curso busca suprir lacunas na educação bilíngue e na produção de materiais didáticos específicos, e destaca que esse processo precisa ser apoiado pelas instituições governamentais para garantir sua continuidade.
A relevância da iniciativa também foi destacada pelos participantes. A professora Viviana Garcia Tananta, da etnia Kokama e residente na comunidade indígena Santa Cruz, afirmou que a formação valorizou a língua, os saberes ancestrais e fortaleceu a identidade do seu povo. Segundo ela, a atividade contribuiu ainda para ampliar o respeito à cultura indígena e para manter vivas as tradições entre as novas gerações.
O professor Josué Rodrigues Ramos, também da etnia Kokama e residente na comunidade Nova União, afirmou: “Para mim, como educador, essa formação está sendo muito importante, pois estou adquirindo muito conhecimento da ancestralidade, como o resgate da cultura indígena e como mantê-la viva. Algo a ser levado e transmitido para os alunos da minha aldeia. Espero poder participar dos próximos módulos dessa formação”, concluiu.
Atuação da CR-AS
A CR-AS, por meio do Serviço de Promoção aos Direitos Sociais e Cidadania (Sedisc), teve participação ativa em todas as fases do projeto. Desde o mapeamento inicial das necessidades até o planejamento estratégico e pedagógico, a Funai contribuiu diretamente com aspectos como elaboração de conteúdos, apoio logístico, transporte, combustível, diárias dos formadores e alimentação dos participantes.
Segundo Cleonilde Nascimento, servidora da CR-AS e pesquisadora, “a educação escolar indígena só cumpre seu papel quando o currículo reflete, de forma genuína, a cultura, os saberes e as necessidades reais de cada povo”. Ela afirma que, ao fortalecer o ensino da língua materna e valorizar os saberes ancestrais, a Fundação está fornecendo ferramentas concretas para combater a assimilação cultural e fortalecer a identidade étnica das futuras gerações.
Contexto e encaminhamentos
A formação foi promovida em parceria com a OGPTB e a Secretaria Municipal de Educação de Tonantins (SEMED). A iniciativa integra o “Projeto Ngewane” e surgiu como resposta às demandas identificadas durante visitas técnicas de monitoramento da educação escolar indígena, realizadas entre 2023 e 2024 nos municípios de Tabatinga, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá, Tonantins e Jutaí.
Além do módulo inicial, estão previstos mais dois módulos complementares ao longo de 2026, com expansão da formação para os municípios de Benjamin Constant, Amaturá e São Paulo de Olivença. A iniciativa reforça o compromisso da Funai e da OGPTB com a qualificação dos educadores indígenas e a construção de uma educação que reflita, de forma genuína, as identidades e realidades de cada povo.
Coordenação de Comunicação Social/Funai