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Em carta, Grupo de Agricultores Indígenas defende liberdade e autonomia de comunidades produtoras

Publicado em 29/03/2021 20h35 Atualizado em 29/03/2021 20h47

Três porta-vozes do Grupo de Agricultores e Produtores Indígenas assinaram nesta segunda-feira (29) uma carta destinada a instituições europeias, na qual o grupo rebate a representação e denúncias pessoais divulgadas pela indígena Sônia Guajajara em canais de comunicação, muitos deles ligados a organizações não governamentais (ONGs). 

“Essa indígena, pertencente a etnia Guajajara – apenas uma dentre as 305 existentes no Brasil, fala por si só. Não tem apoio sequer de sua própria gente, os Guajajara – habitantes do Estado brasileiro do Maranhão, e nem procuração e/ou autorização para falar em nome dos 305 povos indígenas existentes no Brasil”, destacam os porta-vozes Felisberto Cupudunepá, da etnia Umutina, Edson de Oliveira Santos, do povo Bakairi, e Paulo Pontes Lúcio, da etnia Fulni-ô. 

“Infelizmente pessoas como essa indígena, com clara posição contrária ao atual Governo legalmente constituído, inclusive com nossos votos, insistem em querer falar em nossos nomes. Essa situação é totalmente absurda, pois não precisamos de ninguém falando por nós”, enfatizam as lideranças. “O fato é que essa gente quer fazer a opinião pública nacional e internacional acreditar que no Brasil todos os Povos Indígenas são iguais e que vivem nas florestas cantando e dançando; pintados e nus; caçando e pescando para sobreviver, felizes e alheios ao mundo exterior. Querem que todos acreditem que precisamos de alguém para nos salvar do suposto Governo malvado”, acrescentam. 

Os porta-vozes apontam ainda que a não assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, o que é defendido por Sônia Guajajara, prejudicará as exportações brasileiras, e, consequentemente, os próprios indígenas que já empreendem e produzem.  “O que essa indígena e outros vêm fazendo é, em nossa opinião, um crime contra os próprios indígenas, pois muitos já produzem soja, café, pescado e frutas (cacau e castanha do Brasil) que são exportados para vários países, inclusive da Europa, sem destruir a floresta ou outro bioma, pelo contrário, ajudando a cuidar e defender o meio ambiente”, ressaltam. 

O incentivo a atividades produtivas em Terras Indígenas, com foco na sustentabilidade, está entre as prioridades da atual gestão da Funai. “Ao impulsionar a produção de forma responsável nesses territórios, a fundação colabora para que os indígenas ampliem o cultivo, conquistem novos mercados e se tornem autossuficientes. Desta forma, contribuímos sobremaneira para a melhoria das condições de vida nas aldeias, sempre respeitando a autonomia de cada comunidade”, destaca o presidente da Funai, Marcelo Xavier. 

O Grupo de Agricultores Indígenas é formado por representantes de mais de 70 povos de todas as regiões do país. O coletivo defende a autonomia, a liberdade e o protagonismo das diferentes populações, bem como a geração de renda por meio de atividades agrícolas sustentáveis nas Terras Indígenas.

Confira abaixo a íntegra da Carta do Grupo de Agricultores e Produtores Indígenas:

Assessoria de Comunicação/Funai

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