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Azelene Kaingang, coordenadora da Funai em Chapecó (SC), é a entrevistada da semana em homenagem ao Mês do Servidor Público

Publicado em 15/10/2020 15h01 Atualizado em 15/10/2020 17h12
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Azelene Inácio Kaingang durante o Primeiro Encontro de Agricultores Indigenas da Região Sul, dezembro de 2019

Azelene Inácio é indígena do povo Kaingang da metade Kamé. Com formação em Sociologia, Azelene é servidora da Fundação Nacional do Índio (Funai) há 30 anos. Foi assessora, coordenadora-geral Geral de Defesa dos Direitos Indígenas, diretora de Proteção Territorial e atualmente exerce o cargo de coordenadora regional substituta na unidade da Funai em Chapecó (SC), a Coordenação Regional Interior Sul. 

Dentre as contribuições mais importantes para os direitos indígenas, Azelene foi representante dos povos indígenas do Brasil na formulação da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, assim como na formulação da Declaração Americana sobre os Direitos dos Povos Indígenas, no âmbito da Organização dos Estados Americanos (OEA). Azelene também participou do Fórum Permanente da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Questões Indígenas. 

Pergunta: Para você, o que significa trabalhar com a política indigenista?

Resposta: Significa fazer, realizar, avançar, transformar, melhorar vidas e conquistar coletivamente o bem-estar dos povos indígenas! Construir a autonomia e respeitar as formas de vida de cada povo e ter a consciência do tamanho da minha responsabilidade ao escolher trabalhar com tanta diversidade. 

Pergunta: Qual é a importância da Funai para a garantia dos direitos indígenas e da autonomia dos povos tradicionais?

Resposta: A Funai é o órgão responsável por pavimentar o caminho para a autonomia dos povos indígenas, embora reconheça que o órgão careça de estrutura para tal. A fundação tem expertise, qualidade e conhecimento, além de ser a principal referência dos povos indígenas na estrutura do Estado. 

Esta Nova Funai tem a oportunidade de romper paradigmas em relação à sustentabilidade econômica dos povos indígenas, sempre respeitando as escolhas de cada etnia. A grande bandeira agora é viabilizar e promover o desenvolvimento, para garantir a dignidade e a cidadania dos indígenas brasileiros. 

Pergunta: Qual projeto ou ação da Funai que foi mais marcante para você? 

Resposta: Na minha carreira como indigenista, destaco três momentos muito especiais e importantes para mim e para os povos indígenas: 

• a realização da Primeira Conferência Nacional dos Povos Indígenas em 2006, onde, pela primeira vez, povos de todas as regiões do país colocaram sobre a mesa, de forma livre, as questões mais relevantes para as gerações futuras. Naquele tempo já se falava em desenvolvimento, fim da tutela e autonomia; 

• a histórica Reunião de Negociações para a Busca de Consensos no texto da Declaração Americana sobre os Direitos dos Povos Indígenas, que o governo brasileiro sediou em conjunto com a OEA em 2006. A Funai chamou para si a responsabilidade de organizar o evento recebendo dezenas líderes indígenas das Américas, momento histórico para os Povos Indígenas do Brasil; 

• no momento atual, destaco a postura da Funai frente à pandemia da covid-19, que de forma valente, honesta e proba, evitou que muitas vidas indígenas se perdessem com a contaminação pelo novo coronavírus, levando a cabo ações como a distribuição de alimentos, assegurando o direito humano a alimentação e também, no caso da Região Sul, a distribuição de cobertores e colchões para o isolamento de indígenas seja nas suas casas ou em estruturas especificas. Pela primeira vez, vivenciei um momento de união, empenho e muita dedicação para fazer chegar às comunidades indígenas itens imprescindíveis ao bem-estar deles durante a pandemia. 

Pergunta: Qual mensagem você deixaria para os servidores da Funai neste Mês do Servidor? 

Resposta: Tive o privilégio de trabalhar com grandes nomes do indigenismo brasileiro, desde Apoena Meirelles a Rieli Franciscato, dos quais trago lições para a vida. Porém, não posso deixar de registrar que, como indígena, já fui e ainda sou discriminada dentro da Funai. Mas quero dizer que cada servidor, desde o cargo menos remunerado até a mais alta remuneração, merecem respeito, merecem ser tratados com dignidade e igualdade, independentemente de suas ideologias e da cor de suas bandeiras. Os povos indígenas esperam muito de cada um de nós servidores. A efetiva conquista da autonomia e de uma vida mais digna para as nossas comunidades depende de cada contribuição que cada servidor coloca nessa caminhada. Quero parabenizar a todos, aos aposentados, que já cumpriram sua missão, e agradecer por cada contribuição! Agradecer àqueles que já estão no outro plano e que de lá nos auxiliam e nos confortam. Muito obrigada a cada Servidor! Que o Grande Espírito nos ilumine sempre!

 

Assessoria de Comunicação Social / Funai

Com informações da Coordenação Regional Interior Sul

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