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DESPEDIDA
Nota de pesar: Zuenir Ventura
Foto: Divulgação
O Ministério da Cultura (MinC) lamenta a morte do jornalista e escritor Zuenir Ventura, aos 95 anos, nesta terça-feira (22). Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Zuenir acompanhou acontecimentos importantes da história recente do Brasil e transformou parte de sua experiência como repórter em livros que se tornaram referências do jornalismo e da literatura brasileira.
Nascido em 1º de junho de 1931, em Além Paraíba (MG), Zuenir teve diferentes ocupações antes de ingressar no jornalismo. Foi pintor de parede, office-boy e arquivista, além de ter atuado como professor universitário. Começou a trabalhar na imprensa em 1956, na Tribuna da Imprensa, e, ao longo da carreira, passou por veículos como Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ e Jornal do Brasil. Também atuou como colunista de O Globo.
Em 1988, publicou 1968 – O Ano que Não Terminou, obra que recupera acontecimentos e transformações daquele período da história brasileira e que posteriormente inspirou a minissérie Anos Rebeldes. No ano seguinte, foi ao Acre como repórter especial para acompanhar as investigações sobre o assassinato do líder seringueiro Chico Mendes. A série de reportagens resultante desse trabalho recebeu os prêmios Esso de Jornalismo e Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.
Outro marco de sua produção foi Cidade Partida, publicado em 1994. A obra nasceu da experiência do jornalista em Vigário Geral, no Rio de Janeiro, após a chacina que deixou 21 mortos em 1993, e aborda temas como violência e desigualdade social. Em 1995, o livro conquistou o segundo lugar do Prêmio Jabuti na categoria Reportagem.
Zuenir também publicou obras como Chico Mendes: Crime e Castigo, 1968: O que Fizemos de Nós e Sagrada Família. Em 2014, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL), onde ocupou a Cadeira nº 32, na sucessão de Ariano Suassuna. Tomou posse em março de 2015.
Ao unir reportagem, memória e literatura, Zuenir Ventura construiu uma obra dedicada a registrar e interpretar diferentes momentos da vida brasileira, deixando uma contribuição para o jornalismo, a literatura e a cultura do país.
O Ministério da Cultura manifesta solidariedade aos familiares, amigos, colegas de profissão e leitores de Zuenir Ventura.