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DESPEDIDA
Nota de pesar: Zélia Amador de Deus
Foto: Reprodução
O Ministério da Cultura (MinC) lamenta a morte de Zélia Amador de Deus, aos 74 anos, nesta terça-feira (8), em Belém (PA). Professora, pesquisadora, escritora, atriz, diretora de teatro e ativista, Zélia construiu uma trajetória que uniu arte, educação e defesa dos direitos da população negra e das comunidades quilombolas, tornando-se uma referência da luta antirracista na Amazônia e no Brasil.
Nascida em 24 de outubro de 1951, no Marajó paraense, Zélia mudou-se para Belém aos 15 anos. Na Universidade Federal do Pará (UFPA), cursou Licenciatura em Língua Portuguesa e formação de atores, dando início a uma relação de mais de cinco décadas com a instituição, onde ingressou como professora em 1978.
A arte esteve presente desde o início de sua trajetória. Como atriz e diretora, Zélia participou ativamente da cena teatral paraense e integrou a criação do grupo Cena Aberta, que marcou o teatro de Belém nas décadas de 1970 e 1980. Sua atuação artística dialogou com questões sociais e raciais que também atravessariam sua produção acadêmica e sua participação nos movimentos sociais.
Uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), Zélia teve atuação destacada na defesa dos direitos da população negra, no reconhecimento e na titulação de territórios quilombolas e na construção de políticas de ações afirmativas. Também participou das mobilizações em defesa das cotas raciais, do acesso de estudantes quilombolas ao ensino superior e da permanência de grupos historicamente excluídos nas universidades.
Em 2001, integrou a delegação brasileira na Conferência Mundial contra o Racismo, realizada em Durban, na África do Sul. Na UFPA, ocupou diferentes funções, entre elas a direção do então Centro de Letras e Artes e a vice-reitoria, entre 1993 e 1997. Participou ainda da criação do Grupo de Estudos Afro-Amazônico (Geam) e de iniciativas voltadas à ampliação da presença da população negra na universidade.
Em reconhecimento à sua contribuição acadêmica e social, Zélia recebeu, em 2019, o título de professora emérita da Universidade Federal do Pará.
Ao longo de sua trajetória, Zélia Amador de Deus contribuiu para aproximar arte, produção de conhecimento e enfrentamento ao racismo, com atuação especialmente voltada às experiências e aos direitos da população negra na Amazônia. Seu trabalho permanece como referência para a cultura, a educação, os direitos humanos e o movimento negro brasileiro.
O Ministério da Cultura manifesta solidariedade aos familiares, amigos, colegas, alunos e toda comunidade alcançada pela trajetória de Zélia Amador de Deus.