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DESPEDIDA
Nota de pesar: Maria Elisa Costa
Foto: Marcelo Sant'Anna
O Ministério da Cultura (MinC) lamenta o falecimento da arquiteta e urbanista Maria Elisa Costa, nesta terça-feira (25), aos 91 anos. Com uma trajetória dedicada à arquitetura, ao planejamento urbano e à preservação do patrimônio cultural, ela teve participação relevante na história de Brasília e também esteve à frente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Nascida no Rio de Janeiro, em 1934, Maria Elisa Modesto Guimarães Costa era filha do arquiteto e urbanista Lucio Costa, autor do projeto urbanístico do Plano Piloto de Brasília, e de Julieta Guimarães Costa. Seguiu os caminhos da arquitetura e formou-se, em 1958, pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
No ano seguinte à graduação, ingressou na Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), onde atuou na Divisão de Urbanismo do Departamento de Urbanismo e Arquitetura durante os primeiros anos de implantação da nova capital federal. Sua experiência profissional permaneceu profundamente ligada à cidade, tanto na elaboração e análise de projetos quanto nas discussões sobre o desenvolvimento urbano e a preservação das características que tornaram Brasília um marco da arquitetura e do urbanismo modernos.
Ao longo da carreira, Maria Elisa também se dedicou a estudos voltados ao futuro e à conservação do Plano Piloto. Entre esses trabalhos está Brasília 57-85: do plano-piloto ao Plano Piloto, desenvolvido com o arquiteto Adeildo Viegas de Lima, sob a assessoria de Lucio Costa. O estudo apresentou uma leitura da realidade urbana da capital e reuniu recomendações para sua preservação e desenvolvimento, contribuindo para reflexões que posteriormente integraram o documento Brasília Revisitada.
Sua atuação alcançou ainda a gestão pública do patrimônio cultural brasileiro. Em 2003, Maria Elisa Costa assumiu a presidência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), instituição responsável pela proteção e promoção do patrimônio cultural do país. Também se dedicou à preservação e à difusão da obra de Lucio Costa, colaborando para a organização de seu acervo e para publicações que ajudaram a manter vivo e acessível o pensamento de um dos principais nomes da arquitetura brasileira.
Maria Elisa construiu, assim, uma trajetória própria e significativa, associando arquitetura, memória, urbanismo e compromisso com a preservação do patrimônio cultural. Sua contribuição permanece inscrita na história de Brasília e na reflexão sobre a proteção das referências arquitetônicas e urbanísticas brasileiras.
O Ministério da Cultura se solidariza com a filha, Julieta, as netas Clara, Julia e Sofia, familiares, amigos, colegas de profissão e todas as pessoas que acompanharam e admiraram sua trajetória.