Notícias
AUDIOVISUAL
Ancine celebra 25 anos de atuação pelo audiovisual brasileiro
.
Das salas de cinema às produções que atravessam fronteiras e chegam a públicos de diferentes países, o audiovisual brasileiro passou por profundas transformações nas últimas duas décadas e meia. Parte dessa trajetória se confunde com a história da Agência Nacional do Cinema (Ancine), que completa 25 anos neste domingo, 6 de setembro.
Criada em 2001, a Agência atua na regulação, fiscalização e no desenvolvimento do mercado audiovisual brasileiro. Ao longo desse período, acompanhou mudanças tecnológicas, novos modelos de produção e distribuição e a expansão das formas de acesso às obras audiovisuais, ao mesmo tempo em que consolidou instrumentos voltados ao fortalecimento da atividade no país.
Os 25 anos chegam em um momento de presença expressiva do cinema brasileiro dentro e fora do Brasil. Segundo o Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro, divulgado em agosto pela Ancine, a participação das produções nacionais no mercado de salas de cinema passou de 3,3% em 2023 para cerca de 10% em 2024 e 2025.
O parque exibidor alcançou o recorde histórico de 3.544 salas em funcionamento, com expansão para 12 novos municípios. Em 2025, 367 filmes brasileiros foram exibidos nos cinemas e reuniram mais de 11 milhões de espectadores.
Os dados também revelam o crescimento da produção nacional. O país chegou ao recorde de 3.979 Certificados de Produto Brasileiro (CPBs) emitidos e contabilizou 124 coproduções internacionais entre 2023 e 2025, ampliando a presença do audiovisual brasileiro para além das fronteiras nacionais.
Esse movimento segue em setembro. Grandes estreias brasileiras previstas para o mês devem ocupar mais de 1.500 salas de quase 800 cinemas, os maiores números já registrados para lançamentos nacionais.
Cinema brasileiro além das fronteiras
A ampliação da produção e da circulação das obras brasileiras também tem sido acompanhada pelo reconhecimento em alguns dos principais festivais e premiações internacionais.
Em 2025, Ainda Estou Aqui conquistou o primeiro Oscar do Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional. Na sequência, O Agente Secreto recebeu os prêmios de Melhor Direção e Melhor Ator no Festival de Cannes, venceu as categorias de Melhor Filme de Língua Não-Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama no Globo de Ouro e chegou a quatro indicações ao Oscar de 2026.
Os resultados se somam ao avanço das coproduções internacionais e à circulação de profissionais, narrativas e obras brasileiras em diferentes mercados, festivais e espaços de exibição.
Uma agência em transformação
Ao longo de seus 25 anos, a Ancine também acompanhou as mudanças do próprio setor audiovisual. A Lei Geral das Agências Reguladoras fortaleceu instrumentos de governança, autonomia decisória e transparência. Nesse processo, foram aperfeiçoados mecanismos como a Cota de Tela Cinematográfica, as leis de incentivo e os Fundos de Financiamento da Indústria Cinematográfica Nacional (Funcines), além da adoção de Análises e Avaliações de Impacto Regulatório na elaboração e revisão de normas.
A produção e a disponibilização de informações sobre o mercado ganharam espaço com a reformulação do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA), que reúne dados sobre diferentes segmentos do setor e oferece subsídios para pesquisas, acompanhamento do mercado e formulação de políticas públicas.
A atuação da Agência também alcança desafios trazidos pelas novas formas de consumo audiovisual. Em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ações de enfrentamento à pirataria resultaram em uma redução média de 80,5% no acesso aos serviços ilegais monitorados.
Na área de acessibilidade, normas da Ancine universalizaram recursos visuais e auditivos no parque exibidor brasileiro. O projeto Cinema Brasileiro de Todos e para Todos também incorporou a participação de espectadores ao processo de aprimoramento das regras de acessibilidade da Agência.
Gestão e novos serviços
As transformações chegaram ainda aos processos internos. O projeto Malha Fina Ancine, desenvolvido em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), permitiu analisar e homologar cerca de 5,7 mil prestações de contas pendentes, relacionadas a um passivo acumulado ao longo de quase duas décadas. O trabalho representou economia superior a R$ 1,4 bilhão aos cofres públicos.
A modernização também avançou no atendimento. O Cine Bot, assistente virtual desenvolvido pela própria Agência, foi criado para facilitar o acesso a informações sobre a Ancine e o setor audiovisual. Nesta fase inicial, a ferramenta está disponível para servidores e usuários externos e responde, em linguagem natural, a dúvidas sobre prestação de contas e processos de fiscalização. A previsão é ampliar progressivamente o serviço para temas como fomento, regulação e mercado audiovisual.
25 anos e novos caminhos
Ao completar 25 anos, a Ancine acompanha um audiovisual muito diferente daquele existente no momento de sua criação. A expansão do streaming, o crescimento do Vídeo por Demanda (VoD), as novas formas de circulação das obras e as mudanças nos hábitos do público apresentam novos desafios para a regulação e o desenvolvimento do setor.
Nesse cenário em constante transformação, a história da Agência segue ligada à de quem faz o audiovisual brasileiro acontecer: produtores, realizadores, distribuidores, exibidores, profissionais do setor e públicos. São 25 anos acompanhando um cinema que se transforma, amplia sua presença e continua levando às telas a diversidade de histórias, sotaques e territórios do Brasil.