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AGRICULTURA

Cápsula de biocarvão pode semear e fertilizar o solo

Bolsista da CAPES na Universidade Federal do Espírito Santo desenvolveu material compacto para melhores condições de plantio
Publicado em 28/07/2021 13h51 Atualizado em 13/08/2021 15h14

Um bolsista da CAPES desenvolveu cápsulas feitas de biocarvão, material que altera características físicas, químicas e biológicas do solo, diminuindo a acidez. O interior da estrutura pode levar uma semente, o que contribui para o plantio ou replantio de diversas áreas. Com isso  produtores rurais podem ter mais alternativas na hora de semear.

“O solo brasileiro, em regra, é ácido. Já o biocarvão, que é o carvão vegetal para uso no solo, tem o pH alto. Ele fertiliza e possibilita às plantas acesso a nutrientes antes não disponíveis”, diz Álison Moreira da Silva, mestre em Ciências Florestais pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) com bolsa da CAPES. “A isso, se soma a semente, com a qual conseguimos, por exemplo, reflorestar locais degradados”, explica.

O biocarvão é o carvão vegetal adaptado para o uso no solo e encontra-se, geralmente, em pó. A cápsula foi uma solução pensada para dar mais peso à semeadura. “A cápsula é pesada o bastante para ser muito mais difícil de ser levada pelo vento do que o pó, mas suficientemente leve para ser transportada em drones, possibilitando chegar a locais de difícil acesso, como o topo de morros”, afirma Silva.

Já a inserção da semente se dá porque, além de melhorar o solo, o biocarvão retém muita água. Segundo o pesquisador, houve perdas de algumas antes da germinação, mas no caso das que cresceram, as características ficaram iguais às plantações tradicionais.

Ananias Júnior, professor-adjunto do Departamento de Ciências Florestais e da Madeira da Ufes e orientador de Álison Silva no mestrado, acredita que o Brasil pode evoluir no uso do biocarvão. “O Brasil é o maior produtor de carvão vegetal no mundo, mas o uso é prioritariamente na indústria siderúrgica e em churrascos. A aplicação no solo não é algo em larga escala como feito em outros países, como   Canadá, Estados Unidos e França”, afirma.

Um olhar de fora, aliás, contribuiu para a pesquisa. A ideia de desenvolver a cápsula se consolidou após um contato da equipe com Shinjiro Sato, professor da Universidade Soka e especialista no tema no Japão. A parceria se estabeleceu quando o grupo da pesquisa pensava em levar o tema para o Oriente por meio do Programa CAPES/JSPS, tocado em parceria pela Fundação e a Sociedade Japonesa para Promoção da Ciência (JSPS). A ida ao Japão não prosperou, mas o elo se manteve.

Os trabalhos continuam. As cápsulas estão em processo de patenteamento. Parcerias para comercializar o produto são analisadas pelo Instituto de Pesquisa e Estudos Florestais (Ipef), sociedade civil mantida por empresas em parceria com o Departamento de Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP), onde Álison Silva cursa doutorado, novamente com bolsa da CAPES.

Legenda das imagens:
Banner: Bolsista da CAPES desenvolveu material compacto para melhores condições de plantio (Foto: Arquivo Pessoal) 
Imagem 1: Álison Moreira da Silva mede uma planta germinada dentro de uma cápsula de biocarvão (Foto: Arquivo Pessoal) 
Imagem 2: Cápsula de biocarvão neutraliza a acidez e leva uma semente em seu interior, facilitando o plantio (Foto: Arquivo Pessoal) 

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação CCS/CAPES)
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