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Lula faz chamamento aos homens contra violência de gênero e reforça políticas para inclusão no campo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, nesta terça-feira (24), um apelo direto aos homens brasileiros pelo fim da violência contra as mulheres. A fala aconteceu durante a 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (CNDRSS), em Brasília, na presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes.
“Aqui é um chamamento aos homens. O cara do nosso meio que bate numa mulher, ele não merece respeito nosso. Não é possível que alguém tenha coragem de levantar a mão para bater numa mulher. Nós não somos donos delas”, afirmou Lula.
O presidente também criticou a naturalização da violência de gênero e reforçou que as relações devem ser baseadas no respeito e na autonomia das mulheres.
Lula destacou que o fim dos relacionamentos deve ocorrer de forma civilizada, sem violência: “Quando ela não quiser mais, ela manda a gente embora. E a gente vai chorar em outro lugar”, destacou o presidente, ressaltando que isso deve ser feito de forma pacífica e digna.
Aqui é um chamamento aos homens. O cara do nosso meio que bate numa mulher, ele não merece respeito nosso. Não é possível que alguém tenha coragem de levantar a mão para bater numa mulher. Nós não somos donos delas”
Presidente Lula
Ao dialogar diretamente com trabalhadores do campo, Lula reforçou a responsabilidade coletiva. “Esse trabalhador rural não pode levantar a mão, a não ser para ter carinho da sua mulher. Ou para lavar a louça”, reforçou.
Na fala, o presidente também criticou a desigualdade social e a invisibilização da população mais pobre, destacando o papel do Estado na promoção da inclusão. “Eles não gostam que a gente cuide de pobre. Pobre é tratado como invisível nesse país. E eu quero que o povo seja reconhecido. Que as mulheres sejam respeitadas”, ressaltou o presidente.
Pacote de medidas estruturantes
Durante a conferência, o governo federal anunciou um conjunto de medidas estruturantes voltadas à reforma agrária, à regularização fundiária e ao fortalecimento da agricultura familiar.
As ações voltadas aos territórios quilombolas — pauta estratégica para o Ministério das Mulheres — tiveram destaque na agenda, reforçando o compromisso do Governo do Brasil com o enfrentamento das desigualdades históricas da população negra.
Durante a conferência, foram assinados:
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nove decretos de desapropriação para comunidades quilombolas, em sete estados, beneficiando 590 famílias em 12 mil hectares;
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A titulação do Território Quilombola de Alcântara (MA), com 45,9 mil hectares;
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A concessão de 18 títulos para 10 territórios quilombolas, em oito estados, totalizando 5,6 mil famílias e 59,5 mil hectares.
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Outros sete decretos para áreas com conflitos agrários ou que não cumprem função social, alcançando 479 famílias em 15,4 mil hectares.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, comemorou as assinaturas, que buscam a inclusão social das mulheres que vivem em comunidades quilombolas. “É preciso ter essa consciência política para entender as realidades das mulheres em toda a sua diversidade. As medidas anunciadas pelo presidente Lula fazem parte do processo de reconstrução do país, retomado em 2023”’, disse.
Reconstrução e políticas públicas
Entre as medidas anunciadas pelo governo federal estão:
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R$ 2,5 bilhões para aquisição de terras em 2026 no âmbito da reforma agrária;
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Criação do Programa Terras do Brasil, para regularização fundiária e organização da governança da terra;
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Regulamentação do Garantia Safra, com foco na adaptação às mudanças climáticas no semiárido;
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Financiamentos e incentivos produtivos, incluindo crédito para máquinas, recuperação de áreas degradadas e estímulo à agroecologia;
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R$ 150 milhões em inovação, voltados a soluções sustentáveis para a agricultura familiar.

- 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (CNDRSS)
Sobre a 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário
Com o tema “Uma agenda política de transformação agroecológica para o Brasil Rural, a conferência reuniu representantes de todo o país para definir diretrizes de políticas públicas voltadas aos povos do campo, das águas e das florestas, com foco em soberania alimentar, desenvolvimento sustentável e inclusão social, pilares diretamente relacionados à autonomia e à proteção das mulheres nos territórios.
O encontro marcou a retomada da participação social na formulação de políticas públicas e a construção de um novo ciclo de desenvolvimento rural sustentável, com foco na produção de alimentos, na inclusão social e na soberania alimentar.
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