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SEGURANÇA PÚBLICA
Brasil registra 63,4 mil pessoas localizadas em 2025 e amplia diagnóstico sobre desaparecimentos no País
Brasília, 2/9/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), lançou o Relatório Estatístico Anual de Pessoas Desaparecidas e Localizadas – Anos-base 2024 e 2025, que reúne dados de todo o País sobre desaparecimentos, localizações e o perfil das pessoas registradas.
Em 2025, 81.064 desaparecimentos foram comunicados às forças de segurança, uma média de 222 registros por dia. No mesmo período, 63.463 pessoas foram localizadas no País, média de 174 por dia e aumento de 11,02% em relação às 57.164 localizações registradas em 2024.
A publicação consolida informações encaminhadas pelas Autoridades Centrais Estaduais e Distrital (ACEs) da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas e analisa os registros por Unidade da Federação e região, além de apresentar recortes por sexo, faixa etária e raça/cor. No caso das pessoas localizadas, o levantamento também analisa informações disponíveis sobre as causas dos desaparecimentos.
Base comparável aponta redução dos registros
O relatório destaca uma ressalva importante na comparação dos dados de desaparecimento dos dois anos. Ceará, Maranhão, Rio de Janeiro e Espírito Santo ampliaram a cobertura territorial das informações encaminhadas à Senasp no último ano. Em 2024, os dados desses estados abrangiam apenas a capital ou a capital e a região metropolitana; em 2025, passaram a cobrir todo o território estadual.
Por esse motivo, embora o total bruto de desaparecimentos tenha passado de 77.013 para 81.064, crescimento de 5,26%, a análise dos estados com bases comparáveis apresenta comportamento diferente.
Para o diretor de Gestão e Integração de Informações da Senasp, Joaquim Carvalho Filho, a consolidação das informações em âmbito nacional contribui tanto para a compreensão do fenômeno quanto para a atuação integrada dos órgãos responsáveis pelas buscas.
“A consolidação desses dados em um relatório nacional é um passo fundamental para fortalecer a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas. Quando conseguimos reunir, padronizar e analisar as informações produzidas pelos estados e pelo Distrito Federal, ampliamos a capacidade de compreender o fenômeno e, principalmente, de trabalhar de forma integrada. O desaparecimento não pode ser tratado dentro dos limites de um estado. A circulação dessas informações em rede permite conectar registros, apoiar as investigações e aumentar a capacidade das forças de segurança de localizar pessoas. Ao mesmo tempo, o relatório nos mostra onde ainda precisamos avançar na qualidade, na completude e na padronização dos dados”, destaca Joaquim Carvalho.
Maioria dos desaparecidos é adulta e do sexo masculino
Os homens representaram 64% dos registros de desaparecimento em 2025, com 51.910 ocorrências, enquanto as mulheres corresponderam a 35,3%, com 28.622 registros.
No recorte por idade, os adultos de 18 a 59 anos concentraram 52.975 registros, seguidos pelos adolescentes de 12 a 17 anos, com 17.280. Foram registrados ainda 6.624 desaparecimentos de idosos e 2.293 de crianças de até 11 anos.
O perfil apresenta diferenças importantes quando idade e sexo são analisados conjuntamente. Dos adolescentes desaparecidos em 2025, 63,3% eram do sexo feminino. Já entre os adultos, 73,1% eram homens; entre os idosos, a participação masculina foi de 70,6%.
Pessoas localizadas
O número de pessoas localizadas aumentou de 57.164 em 2024 para 63.463 em 2025. O Sudeste concentrou 28.376 localizações, ou 44,7% do total nacional, seguido pelo Sul, com 17.347.
Do total de pessoas localizadas em 2025, 62,6% eram homens e 37,2% mulheres. Os adultos também representaram a maior parcela das localizações, com 39.527 pessoas, ou 62,3% do total. Os adolescentes responderam por 15.541 registros; idosos, por 6.030; e crianças, por 1.824.
O relatório traz ainda uma análise específica das pessoas que desapareceram e foram localizadas no mesmo ano. Em 2025, foram contabilizadas 33.766 localizações de pessoas cujo desaparecimento também havia sido registrado naquele ano. Esse recorte é informado diretamente pelas Autoridades Centrais Estaduais e Distrital, com cobertura diferente nas unidades da Federação.
Segundo o diretor do Sistema Único de Segurança Pública da Senasp, João Alberto Nogueira Junior, a diversidade de situações que podem resultar no desaparecimento de uma pessoa exige atuação integrada e compartilhamento de informações pelos entes federativos.
“O desaparecimento de pessoas é um fenômeno multicausal e complexo, que pode envolver desde desaparecimentos voluntários e rompimento de vínculos familiares até transtornos mentais, situações de vulnerabilidade social ou ocorrências relacionadas a práticas criminosas. Por isso, o enfrentamento desse problema exige uma atuação articulada entre o Governo Federal, os estados e o Distrito Federal. O compartilhamento de informações permite produzir dados mais qualificados sobre o número de pessoas desaparecidas, o perfil dessas pessoas e as circunstâncias associadas aos casos”, afirma Nogueira Junior.
O diretor ressalta que a consolidação das informações também é essencial para orientar as ações dos órgãos responsáveis pela busca e localização.
“Esse esforço é fundamental para ampliar a compreensão sobre o fenômeno e orientar políticas públicas mais eficazes, fortalecendo ações de prevenção e aprimorando protocolos, estratégias e capacidades dos órgãos de segurança pública responsáveis pela busca, localização e identificação de pessoas desaparecidas”, completa.
Diferenças entre regiões
Em números absolutos, o Sudeste concentrou 35,6% dos desaparecimentos registrados em 2025, com 28.838 casos, seguido pelo Sul, com 23.155 (28,6%); Nordeste, com 14.664 (18,1%); Centro-Oeste, com 9.594 (11,8%); e Norte, com 4.813 (5,9%).
Considerando as taxas por 100 mil habitantes, Santa Catarina apresentou a maior taxa em 2025, com 116,4 registros por 100 mil habitantes, seguida de Roraima, com 85, e Distrito Federal, com 81,5. O relatório ressalta que diferenças nas formas de registro e na cobertura das informações precisam ser consideradas na interpretação dos resultados.
Dados sobre as causas ainda são desafio
A publicação também avança na identificação das circunstâncias relacionadas aos desaparecimentos, embora a cobertura dessa variável ainda seja limitada.
Em 2025, 12 unidades da Federação não informaram dados sobre as causas dos desaparecimentos. Nas unidades que forneceram essa informação, o desaparecimento voluntário correspondeu a 7.885 registros e representou 72,35% dos casos com causa reportada.
O relatório alerta que informações sobre raça/cor e causas ainda apresentam diferenças relevantes de preenchimento nas unidades da Federação. Por isso, um dos desafios apontados é avançar na padronização, integração, completude e qualidade dos dados enviados pelos estados.
Casos em aberto
Pela primeira vez no documento, os dados também permitem visualizar o passivo informado pelos estados. O relatório considera como registro ativo o desaparecimento formalmente comunicado que permanecia em aberto em 31 de dezembro, inclusive casos originados em anos anteriores.
Em 2025, as unidades que enviaram essa informação reportaram 278.260 registros ativos. Esse número, entretanto, não deve ser comparado diretamente aos 147.567 informados em 2024, porque houve alteração significativa na quantidade e na composição dos estados que forneceram os dados. São Paulo, por exemplo, não havia informado esse indicador em 2024 e passou a registrar 138.634 casos em 2025.
Quando considerados apenas os 16 estados que forneceram informações nos dois anos, o número de registros ativos passou de 100.947 para 120.384, crescimento de 19,3%.
Política Nacional
A Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas foi instituída pela Lei nº 13.812/2019 e estabelece diretrizes para atuação integrada dos órgãos públicos e instituições responsáveis pela busca e localização. No âmbito do MJSP, a Senasp atua na consolidação e qualificação das informações produzidas pelas unidades da Federação.
O relatório reforça que a consolidação nacional dos registros, sob coordenação da Senasp, permite acompanhar o fenômeno, identificar diferenças territoriais e de perfil e produzir informações para o aprimoramento das estratégias de busca e localização de pessoas.
Além do relatório completo, os dados podem ser consultados em painel interativo, permitindo a visualização dos indicadores e recortes disponíveis por estado e região.