Situação Epidemiológica da Malária
A malária permanece como um importante problema de saúde pública no mundo, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. A doença é causada por parasitos do gênero Plasmodium e transmitida principalmente pela picada de fêmeas infectadas do mosquito do gênero Anopheles. Embora seja uma doença prevenível e curável, a malária continua causando importante impacto na morbidade e mortalidade em diversos países.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2024 foram estimados 282 milhões de casos de malária e 610 mil óbitos em 80 países. Em comparação com 2023, houve aumento de aproximadamente 9 milhões de casos e de 12 mil óbitos. A Região Africana da OMS concentrou cerca de 95% dos casos e dos óbitos registrados no mundo.
Malária no Brasil
No Brasil, a região amazônica concentra mais de 99% dos casos autóctones de malária. Integram essa área os estados do Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Na Região extra-amazônica, a maioria dos casos registrados é importada, principalmente de estados da região amazônica, de outros países da região amazônica ou do continente africano. Entretanto, também ocorre transmissão residual em algumas áreas, especialmente em regiões de Mata Atlântica.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 128.968 casos autóctones de malária em 2022, uma redução de 7,3% em relação a 2021 (139.108 casos autóctones). Em 2023, o Brasil registrou 140.264 casos autóctones de malária, representando um aumento de aproximadamente 8,8% em relação a 2022. No ano seguinte, em 2024, o Brasil apresentou redução de 1,2% dos casos, registrando 138.617 casos autóctones. Em 2025 foram registrados 118.037 casos autóctones, representando uma redução de 14,8%, em relação ao ano anterior. Esse ano foi o menor número de casos registrados no país desde 1979.
Com relação aos casos causados por Plasmodium falciparum no Brasil, em 2023 e 2024, foram registrados 24.313 e 27.002, casos autóctones, respectivamente. Os registros de P. falciparum em 2023, mostraram um aumento de 19,6% em relação a 2022, quando o país registrou 20.328 casos autóctones por essa espécie. Contudo em 2025, houve uma redução expressiva de 30,7% (18.714) dos casos autóctones de P. falciparum, comparado a 2024.
Os resultados observados em 2025 refletem o conjunto de ações estratégicas desenvolvidas para o controle e a eliminação da malária no país, incluindo a ampliação e maior disponibilidade de diagnóstico e tratamento adequado. Entre as estratégias implementadas, destaca-se a expansão da utilização dos Testes de Diagnóstico Rápido (TDR), a ampliação do uso da tafenoquina para o tratamento da malária por P. vivax, a utilização do uso de artesunato + mefloquina (ASMQ) como primeira escolha para o tratamento da malária por P. falciparum, além do fortalecimento das ações de controle vetorial, incluindo a distribuição e utilização dos Mosquiteiros Impregnados com Inseticidas de Longa Duração (MILDs) em localidades prioritárias.
Óbitos por malária
No Brasil, em relação aos óbitos por malária, em 2022 foram registrados 70, um aumento de 14,8% em comparação com 2021. Nos anos de 2023 e 2024, foram registrados 63 e 56 óbitos, respectivamente. uma redução de 44% em comparação com 2024. Em 2025, foram registrados 39 óbitos, expressando uma redução de 43,5%.
A letalidade da malária é significativamente menor na região amazônica. Na Região extra-amazônica, embora sejam registrados menos casos, a letalidade é proporcionalmente maior. Esse cenário está relacionado, entre outros fatores, à ocorrência predominante de casos importados e à possibilidade de atraso na suspeição, no diagnóstico e no início do tratamento.
Por ser uma doença menos frequente na região extra-amazônica, a malária pode não ser prontamente considerada na avaliação de pessoas com febre e histórico de viagem ou residência em áreas de transmissão. Por isso, é fundamental que profissionais de saúde considerem a possibilidade de malária diante de quadro febril em pessoas que tenham estado em áreas com transmissão da doença.
Acesse para mais informações sobre a malária na região extra-amazônica.
O diagnóstico e o tratamento oportunos e adequados são fundamentais para evitar a evolução para formas graves e reduzir o risco de óbito.