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SAÚDE COM CIÊNCIA
Crianças não vacinadas são mais saudáveis do que as vacinadas?
Foto: Divulgação/ MS
Circulam nas redes sociais conteúdos que afirmam que crianças não vacinadas seriam mais saudáveis do que aquelas que seguem o calendário de vacinação. Em geral, essas publicações citam supostos estudos que associam vacinas a doenças como autismo, diabetes, câncer e transtornos neurológicos. No entanto, essa afirmação não tem base científica sólida e pode levar a decisões que colocam a saúde infantil em risco.
Grande parte desses conteúdos se apoia em estudos com falhas metodológicas importantes, como amostras pequenas, ausência de controle de fatores sociais e econômicos e falta de revisão científica rigorosa. Esses estudos observam apenas associações e não comprovam relação de causa e efeito.
No Brasil, o Ministério da Saúde (MS), por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), reúne evidências consistentes sobre o impacto positivo das vacinas na saúde infantil. Dados nacionais mostram que a vacinação é uma das estratégias mais eficazes para reduzir doenças graves e mortes. A introdução de vacinas no calendário infantil levou à queda significativa de hospitalizações e óbitos por doenças infecciosas, como pneumonia, meningite e sarampo. Estudos apontam, por exemplo, redução de cerca de 11% na mortalidade por pneumonia em crianças após a introdução da vacina pneumocócica.
A vacinação de crianças como parte do calendário nacional é recomendada exatamente porque os benefícios superam amplamente quaisquer riscos. As vacinas ofertadas no Sistema Único de Saúde (SUS) passam por rigorosos processos de avaliação de segurança, eficácia e qualidade antes de serem disponibilizadas à população.
Fortalecimento da cobertura vacinal e proteção da população brasileira
O Ministério da Saúde tem intensificado ações para recuperar as coberturas vacinais no país, registrada a partir de 2015. Após o fortalecimento das estratégias, como campanhas nacionais, ampliação do acesso à vacinação e mobilização de estados e municípios, em 2025 foi registrado aumento em todas as vacinas do calendário infantil em relação a 2022. A tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, alcançou 92,96% de cobertura (ante 80,7% em 2022), contribuindo para manter o Brasil livre do sarampo, mesmo diante do aumento de casos na América do Norte, por exemplo.
A vacinação contra o HPV também avançou, impulsionada por ações de busca ativa e ampliação da oferta do imunizante. Entre meninas de 9 a 14 anos, a cobertura chegou a 86,11%, e entre meninos, a 74,46%. Além disso, 11 estados já atingiram a meta de 90% entre meninas e três entre meninos, fortalecendo a prevenção do câncer de colo do útero.
No caso da meningite, a cobertura da vacina meningocócica ACWY passou de 45,8% em 2022 para 67,75% em 2025. O número de crianças protegidas quadruplicou em relação a 2020, refletindo o esforço coordenado pela Pasta para ampliar a proteção da população e reduzir o risco de doenças imunopreveníveis.
Por que a comparação “vacinados x não vacinados” é enganosa?
Comparações diretas entre crianças vacinadas e não vacinadas podem levar a interpretações equivocadas. Crianças não vacinadas, muitas vezes, têm menos acesso a serviços de saúde, o que pode resultar em menos diagnósticos registrados (e não necessariamente em melhor saúde). Além disso, essas comparações ignoram um ponto essencial: vacinas existem para prevenir doenças potencialmente graves. A falta de imunização, aumenta o risco de complicações, sequelas e até morte por infecções evitáveis.
Vacinas causam autismo ou outras doenças?
Essa é uma das desinformações mais difundidas e a resposta é não. Diversos estudos científicos de alta qualidade, conduzidos ao longo de décadas, demonstram que não há relação entre vacinas e autismo ou outros transtornos do desenvolvimento. Pesquisas que sugeriram essa associação já foram amplamente contestadas e desacreditadas pela comunidade científica.
A ideia de que crianças não vacinadas são mais saudáveis não é sustentada pela ciência. Pelo contrário, evidências do Ministério da Saúde, da Organização Mundial de Saúde e demais estudos nacionais e internacionais mostram que a vacinação protege contra doenças graves, reduz mortes e fortalece a saúde coletiva. Deixar de vacinar aumenta a vulnerabilidade individual e compromete a proteção de toda a população. Por este motivo, é fundamental buscar informações em fontes confiáveis e manter a caderneta de vacinação atualizada.
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Ministério da Saúde