Sinais e Sintomas
A infecção pelo HPV não apresenta sinais e sintomas na maioria das pessoas. Em alguns casos, o HPV pode ficar latente de meses a anos, sem manifestar sinais (visíveis a olho nu), ou apresentar manifestações subclínicas (não visíveis a olho nu). A queda da imunidade do organismo pode desencadear a multiplicação do HPV e, consequentemente, provocar o aparecimento de lesões. A maioria das infecções tem resolução espontânea, pelo próprio organismo, em um período aproximado de até 24 meses.
As primeiras manifestações da infecção pelo HPV surgem, aproximadamente, entre 2 e 8 meses, mas pode levar até 20 anos para aparecer algum sinal da infecção. As manifestações costumam ser mais comuns em gestantes e em pessoas com imunidade baixa. O diagnóstico do HPV é realizado por meio de exames clínicos e laboratoriais, dependendo do tipo de lesão (se clínica ou subclínica).
Mais raramente, crianças que foram infectadas no momento do parto podem desenvolver lesões verrucosas nas cordas vocais e laringe (papilomatose respiratória recorrente).
Prevenção
Vacinar-se contra o HPV é a medida mais eficaz de se prevenir contra a infecção. A vacina é distribuída gratuitamente pelo SUS e está disponível, conforme as recomendações disponíveis na Nota Técnica nº 16/2025 – DNPI/SVSA/MS, para:
- Crianças e adolescentes de 9 a 14 anos – dose única
- Pessoas imunodeprimidas (pessoas vivendo com HIV ou aids, transplantados e pacientes oncológicos) – 3 doses (0, 2 e 6 meses).
- Vítimas de abuso sexual de 9 a 14 anos – 2 doses (0 e 6 meses).
- Vítimas de abuso sexual de 15 a 45 anos – 3 doses (0, 2 e 6 meses).
- Pessoas com papilomatose respiratória recorrente (PRR) a partir de 2 anos de idade – 3 doses (0, 2 e 6 meses).
- Usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) de 15 a 45 anos – 3 doses (0, 2 e 6 meses).
A vacina não previne infecções por todos os tipos de HPV, mas é dirigida para os tipos mais frequentes: 6, 11, 16 e 18.
As pessoas que usam PrEP e aquelas vivendo com HIV ou aids podem se vacinar contra o HPV em qualquer sala de vacina pública (posto de vacinação, Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais – Crie, Serviço de Assistência Especializada – SAE, Centro de Testagem e Acolhimento – CTA), desde que apresentem algum tipo de comprovação de que seguem PrEP ou terapia antirretroviral (Tarv). Como sugestão aos prescritores, pode-se utilizar o Formulário de Prescrição de Imunizantes.
O exame preventivo contra o HPV, o Papanicolau, é o exame ginecológico preventivo mais comum para identificar lesões precursoras de câncer de colo do útero. Esse exame citopatológico ajuda a detectar células anormais no revestimento do colo do útero, que podem ser tratadas antes de se tornarem cancerosas. O exame não é capaz de diagnosticar a presença do HPV; no entanto, é considerado o melhor método para detectar o câncer de colo do útero e suas lesões precursoras.
Quando essas alterações que antecedem o câncer são identificadas e tratadas, é possível prevenir 100% dos casos. Por isso, é muito importante que as pessoas com colo do útero façam o exame de Papanicolau regularmente.
Em 2024, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE) incorporou ao SUS o teste molecular para detecção de HPV oncogênico, como forma de rastreamento do câncer de colo de útero. As diretrizes brasileiras para o rastreamento de colo de útero do Brasil encontram-se em processo de atualização. Produzido pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná, ligado à Fiocruz, o teste molecular de DNA-HPV substituirá o exame citopatológico Papanicolau, que passará a ser realizado apenas para confirmação de casos em que o teste DNA-HPV der positivo. Por ser mais eficaz, a nova tecnologia permite ampliar os intervalos de rastreamento para até cinco anos, aumentando a eficiência e reduzindo custos. A meta é que o rastreio pelo teste molecular esteja presente na rede pública de todo o território nacional até dezembro de 2026.

