HPV
O HPV (papilomavírus humano) é um vírus que afeta a pele e as mucosas, sendo a infecção sexualmente transmissível (IST) mais comum no mundo. Existem mais de 200 tipos de HPV, alguns dos quais podem causar verrugas anogenitais (região genital e ânus), enquanto outros estão associados a tumores malignos, como o câncer de colo do útero, ânus, pênis, boca e garganta. A vacinação contra o HPV, oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é a forma mais eficaz de prevenção, aliada ao uso de preservativos (internos ou externos), que ajudam a reduzir o risco de contágio.
Sinais e Sintomas
A infecção pelo HPV não apresenta sinais e sintomas na maioria das pessoas. Em alguns casos, o HPV pode ficar latente de meses a anos, sem manifestar sinais (visíveis a olho nu), ou apresentar manifestações subclínicas (não visíveis a olho nu). A queda da imunidade do organismo pode desencadear a multiplicação do HPV e, consequentemente, provocar o aparecimento de lesões. A maioria das infecções tem resolução espontânea, pelo próprio organismo, em um período aproximado de até 24 meses.
As primeiras manifestações da infecção pelo HPV surgem, aproximadamente, entre 2 e 8 meses, mas pode levar até 20 anos para aparecer algum sinal da infecção. As manifestações costumam ser mais comuns em gestantes e em pessoas com imunidade baixa. O diagnóstico do HPV é realizado por meio de exames clínicos e laboratoriais, dependendo do tipo de lesão (se clínica ou subclínica).
Lesões clínicas
As lesões apresentam-se como verrugas na região genital e no ânus, sendo denominadas tecnicamente de condilomas acuminados e popularmente conhecidas como "crista de galo", "figueira" ou "cavalo de crista". Podem ser únicas ou múltiplas, de tamanhos variáveis, achatadas ou papulosas (elevadas e sólidas). Em geral, são assintomáticas, mas pode haver coceira no local. Essas verrugas, geralmente, são causadas por tipos de HPV não cancerígenos.
Lesões subclínicas (não visíveis ao olho nu)
Podem estar presentes nos mesmos locais das lesões visíveis, porém não apresentam sinais ou sintomas. As lesões subclínicas podem ser causadas por tipos de HPV de baixo ou de alto risco para o desenvolvimento de câncer. As lesões costumam acometer vulva, vagina, colo do útero, região perianal, ânus, pênis (geralmente na glande), bolsa escrotal e/ou região pubiana. Menos frequentemente, podem estar presentes em áreas extragenitais, como mucosa nasal, oral e laríngea.
Mais raramente, crianças que foram infectadas no momento do parto podem desenvolver lesões verrucosas nas cordas vocais e laringe (papilomatose respiratória recorrente).
Prevenção
Vacinar-se contra o HPV é a medida mais eficaz de se prevenir contra a infecção. A vacina é distribuída gratuitamente pelo SUS e está disponível, conforme as recomendações disponíveis na Nota Técnica nº 16/2025 – DNPI/SVSA/MS, para:
- Crianças e adolescentes de 9 a 14 anos – dose única
- Pessoas imunodeprimidas (pessoas vivendo com HIV ou aids, transplantados e pacientes oncológicos) – 3 doses (0, 2 e 6 meses).
- Vítimas de abuso sexual de 9 a 14 anos – 2 doses (0 e 6 meses).
- Vítimas de abuso sexual de 15 a 45 anos – 3 doses (0, 2 e 6 meses).
- Pessoas com papilomatose respiratória recorrente (PRR) a partir de 2 anos de idade – 3 doses (0, 2 e 6 meses).
- Usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) de 15 a 45 anos – 3 doses (0, 2 e 6 meses).
A vacina não previne infecções por todos os tipos de HPV, mas é dirigida para os tipos mais frequentes: 6, 11, 16 e 18.
As pessoas que usam PrEP e aquelas vivendo com HIV ou aids podem se vacinar contra o HPV em qualquer sala de vacina pública (posto de vacinação, Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais – Crie, Serviço de Assistência Especializada – SAE, Centro de Testagem e Acolhimento – CTA), desde que apresentem algum tipo de comprovação de que seguem PrEP ou terapia antirretroviral (Tarv). Como sugestão aos prescritores, pode-se utilizar o Formulário de Prescrição de Imunizantes.
O exame preventivo contra o HPV, o Papanicolau, é o exame ginecológico preventivo mais comum para identificar lesões precursoras de câncer de colo do útero. Esse exame citopatológico ajuda a detectar células anormais no revestimento do colo do útero, que podem ser tratadas antes de se tornarem cancerosas. O exame não é capaz de diagnosticar a presença do HPV; no entanto, é considerado o melhor método para detectar o câncer de colo do útero e suas lesões precursoras.
Quando essas alterações que antecedem o câncer são identificadas e tratadas, é possível prevenir 100% dos casos. Por isso, é muito importante que as pessoas com colo do útero façam o exame de Papanicolau regularmente.
Em 2024, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE) incorporou ao SUS o teste molecular para detecção de HPV oncogênico, como forma de rastreamento do câncer de colo de útero. As diretrizes brasileiras para o rastreamento de colo de útero do Brasil encontram-se em processo de atualização. Produzido pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná, ligado à Fiocruz, o teste molecular de DNA-HPV substituirá o exame citopatológico Papanicolau, que passará a ser realizado apenas para confirmação de casos em que o teste DNA-HPV der positivo. Por ser mais eficaz, a nova tecnologia permite ampliar os intervalos de rastreamento para até cinco anos, aumentando a eficiência e reduzindo custos. A meta é que o rastreio pelo teste molecular esteja presente na rede pública de todo o território nacional até dezembro de 2026.
Preservativo: O uso do preservativo, seja interno ou externo, é uma importante medida para a prevenção do HPV. No entanto, embora seja eficaz na redução do risco, seu uso não elimina completamente a possibilidade de transmissão do HPV. Isso ocorre porque as lesões podem estar presentes em áreas não cobertas pelo preservativo, como a vulva, as regiões pubiana e perineal e a bolsa escrotal. O preservativo interno, por oferecer maior cobertura da vulva, proporciona uma proteção mais eficaz, especialmente quando utilizado desde o início da relação sexual.