A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem e protegem o cérebro e a medula espinhal. Ela pode ser causada por vírus, bactérias, fungos ou parasitas e, em alguns casos, evolui rapidamente, colocando a vida em risco. A doença também pode ocorrer por condições não infecciosas, como doenças inflamatórias, traumas ou reações a medicamentos.
Situação no Brasil
A meningite é considerada uma doença endêmica no Brasil, com casos ao longo de todo o ano. As meningites bacterianas e virais são as de maior importância para saúde pública, ocorrendo em maior número de casos, e as crianças são as mais afetadas pela doença.
- As meningites bacterianas ocorrem com maior frequência no outono e inverno.
- As meningites virais são mais comuns na primavera e no verão.
Sinais e Sintomas
Os sintomas da meningite podem variar conforme o agente causador, mas alguns sinais são comuns. Sintomas mais frequentes incluem febre, dor de cabeça intensa, rigidez no pescoço, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz.
Em bebês e crianças pequenas, os sinais podem ser irritabilidade, choro persistente, recusa alimentar, vômitos e moleira estufada/inchada (fontanela abaulada).
Sinais de gravidade incluem confusão mental, convulsões, dificuldade para acordar e manchas vermelhas ou arroxeadas na pele. Na presença desses sinais, o atendimento médico deve ser imediato.
Complicações
Apesar dos esforços bem-sucedidos para controlar a doença em diversos países e regiões do mundo, a carga de adoecimento e óbitos por meningite permanece elevada, particularmente em países de baixa e média renda e em contextos que vivenciam epidemias em larga escala.
A maioria das pessoas se recupera completamente da meningite, sem sequelas permanentes. No entanto, a doença pode deixar sequelas temporárias ou, em alguns casos, incapacidade para toda a vida. O diagnóstico precoce e a vacinação são fundamentais para reduzir esses riscos.
| Pneumonia (infecção nos pulmões) | A perda auditiva é uma das sequelas mais frequentes da meningite bacteriana. Estima-se que até 1 em cada 10 sobreviventes possa apresentar algum grau de deficiência auditiva, que pode ser permanente. |
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| Perda auditiva (surdez parcial ou total) | A perda auditiva é uma das sequelas mais frequentes da meningite bacteriana. Estima-se que até 1 em cada 10 sobreviventes possa apresentar algum grau de deficiência auditiva, que pode ser permanente. |
| Danos neurológicos (convulsões, atraso no desenvolvimento, dificuldades cognitivas) | A meningite bacteriana pode causar inflamação intensa do sistema nervoso central. De 10% a 20% dos sobreviventes podem apresentar sequelas neurológicas permanentes, especialmente quando o tratamento não é iniciado precocemente. |
| Amputações e lesões graves (principalmente na doença meningocócica) | Em casos graves de doença meningocócica, a infecção pode comprometer a circulação sanguínea, levando à necessidade de amputações de membros e outras lesões permanentes. |
| Morte | Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, a meningite bacteriana ainda apresenta alta letalidade. No Brasil, a taxa de letalidade média varia entre 20% e 30%, sendo mais elevada em crianças menores de cinco anos e idosos. |
As complicações e a gravidade da meningite variam conforme o agente causador, a idade, o estado de saúde da pessoa e a rapidez do atendimento médico.
Transmissão
A forma de transmissão varia conforme o agente causador.
As meningites bacterianas e virais são geralmente transmitidas de pessoa para pessoa por contato próximo, por meio de gotículas respiratórias (fala, tosse, espirro). Porém, os agentes causadores da doença também podem ser transmitidos por via fecal-oral ou por meio de água ou alimentos contaminados.
Importante: algumas pessoas podem ser portadoras de bactérias causadoras de meningite sem apresentar sintomas, mas ainda assim transmitir o agente.
As meningites fúngicas e parasitárias não são transmitidas de pessoa para pessoa. Geralmente os fungos são adquiridos por meio da inalação dos esporos (pequenos pedaços de fungos) que entram nos pulmões e podem chegar até as meninges. Já os parasitas infectam as pessoas pela ingestão de alimentos contaminados com a forma ou fase infecciosa do parasita.
Diagnóstico
O diagnóstico da meningite é feito a partir da avaliação clínica e de exames laboratoriais.
Os principais exames incluem:
- Análise do líquor e sangue para pesquisa do agente etiológico
- Indicação do tipo de meningite.
A identificação do agente causador é fundamental para orientar o tratamento e as ações de vigilância epidemiológica.
Todos os exames necessários ao diagnóstico estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).
Tratamento
A meningite é uma emergência médica. Todos os casos suspeitos devem ser internados para avaliação e tratamento. O início do tratamento não deve ser atrasado por conta da realização de exames laboratoriais para identificação do agente causador.
- Meningite bacteriana: tratamento com antibióticos específicos, além de cuidados de suporte.
- Meningite viral: na maioria dos casos, acompanhamento clínico; antivirais são indicados apenas em situações específicas.
- Meningite fúngica: tratamento prolongado com antifúngicos.
- Meningite parasitária: uso de medicamentos específicos e controle dos sintomas.
A conduta é sempre definida pela equipe médica responsável.
Prevenção
A prevenção depende do agente causador, mas a vacinação é a principal medida de proteção, especialmente contra as meningites bacterianas.
Vacinas disponíveis no SUS (PNI)
- BCG – protege contra formas graves da tuberculose, incluindo meningite
- Pneumocócica – previne doenças invasivas, incluindo meningite
- Penta – protege contra Haemophilus influenzae tipo b
- Meningocócica C – protege contra o meningococo sorogrupo C
- Meningocócica ACWY – protege contra o meningococo dos sorogrupos A, C, W e Y
Outras medidas importantes incluem lavar as mãos com frequência, manter ambientes ventilados e seguir a etiqueta respiratória.