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Ministério das Mulheres lança livreto sobre justiça climática e diversidade em programação pelo Dia da Visibilidade Trans
O Ministério das Mulheres participou, nesta segunda-feira (26), do 3º Seminário Nacional da Visibilidade Trans, realizado em Brasília pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), em alusão ao Dia da Visibilidade Trans, celebrado em 29 de janeiro. Na ocasião, a pasta lançou o livreto Justiça Climática, Diversidade e Justiça de Gênero, publicação que reúne marcos históricos nacionais e internacionais e apresenta políticas públicas voltadas à população trans e travesti.
A publicação destaca como os impactos da crise climática afetam de forma desproporcional travestis e mulheres trans, aprofundando desigualdades estruturais e situações de violência. O material também aponta diretrizes e caminhos para a construção de políticas públicas mais inclusivas, que considerem gênero, diversidade e justiça climática de forma integrada.
A secretária nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, participou do evento e destacou a importância de que a pauta das mulheres trans e travestis e das pessoas transmasculinas esteja presente de forma transversal em todas as esferas de governo. Para ela, “os espaços precisam ser ocupados por todas as pessoas historicamente invisibilizadas, porque cada trajetória carrega uma história que deve ser respeitada”, reforçando que a pauta de todas as mulheres é pauta do Ministério das Mulheres.
Durante o seminário, a secretária nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ do MDHC, Symmy Larrat, ressaltou a importância da construção de políticas públicas baseadas no diálogo e na participação social. Ela afirmou que não há soberania sem o enfrentamento à transfobia e que a reconstrução das políticas públicas exige o fortalecimento de sistemas e serviços em todos os territórios. “Tenho orgulho de ter recebido a tarefa de estar secretária LGBTQIA+, mas sei que isso ainda não é o suficiente diante do fosso deixado pelo desmonte das políticas públicas nos últimos anos. Isso é o começo de um processo”, destacou.
Symmy apresentou ainda um balanço das ações da secretaria, como a retomada do Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, a construção da Política Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, acompanhada de um Plano Nacional, além da Estratégia Nacional de Trabalho Digno, Educação e Geração de Renda para Pessoas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade social e da Estratégia Nacional de Enfrentamento à Violência contra Pessoas LGBTQIA+.
A coordenadora de Diversidade do Ministério das Mulheres, Rubi Martins apresentou o Guia Todas as Mulheres – Dignidade, Cidadania e Direitos Humanos para Travestis e Mulheres Trans, lançado durante a 5ª Conferência Nacional de Políticas Públicas para as Mulheres, em 2025, e detalhou o conteúdo do livreto Justiça Climática, Diversidade e Justiça de Gênero, que reúne marcos históricos nacionais e internacionais e apresenta políticas públicas voltadas à população trans e travesti.
Estiveram presentes a representante da ONU Mulheres no Brasil, Gallianne Palayret; a presidenta da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), Bruna Benevides; representantes do Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+; a presidenta do Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros (Fonatrans), Jovanna Cardoso, entre outras autoridades e representantes da sociedade civil.
Cenário de violência
Levantamentos nacionais e internacionais, como o Trans Murder Monitoring (TMM) e o Dossiê de Assassinatos e Violências contra Travestis e Transexuais Brasileiras, elaborado anualmente pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais, ANTRA, indicam que o país permanece, de forma reiterada, como país o que registra o maior número de assassinatos dessa população no mundo.
Dados do TMM apontam que o Brasil concentra o maior número absoluto de assassinatos de pessoas trans registrados globalmente, respondendo por cerca de um terço dos casos notificados no mundo e mantendo essa liderança negativa por mais de uma década. No cenário nacional, o Dossiê da ANTRA, publicado em janeiro de 2025, registra 122 assassinatos de pessoas trans e travestis em 2024. Apesar da redução em relação ao ano anterior, o país segue, pelo 17º ano consecutivo, como o mais letal para essa população em termos globais.