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ECONOMIA FEMINISTA
Dia Nacional da Economia Solidária destaca papel das mulheres na geração de renda e no cuidado comunitário
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Nesta segunda-feira (15), é celebrado o Dia Nacional da Economia Solidária, data instituída pela Lei nº 13.928/2019 e comemorada em todo o território nacional. A efeméride reconhece e valoriza iniciativas econômicas baseadas na cooperação, na autogestão e na promoção do desenvolvimento sustentável. A celebração ocorre em um contexto de fortalecimento do setor: em 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 15.068/2024, que estabelece a Política Nacional de Economia Solidária e o Sistema Nacional de Economia Solidária (Sinaes), criando o primeiro marco regulatório para a área no país.
No Brasil, a economia popular e solidária surgiu no final dos anos 1980, como movimento social formado por trabalhadoras e trabalhadores com o objetivo de incidir sobre a estrutura do Estado, nos âmbitos municipal e nacional, para reivindicar políticas públicas de trabalho e geração de renda. Como resposta à crise econômica e ao desemprego em massa, a classe trabalhadora começou a se organizar coletivamente por meio de cooperativas e associações, criando alternativas baseadas na colaboração e na autogestão. Hoje, o setor reúne iniciativas econômicas em diversos segmentos produtivos, como artesanato, confecção e costura, alimentação, agricultura, serviços e atividades culturais.
Mulheres da econômia solidária
Elaborado pela SOF – Sempreviva Organização Feminista, em parceria com a Gênero e Número e apoio do Ministério das Mulheres, o Relatório Sem Parar 2025 aponta que 80% das mulheres que vivem da economia solidária são as principais responsáveis pela renda familiar, o que reforça a importância desse modelo para a autonomia econômica das brasileiras e de suas famílias.
Apesar disso, a pesquisa indica que a renda proveniente da economia solidária se concentra nas faixas mais baixas, evidenciando que essas mulheres ainda enfrentam um longo caminho para que essa atividade ultrapasse a condição de mera sobrevivência e se consolide como uma fonte de renda estável e suficiente.

Em 2020, a Pesquisa Sem Parar revelou que 61% das mulheres participantes da economia solidária eram negras. Durante a pandemia, essas trabalhadoras foram profundamente impactadas, já que seu principal canal de comercialização é a venda direta, muitas vezes realizada em feiras — dinâmica interrompida pelas políticas de isolamento social. No mesmo período, houve uma mobilização para incluir trabalhadoras e trabalhadores da economia solidária entre os beneficiários do auxílio emergencial, mas a iniciativa não avançou. Como consequência, muitas mulheres precisaram se registrar como “autônomas” ou “desempregadas”, evidenciando as múltiplas camadas de precariedade, vulnerabilidade e invisibilidade que marcam suas trajetórias.
O que mudou na renda nós últimos 5 anos
Reafirmando a persistência da instabilidade, 74,6% das trabalhadoras da economia solidária relataram queda na renda ao longo dos últimos cinco anos. O dado evidencia a dificuldade de recuperação econômica desse grupo e supera de forma significativa a média geral da pesquisa, na qual 36,2% das entrevistadas apontaram redução de renda no mesmo período.
Para além de analisar a economia solidária como fonte de sustento, o estudo também destaca seu papel como iniciativa comunitária de cuidado. Ao abordar sua importância e seu potencial transformador na vida das mulheres, a pesquisa evidencia a indissociabilidade entre as dimensões individual e coletiva, econômica e afetiva.
