Notícias
ICMBio mobiliza equipes para combater incêndios no Refúgio de Vida Silvestre Sauim-de-coleira, no Amazonas
Brigadistas mobilizados no combate aos incêndios florestais no Refúgio de Vida Silvestre Sauim-de-coleira
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em conjunto com instituições parceiras, atua no combate aos incêndios florestais que atingiram 1.410 hectares do Refúgio de Vida Silvestre (Revis) Sauim-de-coleira, no Amazonas. Desde 13 de outubro, as operações mobilizaram 21 brigadistas, que se revezaram nas atividades de campo, além de quatro servidores responsáveis pelo posto de comando. As ações buscam conter a propagação do fogo e reduzir os impactos sobre a biodiversidade da unidade de conservação.
Os primeiros focos foram identificados em imagens de satélite a partir de 6 de outubro e confirmados em campo no dia 9. Diante da ocorrência, a equipe da unidade iniciou a mobilização para o combate e solicitou apoio ao Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Novo Airão, devido à ausência de uma brigada própria no refúgio. A partir dessa articulação, foram organizadas ações de combate direto e indireto, com a participação de equipes de diferentes regiões.
Entre as estratégias adotadas estão o uso de aeronaves remotamente pilotadas (RPA), conhecidas como drones, para monitorar focos ativos e identificar novos pontos de incêndio, além de sobrevoos com aeronave para avaliar a extensão das áreas queimadas. Em solo, os brigadistas percorreram as linhas de fogo para eliminar focos superficiais e subterrâneos e construir linhas de defesa, incluindo a abertura de trincheiras para impedir o avanço das chamas.
Um dos principais desafios enfrentados pelas equipes foi a ocorrência de fogo subterrâneo, que pode permanecer ativo abaixo da superfície e não ser detectado por satélites. Essa característica exige inspeções diretamente no terreno e trabalho contínuo para localizar e eliminar os focos. Em determinados trechos, os brigadistas chegaram a percorrer seis quilômetros durante as atividades de monitoramento, demarcação de linhas de defesa e abertura de trincheiras. A falta de chuvas na região também dificultou as operações.
Para o combate, foram utilizados sopradores, abafadores, bombas costais, enxadas, machados, motosserras, facões e bombas d’água com mangueiras. A operação contou ainda com cinco viaturas, sendo três do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo/Ibama) e duas do ICMBio.
Impactos sobre a biodiversidade
Os incêndios representam uma ameaça à biodiversidade do refúgio, especialmente ao sauim-de-coleira (Saguinus bicolor), espécie de primata ameaçada de extinção que depende dos ambientes florestais da região para sobreviver.
Segundo a chefe do NGI Sauim-de-coleira, Tamires Mutz, os danos provocados pelo fogo vão além da perda de cobertura vegetal e podem comprometer as condições necessárias à sobrevivência das espécies que habitam a unidade.
“O impacto não se limita somente à vegetação queimada. O fogo compromete toda a estrutura ecológica da floresta, alimentação, abrigo, reprodução, deslocamento e disponibilidade de território para a fauna”, explicou.
A chefe da unidade também destacou a vulnerabilidade do sauim-de-coleira diante da destruição de seu habitat. “Estamos falando de uma espécie ameaçada de extinção, o sauim-de-coleira, que depende desse ambiente para sobreviver”, reforçou.
Atuação integrada e investigação das causas
O combate aos incêndios conta com a atuação do ICMBio, por meio da Coordenação Territorial de Manaus, do NGI Refúgio de Vida Silvestre Sauim-de-coleira e das brigadas dos NGIs Roraima e Novo Airão. A operação também reúne equipes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por meio do Prevfogo, incluindo as brigadas Cárceres e Pareci, ambas do Mato Grosso.
As ações contam ainda com o apoio do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), da Polícia Federal (PF), da Prefeitura de Itacoatiara e de moradores da Comunidade São João e da Pousada Ely, que contribuíram com o suporte logístico às equipes em campo.
Paralelamente ao combate, estão em andamento investigações para identificar as causas dos incêndios e os possíveis responsáveis. Levantamentos realizados em campo indicam que o fogo teve início em propriedades localizadas no interior da unidade de conservação.
Há suspeitas de ação criminosa, hipótese que está sendo apurada pelos órgãos competentes. Provocar incêndios em áreas naturais pode configurar crime ambiental, sujeito às penalidades previstas na legislação brasileira.
Aproximação com as comunidades
Além das atividades de combate, a presença dos brigadistas proporcionou momentos de diálogo com moradores da região. Durante os deslocamentos para monitoramento e abertura de linhas de defesa, uma das equipes chegou à Comunidade Santíssima Trindade, onde visitou uma escola e conversou com estudantes e profissionais sobre os incêndios e o trabalho desenvolvido na unidade de conservação.
O encontro representou um primeiro contato entre a gestão do refúgio e a comunidade escolar, abrindo espaço para futuras atividades de aproximação e conscientização ambiental.
A atuação dos profissionais despertou ainda o interesse de uma criança da comunidade, que, após acompanhar a rotina dos brigadistas, manifestou o desejo de exercer a profissão no futuro.
A colaboração das comunidades locais é fundamental para a prevenção de novos incêndios. Informações sobre atividades suspeitas podem ser encaminhadas aos órgãos competentes e contribuir para as investigações e a responsabilização dos envolvidos.

